Para responder a esta pergunta vejamos antes de mais as declarações de ontem proferidas pelo Primeiro-Ministro indiano Narendra Modi, sobre a Missão Shakti: “A Índia é agora uma grande potência espacial”. (…) A Índia conseguiu um grande feito hoje”.

Este feito que tanto orgulha o Governo indiano, a Missão Shakti, diz respeito a um teste de  uma arma anti-satélite terrestre (ASAT),  contra um satélite em órbita baixa da Terra (a uma altitude de 300 Km). O teste foi bem sucedido e atingiu o seu alvo apenas 3 minutos após o lançamento, destruindo-o.

Este teste balístico contudo aumentou as preocupações com segurança espacial das rotas de saída da atmosfera porque criou ainda mais detritos orbitais, cujo efeito foi apenas aquilo que já mencionámos no anterior artigo “A crise dos satélites e o Síndrome de Kessler“.

Contudo a India parece não ter ficado preocupada com a questão dos detritos em órbita, e inclusivamente fez um anúncio do sucesso deste teste via televisão, tal como está mencionado no vídeo seguinte:

De acordo com uma declaração do Ministério das Relações Exteriores da Índia, o míssil foi lançado do complexo de lançamento do Dr. A P J Abdul Kalam Island, na parte nordeste do país, e não foi identificado qual o satélite atingido. Contudo os Media indianos especularam que se tivesse tratado do Microsat-R, lançado em janeiro, ou o Microsat-TD, lançado um ano antes. Em concreto, o Microsat-R estaria numa órbita de 262 a 280 Km, enquanto o Microsat-TD estaria entre os 353 e os 361 Km.

De uma maneira ou de outra, em principio o satélite teria sido lançado com o objectivo de vir a ser alvo de um teste balístico no futuro.

E depois houve alguma conversa inútil em torno deste evento

O governo indiano afirmou no seu comunicado que este teste foi projectado para minimizar o número de detritos de vida longa: “O teste foi feito na baixa atmosfera para garantir que não haja detritos espaciais. Quaisquer detritos que sejam gerados irão cair de volta na Terra dentro de semanas”, afirmação essa que é quase impossível de avaliar.

A questão que aqui é de facto relevante, é que a Índia entrou agora para um clube… O clube dos países com ASAT (arma terrestre anti-satélite) operacional ou seja, Estados Unidos, Rússia, China e agora Índia. E mais: o Primeiro-ministro fez este anúncio duas semanas antes das eleições nacionais, estando aliás a ser investigado pela comissão de eleições ou seja, terá alegadamente visto este teste com propósitos eleitoralistas (quando na realidade deveria ver o contrário, pelo problema que está a criar).

Por outro lado, já em Fevereiro a Defense Intelligence Agency destacou os esforços da China e da Rússia para desenvolver capacidades ASAT, incluindo mísseis terrestres e outras tecnologias como o laser, sendo que nenhum destes países realizou qualquer tipo de testes desde que em 2007 a China destruiu um dos seus satélites, gerando uma grande quantidade de detritos espaciais.

Já os EUA foram obrigados a destruir um dos seus satélites em 2008, por este ter avariado e conter substâncias altamente tóxicas que se colidissem com a Terra causariam uma catástrofe. Esse “teste” forçado de destruição do satélite USA 193, usou uma versão modificada do míssil SM-3, baseado num navio,  e ficou conhecido como Operation Burnt Frost.

A coincidência…

Certamente sem ter por base qualquer tipo de informação privilegiada dos serviços de Intelligence dos EUA (ironia), e apenas por mera coincidência, até porque os serviços de rastreamento dos EUA devem preocupar-se com tudo, menos com ASAT de outras potências mundiais e concorrentes no Espaço (ironia), Mike Pence, Vice do EUA veio a público falar sobre Espaço.

Nessas declarações, a 26 de Março, o Vice-Presidente Mike Pence mandatou a NASA para colocar os astronautas na superfície lunar até 2024, quatro anos antes do planeado anteriormente. Essa urgência é necessária para salvaguardar a liderança e o domínio do país no espaço, disse na altura Pence.

“Os Estados Unidos devem permanecer em primeiro lugar no espaço neste século como no último, não apenas para impulsionar a nossa economia e assegurar nossa nação, mas acima de tudo, porque as regras e valores do espaço, como toda grande fronteira, serão escritos por aqueles que tenham a coragem de chegar primeiro e o compromisso de ficar”. Isto mesmo foi afirmado pelo Vice-Presidente durante a quinta reunião do Conselho Nacional do Espaço, a que ele preside.

O administrador da Nasa, Jim Bridenstine, expressou então confiança na meta para 2024, chamando-a de “viável”. O mesmo aconteceu com a empresa aeroespacial Lockheed Martin, a principal empreiteira do módulo Orion, a cápsula da tripulação que os astronautas da NASA terão que utilizar para chegar à Lua.

Se a Lua é a próxima etapa, os EUA destacam-se… Talvez…

Quando Mike Pence diz aterrar na Lua, outras etapas estão incluídas… Para que se consiga pousar na Lua, a Orion tem que usar uma base de apoio como o Gateway (um Portal nos Espaço Cis-Lunar, que deverá substituir a Internacional Space Station). E este Portal começa a ser construído em 2022.

E tem que usar o Gateway, porque os astronautas vão para ficar: para fazer aterrar um rover, que permita começar a construir uma base de operações na Lua.

“Esta abordagem (a de Mike Pence) oferece uma capacidade de aterrissagem, com tecnologia reutilizável que também estabelece as bases para uma futura presença humana expandida e sustentável na Lua”, disse Lisa Callahan, vice-presidente e administradora comercial da Lockheed Martin Space. “Este é um cronograma agressivo, mas realizável e pode ser o catalisador para ajudar a impulsionar uma nova era de exploração humana da Lua, Marte e além.”

Em resumo, quem se estabelecer primeiro na Lua, terá a preponderância na exploração comercial do Espaço (Mineração de Asteróides, missões tripuladas a Marte, etc). Missões tripuladas à Lua, agora, são para lá ficar! Para colonizar a Lua.

Esse é o objectivo dos EUA, e o cronograma de Pence, embora agressivo, é realizável. Pelo menos é o que dizem os parceiros da NASA.

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Rússia e EUA unidos na corrida à Lua e a Vénus