50 anos depois de Neil Armstrong e Edwin “Buzz” Aldrin pousarem na superfície da Lua, este corpo celeste que é pela sua proximidade um satélite natural da Terra, continua a ser um mistério… Durante meio século abandonou-se a ideia de tentar colonizar a Lua e fazer desta uma “estação de serviço” para minerar materiais raros e lançar missões interplanetárias. Mas de repente tudo se precipitou: foi anunciado um Loop da Lua (levando turistas) com a Starship de Elon Musk em 2023 e Mike Pence estabeleceu a meta de 2024, para lançar uma missão tripulada à Lua, desta vez para ficar, começando a construção de uma base.

Viajar entre a Lua e o Gateway…

Crédito: NASA

Quando a NASA solicitou na semana passada o início de missões tripuladas à Lua até 2024, muitos entenderam isso era como o “fim anunciado” do projeto Gateway. Este, foi pensado  pela NASA para substituir a ISS e se afirmar como um portal no espaço cis-lunar (entre a Terra e a Lua), para servir de base de operações para construir e abastecer foguetes em órbita.

Mas Gateway e 2024 para os analistas parece ser incompatível, pois não há fundos para financiar os dois projectos simultaneamente.

Mas no dia em que Mike Pence anunciou a nova meta para a conquista da Lua, o “ir para ficar”, William H. Gerstenmaier, Administrador Associado da área de Exploração Humana e Operações na NASA, explicou também que de facto uma base lunar não substitui o Gateway, na medida em que os principais parceiros da NASA, onde incluímos a Rússia, Europa, Japão e Canadá, só pretendem lançar missões tripuladas à Lua se puderem ter uma estação de apoio a caminho da Lua, o que é o mesmo que dizer que só irão se existir o Gateway.

E se os 4 módulos iniciais do Gateway estão em estado de desenvolvimento avançado (a ideia é começar a construção do Gateway daqui a um ano), em substituição dos 16 módulos actuais da International Space Station (Estação Espacial Internacional), o problema principal prende-se com o desenvolvimento de uma sonda que possa acoplar no Gateway, e fazer viagens entre o Gateway e a superfície da Lua, pousando. Ora este conjunto de critérios não é fácil de reivindicar por nenhum projecto actual.

De momento a capsula Orion não está preparada para ser “reutilizável” em viagens entre a Lua e o Gateway, pelo que a NASA começou já a estudar outro tipo de sondas. Também a Lockheed Martin iniciou novos projectos de sondas lunares que possam acoplar-se ao Gateway e aterrar na Lua. E por várias razões, como por exemplo o facto de se saber já que a sonda Orion da NASA não foi desenhada para ter propelente suficiente para despachar um módulo lunar compacto para a superfície da Lua. Ou seja, a Orion, não é apta para dar inicio a uma colonização, ou por outras palavras, à construção de uma base.

Ora o timming apressado que foi dado por Mike Pence a 26 de Março, durante o 5º Encontro do Conselho Nacional do Espaço ao qual o próprio preside, deixou a sensação de este cronograma efectivamente se tratar de um golpe publicitário com contornos eleitoralistas (pelo menos foi neste sentido que lhe apontaram o dedo).

Para alguns dos especialistas internacionais, para que se consiga cumprir a meta de 2024, seria preciso abandonar temporariamente o desenvolvimento de projectos como o Gateway, e concentrar-se completamente no foguete SLS Moon e no veículo tripulado Orion.

A NASA e os parceiros do Gateway

O receio dos parceiros da NASA (Rússia, Europa, Japão e Canadá) em lançar uma missão tripulada à Lua, prende-se com a gravidade deste corpo celeste. Ou seja, o tronco de propulsão do módulo Orion é menor do que o módulo de serviço da Apollo XI, que levou os primeiros astronautas à Lua. Numa palavra, não foi desenhado para pousar!

E isto deve-se essencialmente ao facto de a Orion ter sido projectada para manobrar muito mais longe da lua, onde sua atração gravitacional é mais fraca e requer menos propelente, e nesta altura tentar redesenhar a Orion para pousar na Lua, levaria anos…

Depois há outro problema: O Lunar Gateway da NASA entretanto tornou-se “internacional”. Um dos parceiros da NASA, o Canadá, comprometeu-se em colaborar com 1.4 mil milhões de dólares americanos ao longo de 24 anos, com vista ao desenvolvimento e manutenção do Gateway, justamente porque será a “estação de serviço” que permitirá colonizar a Lua.

E para prover a essa manutenção, o Canadá junta-lhe o Canadarm3, um braço robótico que permite fazer reparações no Gateway, à semelhança do Canadarm2 que ajudou a construir a Estação Espacial Internacional.

Também é curioso ver as declarações do Administrador da NASA, Jim Bridenstine, no comunicado que fez à Imprensa sobre a parceria com o Canadá: “A conquista tecnológica do Canadá como parte do posto lunar da Gateway fará parte da criação da espinha dorsal vital para parcerias comerciais e outras parcerias internacionais para chegar à Lua e, eventualmente, a Marte. Estamos entusiasmados em trabalhar com o Canadá na próxima geração robotizada (do Canadarm), para ajudar a realizar missões incríveis no posto lunar da Gateway e colaborar para o nosso futuro na superfície lunar e no espaço profundo.”

Em resumo, descartar o Gateway não é de todo opção! O próprio Jim Bridenstine afirmou que: “O que o Gateway faz é permitir-nos chegar a mais partes da Lua, do que antes”.

Mas que fossem estas as únicas questões… É que é suposto o Gateway substituir a Estação Espacial Internacional antes de 2024. Ora se descartar o Gateway não é opção, também não é opção desenvolver em 5 anos o SLS Moon e redesenhar o módulo Orion, para poder entregar o rover reutilizável na Lua. Se o caminho passasse pelo desenvolvimento autónomo da NASA (SLS Moon + “revamp” da Orion), a meta jamais seria possível! Talvez nem em 2028…

A Starship da SpaceX

Segundo Elon Musk a Starship foi feita para entregar 100 humanos e carga, em Marte e supostamente pode carregar 150 toneladas de carga útil.

Logo após o anúncio feito pelo Vice-Presidente Mike Pence, Elon Musk resolveu fazer o primeiro teste dos motores da Starship (e correu bem!).

E depois há um namoro que Elon Musk de forma inteligente, vai fazendo à NASA. Antes mesmo da Administração Trump pedir à NASA a meta de 2024, já Elon Musk tinha anunciado (com um mês de antecedência) que a Starship seria boa para iniciar a colonização da Lua e construir uma base lunar

Aliás a 12 de Fevereiro de 2019, na World Agriculture Expo, o Administrador da NASA afirmou que já nem sequer é política da NASA (apesar do SLS – Space Launch Systeam – o foguete lançador da NASA ainda estar a ser desenvolvido), ser proprietária dos foguetes ou veículos lançadores. Que para isso, conta com parcerias como com a SpaceX e a Boeing, para “levar os astronautas até à Estação Espacial Internacional, até à Lua e eventualmente até Marte”. Ver  a partir do minuto 9:50 no vídeo seguinte:

A conclusão é portanto óbvia: existe uma enorme probabilidade da SpaceX fazer muito em breve uma “Team Up” com a NASA, viabilizando assim a meta de 2024 da Administração Trump. Isto claro se o Loop de 2023 correr bem…

Até porque se correr bem em 2023, que desculpa tem Trump para não cumprir a meta de 2024???

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LOP-G Gateway: O primeiro passo para colonizar a Lua foi ontem