No passado dia 19 de Fevereiro um asteróide perigoso passou muito próximo do planeta Terra. E era perigoso por uma razão: a NASA considera um asteróide como “perigoso” ou com risco de colisão, quando este passa a uma distância inferior a 7 milhões de quilómetros. O Asteróide 2013 MD8 passou pela Terra no dia 19 a uma velocidade de 48.953 Km/hora, e a menos de 3 milhões de Km da Terra (em padrões astronómicos foi aliás uma razia, como se pode confirmar aqui, nos diagrama da NASA)…

Crédito: Asteróide detectado por telescópio. In Giphy

A verdade é que se porventura tivesse havido uma colisão, esta teria sido devastadora embora não extinguisse a vida na Terra.

Utilizemos como padrão outro asteróide, o MN 2002, um asteróide do Grupo Apollo. São asteróides do Grupo Apollo aqueles cujas órbitas estão localizadas muito próximo da Terra, tal como o MN2002. A 14 de Junho de 2002 este asteróide “falhou” a Terra por apenas por 120.000 km, tendo sido somente detectado 3 dias após a possibilidade de impacto (uma vez que a sua órbita o escondeu por detrás do Sol). O MN2002 tinha 73 metros e feitas as contas, se tivesse chocado com a Terra teria causado uma devastação semelhante ao asteróide que caiu em Tunguska na Rússia, tendo arrasado uma região de floresta com cerca de 2.100 kmna região da Sibéria.

Do tamanho do Big Ben…

Ora este asteróide que há 2 dias nos visitou, o 2013 MD8, era maior, tendo uma dimensão de 85 metros. O suficiente para arrasar uma cidade do tamanho de Londres, os seus subúrbios e as cidades adjacentes num piscar de olhos. Aliás, Londres é mesmo a melhor comparação possível, até porque o 2013 MD8 é justamente do tamanho do seu conhecido relógio, o Big Ben.

No nosso sistema solar estima-se que existam mais de 600.000 asteróides errantes.

Desses asteróides há uma quantidade ínfima que são considerados NEO’s (Near Earth Objects). Actualmente estão catalogados pela NASA 7.812 asteróides com órbitas próximas da Terra, contudo estes pertencem aos apenas 30% de NEO’s que efectivamente existem, sabendo nós que 70% continua a voar a velocidades vertiginosas no Espaço escuro, e nós não lhes conhecemos as rotas ou órbitas…

Porque haveria um asteróide de chocar com a Terra?

A pergunta inversa faz tanto sentido como a primeira: “E porque não haveria de chocar com a Terra?”

Fact Check:

Sendo que o Impacto de Asteróides é algo completamente aleatório, dependendo das suas órbitas, se colidem com outros objectos em pleno Espaço alterando a sua rota, se são redireccionados por forças gravitacionais, etc, estes são os factos:

Asteróides com diâmetro de 1 km atingem a Terra a cada 500.000 anos, em média.

Colisões grandes (asteróides, corpos rochosos e metálicos ou cometas, corpos gelados e rochosos) com 5 km acontecem aproximadamente uma vez a cada dez milhões de anos. Há 65 milhões de anos, no evento de extinção do Cretácio-terciário, um asteróide com 10 km chocou com a Terra.

Colisões pequenas ou asteróides com diâmetros de 5 a10 metros atingem a atmosfera terrestre aproximadamente uma vez por ano. Estes asteróides têm tanta energia como a Little Boy, a bomba atômica de Hiroshima e normalmente explodem na atmosfera superior, sendo os componentes sólidos vaporizados. Eis aqui um mapa de impactos que se desintegraram na atmosfera:

Crédito: NASA/Planetary Science

Objetos com diâmetros superiores a 50 metros atingem a Terra aproximadamente uma vez a cada mil anos, produzindo explosões comparáveis ao incidente de Tunguska na Sibéria, em 1908.

O castigo de Sodoma…

Escavações mostram-nos que há 3.700 anos, um asteróide ou cometa explodiu no Médio Oriente. A destruição na região, numa faixa de terra conhecida por Middle Ghor, no norte do Mar Morto, foi avassaladora.

Os investigadores da American School of Oriental Research descrevem o evento como “num instante houve uma devastação de cerca de 500 km2 ao norte do Mar Morto, não apenas eliminando 100% das cidades e vilas, mas também retirando os solos agrícolas dos campos outrora férteis e cobrindo o leste de Middle Ghor com uma salmoura superaquecida de sais de anidrido do Mar Morto, empurrados para a paisagem pelas ondas de choque do evento”.

O local da escavação permanece em estudo e é conhecido por Tall el- Hammam. E as provas são bastante conclusivas, dado as suas características bastante incomuns: A superfície da cerâmica ficou vitrificada (transformada em vidro), o que só é possível se a temperatura do evento fosse superior a 4.000 graus Celsius, como explica o portal Live Science Phillip Silvia, do arqueólogo e supervisor de escavação do projeto Tall el-Hammam.

Essa subida de temperatura instantánea foi também momentânea, uma vez que não vitrificou a cerâmica inteira mas apenas a sua superfície, deixando o restante material ileso, o que é compatível com as consequências do impacto de um corpo celeste.

Para além disso as povoações foram completamente arrasadas até ao chão, tendo apenas sobrado as fundações feitas em pedra… Com base nos estudos arqueológicos, demorou pelo menos 600 anos até que esta zona recuperasse da destruição e contaminação do solo, e para que a civilização pudesse reabitar no leste da região de Middle Ghor.

Há 3.700 anos atrás habitavam a região de Middle Ghor cerca de 40.000 e 65.000 pessoas, que ocupavam diversas populações nas imediações de Tall el-Hammam, num raio total de cerca de 25 km – que foi totalmente arrasado. Percebe-se isto porque Tall el-Hammam é uma planície circular de 25 quilómetros de largura (situada na Jordânia), e que era claramente habitada. Os sinais da destruição vão até aos 500 km em volta desta planície.

Uma curiosidade: a zona de Tall el-Hammam é uma das mais fortes candidatas à ancestral localização da “Cidade do Pecado”, conhecida no Livro do Génesis por Sodoma. É de comum acordo que os historiadores localizam a cidade de Sodoma na Jordânia, na planície encostada ao Mar Morto.

Nesta cidade perversa apesar de ser uma das zonas mais férteis da região, os seus habitantes eram conhecidos por não praticar a caridade com os estrangeiros, violando-os para os afastar.

Na planície onde foi feita a escavação de Tall el-Hammam, onde também a mulher do Patriarca Lot foi colhida pela devastação (transformada numa estátua de cinza e sal), quando foi ordenado a Lot por Deus que abandonasse a cidade “sem olhar para trás”, foi feita uma descoberta publicada no artigo científico, e que tem intrigado os investigadores: uma cidade antiga que cobria 36 hectares de terra…

Terá Sodoma sido alvo de um asteróide que se incendiou ao entrar na atmosfera da Terra?

Crédito: Giphy

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Asteróides: NASA fez um filme a explicar como a nossa segurança piorou, e muito!