O final dos anos 50 e início dos anos 60 foi marcado pela corrida espacial, num ambiente de rivalidade geopolítica a que chamamos Guerra Fria. É a “Crise do Sputnik” que marca o início desta corrida ao Espaço, com o lançamento a 4 de Outubro de 1957 do Sputnik 1 pela União Soviética.

Este lançamento mostrou ao mundo uma superioridade “inicial” da URSS, fazendo antever que a capacidade bélica intercontinental era efectiva, e não só a nível militar, como também nível económico e tecnológico. Foi aliás em resposta ao Sputnik 1, que o Presidente Dwight D. Eisenhower criou a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) e iniciou o Projeto Mercury, que pretendia lançar um homem na órbita da Terra. Contudo os americanos receberam outro duro golpe no seu orgulho, quando a 12 de abril de 1961 a URSS lançou o cosmonauta soviético Yuri Gagarin, conseguindo assim ser o primeiro homem no Espaço e o primeiro a orbitar a Terra.

Esta rivalidade contou vários acidentes mortais pelo caminho, como o do Apollo 1 em 27 de janeiro de 1967, onde três astronautas americanos morreram queimados. Ainda assim, e numa missão de alto-risco, o imperativo de John F. Kennedy, desafinado a NASA a colocar o primeiro homem na Lua, foi conseguido pelo trio Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins a 20 de Julho de 1969 pelas 20:17 UCT, a bordo da Missão Apollo 11.

Estes dois vídeos procuram explicar esta rivalidade, sendo que o segundo tem imagens da época:

E será que a corrida acabou? Ou agora há uma corrida a Marte?

Estão muitas coisas a acontecer na área do Espaço… Por exemplo, ainda agora a 26 de Novembro de 2018, entrou na atmosfera de Marte a 128 Km do chão, e a uma velocidade de 12.300 milhas por hora, a sonda/lander InSight que 6 minutos depois havia de pousar no chão marciano.

Neste dia, os cientistas do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA comemoraram, e Jim Bridenstine, administrador da NASA apenas exclamou: “Que dia para a Nasa!”

Nesse dia, os cientistas da RAL Space em Oxfordshire, que operam os instrumentos da InSight a partir da Terra, explicaram umas horas depois que “esta é a nossa primeira oportunidade para olhar profundamente dentro de outro planeta, para olhar para a estrutura e descobrir por que isto acabou desta maneira”, explicou na altura o cientista Rain Irshad…

Aliás, a tecnologia avançou tanto que pouco tempo depois estávamos já a receber as “selfies” da InSight, noutro planeta…

Crédito: NASA/JPL-Caltech

O módulo InSight custou 814 milhões de dólares, numa missão “Flawless”, e numa área de negócio arriscado uma vez que apenas 40% das missões foram bem-sucedidas!

Esta missão para perceber como funciona o interior de Marte, não é a única agendada…

O que se segue agora?

Mars 2020 é um rover da NASA que faz parte Mars Exploration Program e que vai ser lançado em Julho ou Agosto de 2020. Este rover que foi anunciado a 4 de Dezembro de 2012, vai investigar os processos geológicos, estudar a potencial preservação de bio-assinaturas e a capacidade de habitabilidade de Marte no passado. O Marte 2020 vai também recolher amostras, para que no futuro sejam devolvidas á Terra ou seja uma MSR (Mars Sample Return), eventualmente já recolhidas por uma missão tripulada. Vai aterrar na cratera Jezero, quando chegar a Marte em Fevereiro de 2021.

E depois vem o ExoMars, também em 2020…

Ou talvez seja melhor dizer o “Rosalind Franklin rover”, antigamente conhecido como o ExoMars… Planeado para ser lançado em Julho de 2020, este vai ser o primeiro rover da ESA (European Space Agency) em Marte. Este rover movido a energia solar, vai procurar durante 7 meses (218-sol) vestígios de vida passada em Marte. Vamos ter uma corrida com Mars 2020, para ver quem descobre primeiro o quê…

O Rosalind vai pesar 295 kg e será aproximadamente 60% maior do que os rovers de 2004 da NASA (o Spirit e o Opportunity), mas cerca de um terço do tamanho do rover Curiosity lançado em 2011.

2020??? By the way, say hello to China!

A China entrou com toda força no Programa Espacial com a Chang’e 4. Esta missão de exploração lunar, alcançou o pouso a 3 de Janeiro de 2019. Foi histórico! Depois de 22 dias com os controladores de voo a testar os sistemas da sonda em plena missão, o sonda saiu da órbita para voltar a aterrar e lançar o “Coelho de Jade 2”.

Esta missão formalmente anunciada em 2015 vai culminar com uma Sample Return para a Terra em 2019. Aquilo que foi magnífico em tudo isto, foi a sonda ter estacionado no Lado Oculto da Lua (bloqueando as comunicações com a Terra). Para isso foi utilizado um satélite de retransmissão, o Queqiao e dois SmallSats (o Longjiang-1 e 2), para conseguir operar “às escuras”…

A impressionante capacidade técnica da China pode ainda não ter acabado de surpreender…

O que sabemos sobre a missão chinesa a Marte? Em primeiro lugar parece ser muito direccionada… E direccionada para o Futuro, porque quer procurar água e gelo, entre outras coisas. Isto faz antever que a China esteja preocupada com o lançamento de uma missão tripulada.

A Administração Nacional do Espaço da China, o equivalente chinês da NASA, está a trabalhar para enviar uma investigação ao Planeta Vermelho em 2020. Vai ser uma sonda acompanhada de um rover, além de querer lançar a Chang’e 5 para recuperar as amostras recolhidas pela missão Chang’e 4 (as últimas amostras da Lua que temos são de 1976)…

A 14 de Janeiro de 2019 o Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que o Programa Espacial Chinês tem “objectivos ambiciosos”… E é de acreditar que assim seja, uma vez que a China está já a construir a sua própria estação espacial, chamada Tiangong, ou o Palácio Celestial, para que esta entre em operações em 2022 (até agora só havia a Estação Espacial Internacional, cujo prazo de validade está a chegar ao fim. Além disso a China ainda está a decidir se vai lançar astronautas seus à Lua ou não…

E também em 2022 a China está a planear lançar missões a asteróides…

“Emirates Mars Mission” entra em cena…

Se tudo correr bem, os Emirados Árabes Unidos terão uma sonda espacial em órbita de Marte até 2021..

Anunciado em Julho de 2014 pelo Sheik Mohammed bin Rashid, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos e Governante do Dubai, a Emirates Mars Mission deve ser lançada em Julho de 2020, enviando a sonda até ao Planeta Vermelho. Espera-se que chegue sete meses depois ou melhor, apenas meio século depois da fundação do país, uma união de sete emirados no Golfo da Arábia.

Tudo indica que esta história vai acabar bem, graças a um longo estudo de viabilidade que começou no final de 2013.

Esta sonda construída em alumínio terá um rastreador de estrelas, bem como uma série de painéis solares e propulsores, encaixados no tamanho de um carro pequeno. Incluirá também equipamentos de imagem e espectrometros ultravioleta e infravermelhos que ajudarão os cientistas a entender a dinâmica e o clima das diferentes camadas da atmosfera de Marte, numa missão que está planeada para 2 anos.

Vejam o vídeo e “be amazed!”

E por fim há a promessa de Elon Musk: Marte em 2024!

2024 parece ser um cronograma agressivo. É capaz de ser cedo demais…

Contudo há uma razão para se falar em 2024… É que em 2023 a Starship da SpaceX vai completar o Loop Lunar, levando turistas ao Espaço e em redor da Lua. Ou seja, em teoria a Starship estará pronta para se dirigir a Marte.

E tratando-se de um foguetão reutilizável, uma vez que o SLS – Space Launch Systeam – ou o “Elefante Branco” da NASA, desenhado pela Boeing está quase a ser encerrado, quando Musk foi desafiado dizendo que o SLS chegaria primeiro a Marte, Musk apenas tweetou: “Do it!”

Aguardamos por tanto as cenas do próximo capítulo… Uma coisa é certa: a corrida ao Espaço está mais ao rubro do que nunca!

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Asteróides: NASA fez um filme a explicar como a nossa segurança piorou, muito!