Começou uma campanha de marketing em torno da Lua. Este ano por exemplo, entre 17 e 20 de Outubro em Nova York irá decorrer o Margaret Mead Film Festival. Este festival de documentários vai versar a diversidade de pessoas e culturas que habitam o planeta Terra, mas não só… A NBC News fez uma parceria com o Museu Americano de História Natural para fazer “Tributo Lunar”, sobre a missão do astronauta Charles Duke da Apollo 16, relatando os acontecimentos de 1972 na exploração da Lua.

Estas e outras iniciativas começam a despontar aqui e ali desde que foi partilhada a visão de Jim Bridenstine, Administrador da NASA. Nessa visão resumidamente Bridenstine refere que a Lua em breve abrigará meios de desenvolvimento de operações de mineração operados por robot e um pequeno mas crescente posto avançado humano, em parceria com o governo e privados. E tudo isto a realizar-se até 2028. E que essas operações com o auxílio do Gateway se deverão estender a Marte em seguida.

Tudo isto pode ser observado com o orçamento da NASA para o ano fiscal de 2020, com um aumento de cerca de 6% (correspondendo a um total de 21 mil milhões), e reflectindo-se já no plano recentemente anunciado pela NASA – Explore Moon to Mars. Este orçamento visa desenvolver a “espinhal dorsal” de exploração espacial da NASA em voos tripulados (que se encontrava em fase estacionária desde 2011), e que assenta no desenvolvimento do SLS – Sistema de Lançamento Espacial (um foguete lançador super-pesado), no módulo espacial Orion e no Gateway para dar apoio na exploração interplanetária (os primeiros módulos/componentes do Gateway – Lunar Orbital Platform estão agendados para ser lançados em 2022).

Estes objectivos serão apoiados pelo Lunar Commercial Payloads, programa de entrega de cargas na Lua (que começa já este ano), e será ainda acompanhado pelo lançamento do Telescópio Espacial James Webb.

Este ano de viragem coincide com 50º aniversário da Apollo 11, em Julho deste ano, e a NASA já tornou públicos o cronograma que vai gerir a sua actividade entre Lua e Marte, e até iniciou uma campanha de Marketing com posters.

Crédito: https://www.nasa.gov/specials/moon2mars/#posters

E portanto…

Estão actualmente a ser desenvolvidas e testadas pela NASA, no “Mars Yard” localizado no NASA’s Houston Space Center (Texas), protótipos que pretendem corporizar estas futuras operações, como por exemplo o Mars Rover.

Contudo a NASA não é a única agência a perseguir o objectivo Lua. Apesar de a 75 milhas de Flagstaff no isolamento do deserto do norte do Arizona, os Estudos de Tecnologia e Pesquisa do Deserto da NASA (Desert RATS), terem dedicado bastante tempo a desenvolver veículos e robots capazes de responder ás exigências da exploração espacial,  outras notícias vieram marcar a exploração espacial esta semana.

A Toyota e a JAXA, juntas para construir um rover lunar…

Esta terça-feira a Toyota anunciou que está a desenvolver um veículo off-road, para exploração da Lua. Só que ao contrário dos veículos espaciais da Nasa que os astronautas da Apollo usaram na superfície lunar na década de 1970, este veículo deverá ter uma cabine fechada e pressurizada.

“Os rovers tripulados e pressurizados serão um importante elemento de apoio à exploração lunar humana, que imaginamos que acontecerá nos anos 2030”, disse Koichi Wakata, vice-presidente da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA).

Em comunicado, a JAXA assumiu que este rover deverá ser lançado em 2029. O rover terá cerca de 20 pés de comprimento (6.1 metros) e 17 pés de largura (5.1 metros) e contará com uma cabine de 42.6 metros cúbicos, capaz de acomodar dois passageiros ou quatro em situação de emergência.

Este rover vai ser alimentado por tecnologia de célula de combustível, semelhante ao que é usado em alguns dos veículos terrestres da Toyota. As células de combustível funcionam com oxigénio e hidrogénio e emitem apenas vapor de água.

O rover será desenhado para que tenha um alcance de mais de 6.200 milhas ou 9.970 km, segundo a Toyota. Concretizando-se esta ambição tal como se espera, quando fazemos uma comparação com os veículos eléctricos pilotados por Gene Cernan e Jack Schmid, astronautas da Apollo 17, a comparação é avassaladora: em três saídas percorreram apenas 22,3 milhas (o que na altura bateu um recorde de distância). Bom, também passaram 47 anos, não é?

Lua Rover
Crédito: JAXA/TOYOTA

Segundo explicou Brent Garry, geólogo do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA em Greenbelt, um rover destes, pressurizado, funciona como um RV Lunar ou seja, as equipas podem trabalhar o dia todo e até dormir lá dentro, não tendo que regressar à base (como aconteceu com os astronautas da Apollo que tiveram sempre que regressar ao seu lander ou módulo de aterragem). Brent Garry sabe bem do que fala, uma vez que em 2009 passou 14 dias dentro de um rover desenhado pela NASA, na experiência Desert RATS.

Em 2015 foi estimado que a construção de um posto avançado na Lua custaria cerca de 150 mil milhões. Estas tecnologias que agora começam a emergir, bem como a capacidade de imprimir Habitats em 3D, vem transformar toda a lógica de colonização.

Do tamanho de África…

Bernard Foing, cientista da Agência Espacial Europeia e líder do conceito de base lunar “Moon Village” da Agência Espacial Europeia, pensa que no futuro será possível colonizar até um oitavo do espaço do “continente” lunar, uma vez que as dimensões da Lua são semelhantes às do continente africano. A baixa gravidade da lua e a proximidade com a Terra, juntamente com seus recursos naturais (como por exemplo água), tornam a Lua numa plataforma perfeita para missões em Marte e outros destinos do espaço profundo. De acordo com as investigações feitas pelas agências espaciais, as crateras permanentemente sombreadas do pólo sul lunar armazenam grandes depósitos de gelo, que podem em princípio ser derretidos para beber água, bem como usar a eletrólise para fornecer oxigénio aos astronautas e hidrogénio para usar como combustível de foguete.

A água também pode ser usada para irrigar culturas em estufas lunares. Um estudo de 2014 realizado por cientistas holandeses mostrou que cenouras e tomates podem crescer num solo semelhante ao solo rochoso e empoeirado (rególito) que cobre a lua.

O solo lunar ou rególito também pode ser útil como material de construção. A ESA usou no passado o solo lunar simulado para imprimir em 3D, um bloco de construção de 1,5 tonelada.

E por isso foi importante acontecer a Missão Hayabusa 2

Crédito:Kyodo/via REUTERS, na celebração do “touchdown” no asteróide Ryugu

Os estudos sobre o asteróide Ryugu revelam que este terá uma composição química de níquel, ferro, cobalto, água, nitrogénio, hidrogénio e amónia, mas o ideal é que se recolha uma amostra que possa retornar à Terra para análise, e que revele todos os segredos. E foi isso mesmo que a Hayabusa fez a 22 de Fevereiro.

Depois de pousar no asteróide Ryugu, disparou uma bala de tântalo (ver o vídeo), para recolher amostras de superfície levantadas pelo impacto.

E daqui a mais uns meses vai lançar um explosivo, que vai abrir uma cratera no asteróide Ryugu para revelar o seu núcleo.

E qual a importância disto? Efectivamente a Hayabusa 2 é a primeira missão de mineração de asteróides, e é por esta razão que queremos também colonizar a Lua: Para que sirva de posto avançado ou base de operações para lançar missões interplanetárias, e para que se possa proceder ao redirecionamento de asteróides. Tanto por razões de segurança (tal como está planeado pela missão DART, que planeia efectuar a sua primeira experiência em 2022), como também para os poder minerar no futuro e numa exploração lunar.

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