Kinshasa Robocop
Câmaras que registam o trânsito, no rosto dos Robocops ( Brian Sokol/Panos for SGIA)

Entre o high tech e o favela chic, estes andróides tornaram-se elementos indispensáveis no controle do trânsito na maior cidade da República Democrática do Congo. Poderiam ser um princípio de utopia afro-futurista, mas são a resposta a um problema muito específico. Construídos por uma empresária congolesa, estes robots ajudam a manter a lei nos cruzamentos mais intensos da capital da República Democrática do Congo.

Não Humano, Totalmente Máquina

Kinshasa Robocop
Robots nas ruas de Kinshasa ( Brian Sokol/Panos for SGIA)

As ruas de Kinshasa contam com uma força de agentes muito especiais. São aliados imprescindíveis da polícia na luta contra o crime rodoviário. Firmes e implacáveis, pouco os desvia do cumprimento do seu dever. Mesmo se forem agredidos por veículos pesados, depressa regressam às ruas. Os habitantes da capital do Congo chamam-lhes de Robocops. Mas, ao contrário do personagem dos filmes clássicos de FC dos anos 80, estes robots polícias não são cyborgs que patrulham as ruas e combatem o poder dos mega conglomerados empresariais. Têm uma utilidade mais prosaica: gerir o trânsito nos cruzamentos mais congestionados da cidade.

Nesta metrópole africana com mais de 12 milhões de habitantes, o trânsito é frequentemente caótico. A combinação de condutores mal treinados na segurança rodoviária, com uma atitude laxista face às regras de trânsito, entope facilmente as ruas. E ser polícia de trânsito é uma profissão de risco. Os agentes arriscam atropelamentos ou outras formas de violência. Estes robocops congoleses tornaram-se uma resposta criativa que procura minorar os problemas de congestionamento de trânsito em Kinshasa.

Estéticas High Tech mas Mecanismos Low Tech

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Cruzamentos congestionados vigiados pelos Robocops de Kinshasa ( Brian Sokol/Panos for SGIA)

Estes robots não são exemplos de máquinas high tech. O seu design inspira-se na iconografia clássicas da representação do corpo robótico, sendo uma forma de atrair a atenção dos automobilistas. Os seus braços são mecanismos simples que funcionam como semáforos, indicando aos condutores nas confusas interseções da cidade se devem parar ou avançar. Contém câmaras nos olhos ou outras partes do corpo, que registam o comportamento dos motoristas. São inamovíveis, e alimentados a energia solar. Depois de instalados, só são retirados em caso de danos graves provocados por colisões com veículos. Nalguns casos, acidentes intencionalmente provocados por condutores irados que perderam a paciência.

Já os agentes da polícia congolesa não se sentem ameaçados no seu emprego por estes robots. Pelo contrário, sentem-se mais seguros no desempenho das suas funções. Ser um polícia de controle de trânsito nos fluxos caóticos de tráfego da cidade é uma profissão de alto risco, arriscando atropelamentos ou agressões. Mas agora são os Robocops metálicos que ocupam os locais mais arriscados. Os agentes humanos complementam, agindo sobre os condutores que não respeitem as regras.

Um Robot-Polícia Amigável

Kinshasa Robocop
A manufatura destes robots é artesanal ( Brian Sokol/Panos for SGIA)

Para os habitantes, a presença dos Robocops tornou-se uma forma divertida de encarar os problemas de  trânsito. E traz vantagens adicionais. Sabem que um robot de aspeto simpático não é corruptível ou corrupto, e portanto não irá exigir dinheiro em troca de favores. Sabendo igualmente que estas máquinas dispõem de câmaras que gravam as ruas, a sua presença acaba por ser tornar um elemento dissuasor de criminalidade.

A ideia para estes robots-semáforo veio da empresária congolesa Therese Izay. A sua empresa, Women’s Tech, é responsável por conceber e manufaturar estes robots. Visualmente, são todos diferentes uns dos outros, ou seja, algo que faz parte do seu apelo estético. De acordo com os seus criadores, o aspecto humanoide sublinha o ar de autoridade. Desde 2013 que a sua empresa constrói e instala estes robots em Kinshasa e noutras cidades congolesas.

Por si só, estes robots não resolveram os problemas de trânsito na cidade. Mas facilitaram o trabalho à polícias e a vida aos condutores. Do nosso ponto de vista ocidental, estas máquinas estão muito distantes da vanguarda de alta tecnologia da robótica contemporânea. No entanto, representam a sua essência: criar máquinas que retirem pessoas de tarefas perigosas, utilizando os robots para resolver problemas muito humanos.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.