sirius.research / Vkontakte

Sensivelmente a meio do mês de Março, cientistas norte-americanos e russos começaram a discutir a criação de um sistema de navegação global em torno da Lua. A ideia é criar um sistema semelhante ao GLONASS (russo) e GPS (norte-americano); Estes são os sistemas mais avançados, uma vez que o Galileo (europeu) e o Compass (chinês) ainda se encontram em fase de implementação.

Este entendimento foi reconhecido pelo vice-presidente da Academia Russa de Ciências (RAS) Yury Balega, após uma visita à sede da NASA a meio de Março:

“No âmbito do estudo do satélite natural da Terra, os colegas americanos sugeriram o desenvolvimento de um sistema de navegação em torno da Lua, semelhante ao GPS ou GLONASS, para que todos os participantes em projetos de exploração lunar possam usá-lo”, disse na altura Yuri Balega.

Esta combinação surge logo na sequência de a 12 de março, a Academia Russa de Ciências ter assinado um outro acordo com a Academia Nacional de Ciências dos EUA sobre cooperação na esfera de pesquisa científica, engenharia e medicina. Mais alargado, portanto!

Essa delegação do RAS teve também durante a visita outro interlocutor, neste caso o próprio presidente da RAS, Alexander Sergeyev, que juntou mais uns comentários interessantes:

“É muito importante que tenhamos concordado em realizar duas sessões de branstorming tanto sobre Vênus como sobre Lua em Moscovo. A sessão na Lua ocorrerá na primavera de 2020, e a de Vênus ainda no outono deste ano”.

Russia quer missão conjunta a Vénus

O lançamento de uma sonda interplanetária russa-americana (conjunta) a Vénus está a ser pensada para 2027.

“As janelas de lançamento em 2026, no final de 2027, em 2029 e 2031 estão a ser discutidas. Mesmo que o financiamento comece neste ano, estamos quase a perder a  primeira data, pelo que provavelmente será em 2027”, esclareceu aos Media russos a investigadora Lyudmila Zasova, do Instituto de Pesquisa Espacial da Academia Russa de Ciências.

E foi mais longe, acrescentando que os dois países (Rússia e EUA) já elaboraram inclusivamente os objetivos científicos do projeto, e que estão prontos para começar a desenvolver equipamento específico para esta missão.

“Estamos prontos para lançar a Fase A”, esclareceu Lyudmila Zasova, afirmando que o Japão e a Europa estão prontos para se unirem à missão russo-americana fornecendo seus equipamentos científicos, embora participem enquanto “organizações científicas separadas”.

Para o orbitador, o Japão oferece câmeras infravermelhas e ultravioletas, a Itália – dois espectrómetros de mapeamento, a Alemanha – uma câmera para observar a superfície no lado nocturno de Vénus (com infravermelhos), para detectar actividade térmica e vulcânica.

Pouco se sabe a mais alem disto, excepto que este programa será liderado em 70 ou 80% pela Rússia, que aliás quer lançar um “drone” (para competir com o Akatsuki???) nas camadas mais altas de Vénus para estudar a composição química da atmosfera. E marcando isso mesmo, esta missão (Venera-D) será lançada por um Angara-A5 a partir do Vostochny Space Center.

A importância do Eixo “Vénus-Lua-Marte”

A agressividade do Programa Espacial Chinês, ao desembarcar a Chang’e 4 no lado oculto da Lua através de um satélite de “relay” ou de retransmissão (o Qeqiao), está a condicionar os restantes programas espaciais.

Por esta razão, Sergeyev, Presidente da RAS, separou as várias metas. Não só é necessário expandir na direcção de Vénus (para o interior do sistema solar), como na direcção de Marte (no sentido em que nos afastamos do Sol), sendo estes os dois planetas mais próximos da Terra. Contudo nada será possível fazer sem criar uma sólida base de operações na Lua.

Assim explicou que se os americanos têm o seu “Portal do Espaço Profundo”, que será para construir nas “proximidades da Lua”, a ideia da Rússia é a de construir uma base na própria Lua. A diferença é que enquanto os americanos estão preocupados em ter o Gateway a funcionar até 2024, o cronograma dos russos é mais lento embora ambicioso: de acordo com um documento do TsNIIMash (Russian Central Research Institute of Machine Building), o objectivo é lançar uma missão à Lua em 2031 para realização de operações de preparação da colonização numa missão tripulada, a realização de uma segunda missão tripulada para entrega de um rover na Lua com vista ao suporte de operações, e em 2034 a construção de uma base lunar.

SIRIUS-19

Créditos: sirius.research / Vkontakte

Se não houver surpresas, a Rússia, os EUA e a China serão os únicos com missões planeadas para a Lua durante esta década. Claramente, até por causa da declarações mencionadas acima, a Rússia e os EUA estão absolutamente em parceria e a China corre sozinha.

Todos os dias temos notícias novas, como por exemplo que o Presidente Trump alojou 363 milhões de dólares para desenvolver um “grande lander lunar” para missões de carga e tripuladas, na Lua. Isto pelo menos do lado dos EUA…

Já a Rússia iniciou um estudo de isolamento denominado SIRIUS-19. Neste Habitat terrestre, potencial por realidade virtual, três homens e três mulheres, vão viver, trabalhar e realizar trabalho científico, isoladamente do resto do mundo durante um período de 4 meses.

Através desta experiência de VR, os voluntários irão atracar na estação espacial, pousar na Lua e até mesmo realizar alguns passeios lunares.

O objetivo deste projecto conjunto, a cargo do Programa de Pesquisa Humana (HRP) da Nasa e do Instituto de Problemas Biomédicos da Rússia é testar os riscos psicológicos do  isolamento a longo prazo, para medir os níveis de stress, regulação hormonal, imunidade e sono.

Este estudo pretende preparar as missões que vão ser lançadas a partir de 2031.

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Rodas reconfiguráveis já existem, e podem ser boas para outros planetas.