Impressão 3D Defesa
Limpeza de capacete de Guarda Suíça impresso em PVC (Swissinfo)

Falar de impressão 3D nas indústrias da defesa invoca visões futuristas de complexos sistemas de combate impressos em 3D. Por excitantes que sejam estes conceitos, ignoram que as mais importantes valências das tecnologias de manufatura aditiva se encontram ao nível da infraestrutura. Os elementos manufaturados com impressão 3D permitem ganhos de eficiência que se traduzem em objetos tecnológicos mais robustos e baratos. Construção naval, aeronáutica, e até o renovar de antigas tradições castrenses são algumas das formas em que a impressão 3D mostra as suas aplicações militares.

Impressão 3D Na Indústria Pesada de Defesa Americana

Impressão 3D Defesa
Junta de sistema de vapor impressa em 3D (Huntington Ingalls)

As tecnologias de manufatura aditiva estão a fazer sentir o seu potencial nas tecnologias militares. A Huntington Ingalls, construtora naval norte-americana, anunciou recentemente que peças impressas em 3D vão estar a uso no porta-aviões Harry S. Truman. O componente a ser instalado faz parte de um sistema tubular para vapor. Foi testado com provas funcionais e ambientais, avaliando a sua resistência dos materiais no ambiente exigente das operações militares navais. Os testes deste componente são mais um passo dado pelo construtor no sentido de integrar tecnologias de manufatura aditiva nos seus processos industriais. Os seus estaleiros já contam com diversas impressoras 3D.  Está também a desenvolver métodos de fabricação de componentes capazes de se enquadrar nos requisitos operacionais específicos de navios movidos a propulsão nuclear. Esta tecnologia obriga a especial exigência em termos de fiabilidade e segurança.

Esta estratégia de introdução de tecnologias 3D em ambiente militar não é unicamente seguida pelas indústrias. Os próprios militares têm experimentado extensivamente com o uso de impressão 3D nos teatros de operações. Uma unidade de logísticas dos fuzileiros americanos esteve recentemente em destaque por ter impresso em 3D um componente do caça de última geração F-35. Uma peça pequena, parte integrante do trem de aterragem, cuja substituição em caso de avaria se orçaria em 70000 dólares e se traduziria na imobilização da aeronave durante o processo de aquisição e instalação da peça. Imprimir em 3D o componente reduziu custos, e acelerou o regresso da aeronave ao estado operacional.

A Indústria Naval Europeia Adapta-se

Impressão 3D Defesa
Lâmina propulsora impressa em 3D (Naval Group)

Na Europa, o potencial da manufatura aditiva na indústria pesada também não está a passar despercebido às empresas na área da defesa. Recentemente, o estaleiro francês Naval Group juntou esforços à escola de engenharia Central Nantes. O seu objetivo é de utilizar impressão 3D para fabricar hélices propulsoras de navios. Os seu engenheiros utilizaram impressão 3D por fundição em arco para imprimir um modelo à escala, em aço inoxidável. O processo durou cerca de cem horas, resultando numa peça com 300 kg. Esta está a ser testada para verificar resistiºencia à corrosão e fadiga de materiais, bem como as suas propriedades hidrodinâmicas.

Usando esta tecnologia, será possível aos construtores navais aplicar novos métodos de fabricação de peças com geometria complexa. Aproveitando as valências da impressão 3D, melhoram a eficiência da fabricação, diminuem custos com materiais e aproveitam as especificidades da tecnologia para criar geometrias mais arrojadas.

O construtor naval alemão ThyssenKrupp também decidiu investir no uso destas tecnologia. Para já vai investigar a produção e validação de peças impressas em 3D. Planeia testar a aplicação desta tecnologia à construção de em submarinos, incluindo o seu modelo mais recente, o Type 218SG. A empresa alemã juntou-se à agência de ciência, tecnologia e defesa de Singapura para explorar o potencial da manufatura aditiva na construção naval.

Aliviar A Venerável Guarda Suíça

Impressão 3D Defesa
Digitalização de capacete tradicional da Guarda Suíça (Swissinfo)

Chega do Vaticano aquele que talvez seja o mais inesperado exemplo de uso de impressão 3D nos contextos da defesa. Os capacetes do uniforme típico da Guarda Suíça, o corpo militar de proteção papal, vão ser substituídos. O objetivo é trocar os tradicionais capacetes de metal por novos modelos impressos em 3D.

Se este corpo militar é famoso pela forma como adere à tradição, o uso destes novos capacetes não a quebra. Foram modelados a partir da digitalização de capacetes da guarda suíça criados no século XVI. Cada um demora dezasseis horas a imprimir, o que representa um ganho. São necessárias cento e cinquenta para produzir os tradicionais. fabricados por artesãos especializados. Mas o maior ganho para os soldados é de conforto. Com os novos capacetes impressos em PVC, os soldados da guarda suíça suportam menos peso na cabeça, e resistem melhor ao calor. O quente sol romano e capacetes em metal não são a melhor das combinações. Graças à impressão 3D, os soldados da Guarda Suíça podem desempenhar o seu papel com mais conforto.

Fontes: 3D Printing Industry.

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FONTE3D Printing Industry
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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.