Mars Helicopter
Laboratório de Propulsão a Jacto / Caltech

Em Maio de 2018 a NASA anunciou que iria lançar em Marte um helicóptero miniatura, não-tripulado e integrando a Missão Mars 2020, porque esse aparelho iria mostrar-nos Marte com uma perspectiva completamente diferente daquela a que estamos habituados.

Este projecto é conhecido simplesmente como o “Mars Helicopter” e é o mais frágil aparelho lançado até hoje em Marte. Pesa 1.8 Kg e a sua fuselagem ou parte principal onde encerra por exemplo o motor, é do tamanho de uma bola de futebol. E por ser tão pequeno, será transportado debaixo da “barriga” do rover Mars 2020, rover esse que tem como missão procurar sinais de vida antiga em Marte, avaliar os recursos existentes no planeta vermelho e determinar eventuais riscos para os colonizadores no futuro.

E também é uma questão de orgulho americano, numa altura tão competitiva como é a actual corrida ao Espaço: “A NASA tem uma orgulhosa história de firsts”, afirmou Jim Bridenstine, administrador da NASA, no comunicado de Maio de 2018. E afirma-o, porque este será o primeiro engenho voador num planeta que não a Terra.

Voar noutro mundo…

O “Mars Helicopter” deve ser mesmo um helicóptero do outro mundo, porque apesar de ter o tamanho de um drone, é resultado de um longo processo que começou em agosto de 2013, a cabo do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA.

Segundo Mimi Aung, chefe de missão do Mars Helicopter, isso deve-se ao facto de o record de altitude de um helicóptero a voar na Terra ser de cerca de 40.000 pés ou 12.100 metros; Como a atmosfera de Marte é apenas 1% da atmosfera da Terra, na prática quando o Mars Helicopter estiver na superfície marciana, já estará a voar ao equivalente na Terra de 30.500 metros ou 100.000 pés de altitude…

Para vencer este desafio, os engenheiros da NASA construíram duas lâminas “contra-rotação” para permitir ao helicóptero sobreviver na fina atmosfera de Marte, algo que fará a quase 3.000 rpm, cerca de 10 vezes mais aquilo que em média um helicóptero necessitaria na Terra.

Para gastar tanta energia o Mars Helicopter está equipado com “células solares para carregar as suas baterias de lítio e um mecanismo que gera calor para mantê-lo aquecido nas frias noites de Marte”.

Serão os controladores na Terra que vão operar o helicóptero, estando já previsto um primeiro voo que exige uma breve subida vertical de 10 pés (três metros), seguida por um minuto e meio no ar.

A NASAN considera este engenho como uma “demonstração tecnológica de alto risco e alta recompensa”, uma vez que este helicóptero pode aceder a zonas impossíveis aos rovers marcianos. É aliás por isso que vai dar-nos outro tipo de perspectiva, uma vez que filmando vamos poder fazer uma ideia do que se pode ver em Marte estando no topo das elevações naturais. Um “perspectiva panorâmica” segundo Thomas Zurbuchen, Director Científico desta Missão da NASA.

Os Testes do Mars Helicopter

Sabe-se que antes do final de Janeiro de 2019, a totalidade das peças que compõem o Mars Helicopter foram postas à prova, em testes de qualidade e resistência. São mais de 1.500 peças individuais de fibra de carbono, silício, cobre, alumínio e espuma que entram neste Marscopter. E são peças de precisão de voo!

Também foram feitos testes/demonstrações, para avaliar se o Marscopter poderia resistir às frias temperaturas de Marte, incluindo aquelas que se registam durante a noite ou seja -90 graus Celsius.

Sabe-se por declarações de Mimi Aung responsável pelo projeto do “Mars helicóptero” no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, que foram feitos no passado testes de cerca de 75 minutos de voo com um protótipo de helicóptero de testes. Contudo agora, os testes realizados usaram o helicóptero que vai efectivamente voar em Marte.

Para realizar esses testes que recriam a atmosfera de Marte e a sua temperatura, está a ser utilizado um Space Simulator no JPL, que tem 7, 62 metros de largura.

Crédito: NASA/JPL-Caltech

Essa câmara fria de vácuo foi desenhada para literalmente “sugar” todos os gases dentro dela, fazendo-os substituir por dióxido de carbono, que é o principal ingrediente da atmosfera marciana. No entanto estes testes não são completamente fidedignos tal como explicou Teddy Tzanetos, uma vez que “para realmente simular voar em Marte, precisamos tirar dois terços da gravidade da Terra, porque a gravidade de Marte é muito mais fraca.”

Para imitar a gravidade a equipa da NASA acoplou um cabo motorizado, para exercer sensivelmente a mesma força de 2/3 que a gravidade provocaria.

Agora, concluídos todos os testes a conclusão é inevitável: “Da próxima vez que voarmos, voamos em Marte”, disse Mimi Aung, responsável do Marscopter.

A missão do Mars Helicopter será lançada conjuntamente com o rover Mars 2020, a bordo de um foguete lançador Atlas Vault da United Launch Alliance, em Julho de 2020, e a partir do Space Launch Complex 41 na Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida. Se tudo correr bem como se espera, chegará a Marte em fevereiro de 2021.

 

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