Gosto de Isaac Asimov! É um dos meus prazeres intelectuais, mas também um nome a cair em desuso e quase só do conhecimento dos “Space Geeks”! Mas sem lamentos, indo ao que interessa: Isaak Yudavich Azimov, natural de Petrovichi na Rússia, uma aldeia localizada a cerca de 400 km a sudoeste de Moscovo e a 16 km da fronteira com a Bielorrússia. Asimov nasceu em data incerta, entre 4 de Outubro de 1919 e 2 de Janeiro de 1920 na sua aldeia, e morreu em Brooklyn a 6 de Abril de 1992. Bioquímico e escritor, entregou-se à ficção científica e à divulgação científica.

Destaca-se na genealidade e por ter sido um prolífico escritor: em vida assinou cerca de 500 volumes e aproximadamente 90 000 cartas ou postais. O seu legado no Espaço é indiscutível e por isso mesmo em 1981, um asteróide recebeu o nome de 5020 Asimov.

Também o robot ASIMO da Honda faz uma homenagem discreta a Asimov, aproveitando o trocadilho com o japonês que significa “também com pernas” (ashi mo), uma vez que é um robot humanóide.

Asimov e o conto “Reason”…

Isaac Asimov é considerado um dos três grandes da Ficção Científica mundial, juntamente com Arthur C. Clarke e Robert Heinlein, e destacou-se principalmente pela trilogia da Fundação. Muitos atribuem-lhe também o crédito pelo brilhante filme “I Robot”, embora não tenha sido escrito por ele. De facto Asimov escreveu um livro chamado “I, Robot”, que aliás era um conjunto de contos, mas não esta história em particular. Contudo o filme incorporou vários elementos de outra obra de Asimov intitulada “The Caves of Steel” (1954).

Não é contudo nenhum destes que nos interessa, mas sim uma “short story” que escreveu em Abril de 1941, com o título de “Reason”. Este conto teve possivelmente tanto sucesso porque foi sucessivamente publicado em várias colectâneas de contos de Asimov como “Astounding Science Fiction” (em 1950), “The Complete Robot” (1982), e no “Robot Visions” (1990), mas também por ser o segundo conto sobre “Positronic Robots”.

Este (“Positronic Robots”) é um conceito que foi inventado por Asimov sendo puramente ficcional (ou não tivesse sido escrito em 1941), e dizendo respeito a uma unidade chamada  Positronic Brain, que funcionaria como uma CPU (Central Processing Unit). O nome de Positronic foi adaptado na altura que se descobriu a partícula “positrão” (ou anti-electrão).

O engenho seria composto por mecanismos feitos em platina e iridium, sendo que a particularidade deste cérebro ou CPU, seria a capacidade da Inteligência Artificial ganhar uma consciência – o que do ponto de vista técnico implica ter uma memória “volátil”, o que é impossível a uma máquina.

Esta consciência seria concretizada e viabilizada pelas 3 Leis da Robótica: 1- Um robot não pode ferir um ser humano, ou passivamente deixar que lhe aconteça mal. 2- Um robot deve obedecer às ordens dadas por um ser humano, excepto se essas ordens estiverem em conflito com a Primeira Lei. 3- Um robot deve proteger a sua existência, a menos que essa protecção entre em conflito com a Primeira ou Segunda Lei.

As conclusões de Isaac Asimov continuam a ser discutidas hoje, como se pode ver nesta brilhante explicação do Professor Michio Kaku:

E Asimov desenvolveu outro conceito bem mais possível!

Atribui-se a Isaac Asimov a ideia da proeminência de projectos espaciais baseados na energia solar, nomeadamente porque os descreveu no conto “Reason” em 1941.

Nessa altura esta ideia era completamente inovadora, embora hoje em dia já se pratique, uma vez que tanto a Estação Espacial Internacional como os satélites, utilizam a energia solar para resolver as suas necessidades energéticas.

Uma empresa percebeu a importância disto…

John Mankins teve uma carreira de 25 anos na NASA e no Laboratório de Propulsão a Jacto da CalTech, durante as décadas de 1990 e 2000, tendo tido a supervisão do grupo de Pesquisa e Tecnologia de Sistemas de Exploração, gerindo US $ 800 milhões. Durante a sua carreira desenvolveu vários conceitos para ampliar o uso da energia solar no espaço, entre eles um veículo de transporte interplanetário alimentado por energia solar, e um sistema de energia espacial.

Actualmente formou a sua empresa aeroespacial privada, a Artemis Innovation Management Solutions que tem o objectivo de fornecer eletricidade ao planeta Terra, irradiando-a a partir do espaço…

China e EUA na corrida pela Lua… E por energia no Espaço!

No que diz respeito ao Programa Espacial Chinês, naquilo que se conhece, está contemplado o lançamento de projetos de energia solar de pequeno e médio porte na estratosfera, com o objectivo de gerar eletricidade. Esta primeira fase deverá decorrer entre 2021 e 2025. Pretendem também lançar uma estação de energia solar baseada no Espaço, com o objectivo de gerar pelo menos um megawatt de electricidade (a título inicial). Mas há também a intenção de construir uma central eléctrica no Espaço antes de 2050.

Segundo Mankins, este interesse anunciado da China vai gerar interesse internacional, e ele acha que a China deverá atingir o seu objectivo antes de 2030. É aliás por isso que formou a sua empresa, o que significa também que energia solar vinda directamente do Espaço é já uma “questão de mercado”, porque estão “players” posicionados!

Os japoneses da Shimizu Corp, já andavam a pensar nisto…

A Shimizu Corp revelou em 2013 uma proposta que envolve a construção de uma matriz de painéis solares em redor do Equador da lua, enviando a energia colectada para a Terra. Os investigadores da Shimizu Corp chamam a esse projecto LUNA RING.

Este projecto foi pensado após o Tsunami de 2011, que levou ao encerramento de algumas centrais nucleares do Japão. Dessa forma começou a pensar-se como seria possível gerar outras formas de energia, tendo-se imaginado que esta poderia começar a chegar directamente do céu.

Utilizando a superficie da Lua, construindo uma faixa de cimento por robots operados a partir da Terra, onde posteriormente seriam instalados paneis solares… Esta faixa deveria localizar-se no Equador da Lua, compreendendo uma largura de 250 milhas ou 400 Km.

Na altura em que a Shimizu tornou os seus planos “públicos”, a empresa afirmou que poderia começar a construir em 2035, e que conseguiria enviar para a Terra 13.000 TeraWatts de energia, através de um sistema composto de Laser e Microondas.

A referir apenas que a Shimizu nunca abordou a temática dos custos… Nem podia, pois uma medida desta envergadura só seria possível após a colonização da Lua… Não seria possível fazê-lo a partir da Terra, porque os custos seriam verdadeiramente incomportáveis…

EUA com um pé fora, e um pé dentro…

A NASA através de um Porta-Voz assumiu que não está actualmente interessada em estudar energia solar baseada no Espaço para ser utilizada na Terra, porque está a explorar alternativas que lhe permitam uma “exploração de longa duração” na Lua e em Marte, como por exemplo o projecto Kilopower.

Espera-se aliás que as primeiras demonstrações do Kilopower no Espaço sejam já em 2020 ou 2021. Contudo um grupo informal da Caltech tem estado a negociar um protótipo para captar e retransmitir energia a partir do Espaço. Esse projecto foi financiado pela Northrop Grumman (o principal empreiteiro da NASA) em 17.5 milhões.

E porque a tendência gera interesse internacional, também a JAXA (agência Espacial do Japão) começou a desenvolver o Space Solar Power Systems (SSPS).

Mas aquilo que se espera é que seja a China a surpreender. E se o fizer torna-se líder mundial no campo energético, o que desequilibra definitivamente o muito frágil equilíbrio de forças no Espaço…

Captar energia solar no Espaço e devolvê-la á Terra é definitivamente o Futuro, nem sequer há muitas alternativas a isto. Façamo-lo em órbita ou a partir da própria Lua, mas iremos começar a fazê-lo em breve. Por outras palavras, aguardamos a concretização da visão Isaac Asimov, visão essa que mudará para sempre a história da Humanidade!

***Aceite a sugestão do Bit2geek e clique em baixo para saber mais:

O projecto da “Lua artificial” da China e a Terraformação de Marte