A Sarcos Robotics, líder global em sistemas robotizados anunciou no dia 18 de Março que ganhou um contrato do USSOCOM – Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos, para entregar uma versão de teste ou pré-produção do seu exoesqueleto robotizado de corpo inteiro Guardian ™ XO®.

Este exoesqueleto tem uma carga de bateria capaz de o tornar operacional durante um período de 8 horas, tendo a capacidade de fazer com que o seu utilizador consiga transportar cargas na ordem dos 90 kg, sem esforço. A Sarcos desenhou este exoesqueleto  para trabalhar de facto grandes cargas, na medida em que as suas baterias podem ser trocadas no terreno (a quente), aumentando por isso o seu tempo de operacionalidade.

Sarcos Robotics’ Guardian XO. (Creditos: Sarcos Robotics)

Não sendo para já muito rápido, o Guardian ™ XO® tem a capacidade de se deslocar a cerca de 3 km/hora, mas já interessou a Força Aérea dos EUA e a Marinha, talvez porque segundo a empresa o Guardian tem “a força de uma empilhadora, mas um toque mais suave”…

O Guardian ou “Guardian ™ XO®” exoesqueleto, é o resultado de 17 anos de esforços de desenvolvimento e mais de US $ 175 milhões investidos, para O transformar numa “extensão” segura, intuitiva e eficiente em termos de energia.

A Sarcos está sediada em Salt Lake City, Utah, tendo também aberto delegações em Seattle. Esta empresa destacou-se por ter angariado investidores interessantes como a Caterpillar, a GE Ventures, a Microsoft e a Schlumberger.

Segundo o Pentágono, o que se procura na tecnologia da Sarcos é avaliar para já a viabilidade do uso de exoesqueletos de corpo inteiro com vista a  “otimizar as operações de estaleiro”. Já no campo da Força Aérea, foi celebrado um contrato separado, assinado em Agosto de 2018 com vista à realização “aplicações logísticas”, sem mais explicações.

Nos EUA, também a Food and Drug Administration (FAA) aprovou um exoesqueleto da parte inferior do corpo, no ano passado, para uso de pessoas com deficiências nos membros inferiores.

Os Exoesqueletos vieram para ficar…

O conceito tem mais de um século. Foi um russo chamado Nicholas Yagin que em 1890 se lembrou de desenvolver um aparelho que usava “energia extra” através de sacos de ar comprimido. Só muitos anos depois em 1960, é que aparece o primeiro exoesqueleto digno desse nome. Este, foi desenvolvido pela General Electric e pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, e recebeu o nome de Hardiman. Este aparelho hidráulico, levantava 110 kg com a força de 4,5 kg e tinha um suporte eléctrico. Contudo o seu peso tornava-o impraticável – 680 Kg.

De facto, os primeiros  exoesqueletos humanóides foram desenvolvidos no Instituto Mihajlo Pupin em 1969, sob a orientação do Prof. Miomir Vukobratović. E mais tarde, em 1972 a Clínica Ortopédica de Belgrado desenvolveu um exoesqueleto para reabilitação de paraplégicos.

Hoje em dia conhecemos exoesqueletos como o Phoenix que permite a um paraplégico andar durante 4 horas de forma contínua, ou 8 horas de forma intermitente, a velocidade de meio-metro por segundo, e fazendo-se substituir às cadeiras de rodas.

Mas a principal aplicação dos exoesqueletos nem é médica, mas sim de apoio à produção em massa. Ou seja, estão já no mercado os seguintes modelos de exoesqueletos, para apoio à industria: ATOUN’s Power Assist ARM, Innophys’ Muscle Suit, Cyberdyne’s HAL for Labor Support, RB3D’s HERCULE, Sarcos Robotics’ Guardian XO and Noonee’s Chairless Chair.

O que nos reserva o futuro???

As grandes empresas começaram a olhar para os exoesqueletos, com mais atenção…

Em outubro de 2018, a Hyundai Motor Group anunciou que começaria a testar seu Hyundai Vest Exoskeleton (H-VEX). Esta tecnologia de exoesqueleto reduz a pressão no pescoço e nas costas dos trabalhadores, e já foi testada numa fábrica norte-americana da Hyundai-KIA. Além disso desde Agosto de 2017 que começou também a ser testado o Exoesqueleto Chairless da Hyundai (H-CEX), um dispositivo de sustentabilidade da articulação do joelho que mantém a posição sentada dos trabalhadores. De acordo com a Hyundai, os sistemas H-CEX e H-VEX são projetados para reduzir lesões e aumentar a eficiência do trabalhador.

Mas também a Ford se interessou pelos exoesqueletos. Após um programa piloto iniciado em Novembro de 2017 conjuntamente com a Ekso Bionics, a Ford anunciou em Agosto de 2018 que a empresa iria introduzir 75 dos exoesqueletos da parte superior do corpo em 15 fábricas de automóveis espalhadas pelo mundo. A ideia é reduzir as lesões pelo número de movimentos repetitivos que os trabalhadores têm que fazer na montagem de automóveis.

A BMW não ficou de fora da corrida aos exoesqueletos. Numa fábrica de montagem da BMW na Carolina do Sul está actualmente em utilização o exoesqueleto de corpo superior da Levitate Technologies. Os representantes da Levitate afirmam que o AIRFRAME reduz os níveis de esforço até 80% para tarefas que envolvem movimentos repetitivos do braço.

Outra grande marca juntou-se à corrida: a Lowe!

Em agosto de 2017, o Lowe’s Innovation Lab (LIL), começou a testar exoesqueletos sem energia ou “exosuits”.  E já estão a ser testados junto da sua equipa de funcionários, que usam os “exos” para levantar e mover repetidamente objetos pesados.

Ou a Panasonic, que além da sua conhecida linha de electrodomésticos e electrónica, começou a construir também exoesqueletos.

A tecnologia de exoesqueletos está no ponto de viragem… Qualquer dia poderemos ir a uma loja e comprar um exoesqueleto para nos ajudar a fazer desporto, ou a limpar a casa ou a ir às compras…

A adopção de exoesqueletos para que tenhamos força “sobre-humana” na vida profissional irá sem dúvida condicionar também a sua utilização doméstica. A evolução dos exosuits e dos exoesqueletos, é algo que do dia para a noite nos irá surpreender nas lojas!

 

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