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Um robot que simula o comportamento animal (Tombot)

Um cão robot que pode ajudar a prestar cuidados emocionais a pessoas impossibilitadas de terem animais. A reconstrução do caminhar de um animal pré-histórico feita através de um mecanismo robótico que simula hipóteses sobre o seu andar. O escritor Phillip K. Dick perguntou se sonharão os andróides com carneiros elétricos no livro que viria a dar origem a Blade Runner, clássico do cinema de Ficção Científica realizado por Ridley Scott. Estes animais-robot mostram que hoje, somos nós que sonhamos com animais elétricos.

Simular para Conhecer ou Melhorar a Qualidade de Vida

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Usar robots para terapia emocional (Tombot).

Ter um robot simulacro como animal de estimação pode-nos parecer repulsivo. No entanto, em contextos muito específicos, a investigação mostra que uma companhia robótica que mimetiza alguns comportamentos animais pode ser muito benéfica. Não se tratam de cenários do tipo do mundo futurista de Blade Runner, quer do livro quer do filme, em que os animais robóticos eram a alternativa perante a extinção generalizada provocada, no livro, pela radiação, e no filme pela poluição.

Os robots que mimetizam animais têm dado provas em contextos de cuidados paliativos, terapias psicológicas e geriatria. Afagar um robot felpudo com desenhado com ar simpático nunca será o mesmo que interagir com a vivacidade de um animal real. No entanto, para aqueles que por razões graves de saúde não podem assumir as responsabilidades de tomar conta de um animal, por incapacidade fisiológica temporária ou permanente, estes robots asseguram um enorme apoio emocional.

Simular para Descobrir

As capacidades de simulação trazidas pelos robots, quer na sua programação quer nos mecanismos de movimento, também encontram utilidade inesperada noutros domínios. Como, por exemplo, o da paleontologia. Nesta área científica, os investigadores estão a começar a utilizar robots para formular hipóteses sobre a forma como os animais pré-históricos andavam.

Tombot Puppy: Um Cão Robot Mais Felpudo do que um Aibo

À distância, quase se confunde com um cão real. Os movimentos são um pouco sincopados. Mas o aspeto geral e o rosto são muito semelhantes aos dos nossos companheiros caninos. O Tombot Puppy tem um aspeto de um cão rafeiro. Desperta nos seus utilizadores os sentimentos de carinho e proteção que geralmente são evocados por um animal real. Ainda não está à venda, mas tendo ultrapassado o seu objetivo de financiamento no Kickstarter, as perspetivas são promissoras.

Concebido com auxílio dos especialistas em animatrónica da Jim Henson’s Creature Shop, o Tombot Puppy surpreende pelo seu ar realista. Parece quase ser um cão verdadeiro, e é esse o objetivo dos seus criadores. No entanto, este nível de realismo não visa substituir os animais reais. Este robot é o mais recente exemplo do uso da robótica aplicada à terapêutica médica e psicológica. As aplicações destes mecanismos de aspeto fofo destinam-se a idosos ou pacientes com demência ou outras doenças degenerativas. Trazem alguns dos benefícios emocionais de ter um animal de estimação, sem as tarefas e responsabilidades que lhes estão associadas. Redução de stress, apoio emocional e sentimento de carinho são algumas das vertentes terapêuticas destes mecanismos.

Se isto soa chocante, é de notar que um idoso ou paciente acamado teria enormes dificuldades em cuidar de um animal. Este cão-robot é a mais recente adição aos dispositivos de robótica afetiva. Talvez o seu mas conhecido exemplo é o Paro, foca robótica criada para aliviar as problemáticas de doentes com alzheimer. Os seus estudos de utilização revelaram que os seus utilizadores criaram laços empáticos com eles. Algo que já se sabia desde que os donos dos Aibo, os primeiros cão-robot de aspeto intencionalmente artificiais criados pela Sony, começaram a criar santuários em memória do seus robots avariados.

Um Robot Verdadeiramente Pré-Histórico

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Registo fóssil do Orobates pabsti, que serviu de base à reconstrução robótica (Thomas Martens/Museum der Natur Gotha).

Como é que os animais extintos no passado se locomoviam? Os investigadores não dispõem de muitas pistas para além de vestígios de esqueletos e traços fossilizados dos seus passos. É suficiente para iniciar investigações e conjeturas, e a robótica pode dar uma ajuda nisso. É o caso do trabalho desenvolvido por uma equipa de investigadores da École Polytechnique Fédérale de Lausanne na Suíça. Cruzando análise de fósseis com algoritmos e robots, conseguiram determinar uma hipótese viável sobre a forma como uma criatura pré-histórica se movia. E, para isso, construíram um robot que simulava as várias formas possíveis de locomoção.

Orobot, o Robot Pré-Histórico

O Orobot, desenvolvido pelo especialista em biorobótica Kamilo Melo e o paleontólogo Stuart Sumida, destina-se a investigar a forma como o Orobates pabsti se deslocava. Esta criatura foi uma das primeiras a viver na superfície da terra, há cerca de 280 milhões de anos atrás. Compreender a forma como se deslocava ajuda os cientistas a conhecer melhor a evolução dos anfíbios aos seres actuais. E. também, perceber como evoluiu o andar em posturas progressivamente bípedes. Esta criatura de aspeto reptiliano é de facto um antepassado comum aos répteis, pássaros e mamíferos.

Conhecê-la melhor é compreender melhor a nossa evolução. Para perceber como o Orobates pabsti se poderia ter movido, os cientistas combinaram várias formas de análise. Analisaram a forma de locomoção de alguns répteis actuais que se assemelham ao antepassado pré-histórico. Analisaram rastos de pegadas, esqueletos fossilizados e construíram modelos físicos e virtuais. Usando um robot que simula a forma de andar desta criatura, isolando 512 possíveis formas de se locomover. Se é difícil perceber exatamente qual seria a forma de andar da criatura, é possível gerar hipóteses de locomoção antevendo eficácia de deslocação e gasto de energia. Os investigadores sublinham que esta técnica pode ser aplicada a outros animais pré-históricos. A robótica contribui para uma compreensão mais profunda da evolução das espécies.

***Aceite o nosso convite e leia o artigo SEER: Um Robot Capaz de Mostrar Emoções, Cujo Olhar Nos Segue. Ou clique em baixo para saber mais!

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.