O Presidente Donald Trump assinou ontem dia 19 a Diretiva de Políticas Espaciais-4 (SPD-4), ordenando ao Pentágono que estabeleça a Força Espacial como o sexto ramo das Forças Armadas dos Estados Unidos, juntamente com o Exército, Marinha e Força Aérea, Fuzileiros Navais e Guarda Costeira.

Apesar do Congresso ainda ter que aprovar a criação de qualquer novo ramo militar, já se vai conhecendo os principais objectivos da Space Force. E em resumo, o objetivo principal da Força Espacial é assegurar e ampliar o domínio americano no Espaço.

Esta posição de Trump tem tido alguma oposição interna, mas nada de relevante. Por exemplo de Laura Grego, cientista sénior do Programa de Segurança Global da Union of Concerned Scientists.

Esta cientista afirmou em comunicado que “O Presidente Trump apelidou o Espaço de novo domínio de combate. O espaço é importante para os militares, é verdade, mas é apenas uma pequena parte do que acontece lá. Oitenta por cento dos cerca de 2.000 satélites são civis, fornecendo comunicações críticas e serviços económicos para o bem-estar da humanidade”.

Vejamos: o foco da diretiva é efectivamente a criação da Força Espacial Militar, fazendo parte da Força Aérea dos EUA, e como um primeiro passo para a criação de um departamento militar “separado”, com uma missão e alcance futuros, completamente autónomos.

Trump falou pela primeira vez da criação da Space Force em Março de 2018, em comentários que pareciam antever uma ausência de seguimento. Contudo em Julho de 2018, mencionou pela primeira vez a criação da Space Force num documento.

De início o Comitê de Serviços Armados do Senado não concordou, e foi exigido pelo NDAA (National Defense Authorization Act) um estudo sobre este projecto liderado por Patrick Shanahan, Vice Secretário de Defesa e actualmente Secretário de Defesa dos USA.

No “relatório Shanahan”, um grupo de oficiais de alto nível do DOD (Departamento de Defesa), incluindo a secretária da Força Aérea Heather Wilson e o subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, Mike Griffin, aparecem agora “miraculosamente” a apoiar a proposta.

O que motiva os USA para criar a Space Force?

Na minha opinião deve-se a duas questões, fundamentalmente: Por um lado o avanço incontrolável e ameaça militar da China no Espaço, e por outro a necessidade de haver um ramo militar separado da NASA para responder com prontidão a ameaças vindas do Espaço, como por exemplo a protecção contra o impacto de asteróides… Ou a uma guerra…

Mas falemos da China…

Uma réplica em tamanho natural do módulo Tianhe, apresentado no Airshow China 2018 a 6 de Novembro de 2018 in Zhuhai, Guangdong, na China. (Photo by Chen Jimin/China News Service/VCG via Getty Images)

Após a bem-sucedida missão da Chang’e 4, no lado oculto da Lua, a China (que é já a segunda maior economia mundial) está a preparar-se para construir uma estação de energia solar no Espaço. A China deslocou um orçamento anual de US $ 8 mil milhões para seu Programa Espacial, ainda abaixo do orçamento dos Estados Unidos, mas começa a dar sinais que o seu Programa Espacial não pretende apenas o domínio tecnológico, mas também militar e económico sobre a Terra…

Os investigadores chineses já começaram a construção de uma base de testes na cidade chinesa de Chongqing, para testar este módulo, e podem surpreender com o timming… E esta é uma inovação que dá nas vistas…

Além disso, Wu Yanhua, vice-administrador da Administração Nacional do Espaço da China, anunciou recentemente que estão mais missões no “Pipeline” da Agência Chinesa, nomeadamente uma ao Polo Sul da Lua,  outra para criação de uma base de pesquisa na Lua, além da sonda que irá enviar a Marte…

E depois há a questão da Estação Espacial. Até agora só havia a Estação Espacial Internacional, que aliás está a acabar o seu período de validade. Assim sendo, a China pretende construir sua própria estação espacial por volta de 2022. Será chamada de  Tiangong ou Palácio Celestial. Pesará 66 toneladas, e terá inicialmente um módulo central e dois módulos de laboratório. Esta estação será desenhada para receber 3 astronautas de cada vez, operando “em segredo” de todas as outras nações…

Orçamento da Agência e Foguetes Privados…

O Orçamento da agência chinesa ainda é inferior ao da NASA, muito porque o Presidente Xi Jinping redireccionou parte dos fundos para empresas nacionais concorrentes da SpaceX, da Blue Origin e da Virgin Galactic. Algumas destas Startups chinesas estão não só a receber financiamento do Governo como também o “apoio científico” da própria agência.

Independência de GPS e reaproveitamento de lixo espacial… Onde o assunto se complica!

A rivalidade entre China e EUA  pelo controlo do Espaço, está actualmente a atingir níveis nunca vistos… Cerca de US $ 9 mil milhões foram investidos pela China para construir um novo sistema de navegação por satélite, reduzindo assim a sua dependência do GPS de propriedade norte-americana. De facto, todos os satélites que controlam o GPS são controlados pela Força Aérea dos EUA.

Assim a China está a desenvolver um Sistema de Navegação Beidou, que eventualmente fornecerá precisão de posicionamento de 1 metro (3 pés) ou menos, se combinado com um sistema de suporte de solo. De facto, foram os satélites Beidou os responsáveis pelo sucesso da Chang’e 4, ao aterrar no lado oculto da Lua…

O Sistema Beidou aliás parece ter-se tornado numa obsessão da China

Há outra questão que está a preocupar os Estados Unidos: A China está a desenvolver sofisticadas técnicas de “inspeção e reparo de satélites” para limpar o suposto “lixo orbital”. Porém a Agência de Inteligência de Defesa dos EUA afirmou recentemente que alguns destes “satélites-lixo”, pelo menos “alguns”, “podem funcionar” como armas contra os satélites norte-americanos.. E apesar do Ministério das Relações Exteriores da China ter afirmado que estas alegações dos EUA são “infundadas”, este parece ser um problema que se arrasta..

Se os problemas fossem só estes…

O que a China está a fazer agora, a Rússia já o está a fazer há mais tempo. Isso mesmo é assumido num relatório da National Security Agency, que é público!

A corrida ao Espaço, já não é simples exploração (ou talvez nunca tenha sido). A corrida ao Espaço está a tomar estas proporções, por questões que se prendem com o domínio e controlo militar da Terra e do Espaço!

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