A tradição foi iniciada por Buzz Aldrin a bordo da Apollo 11, e a história é bizarra. Antes de Armstrong e Aldrin saírem do módulo lunar em 20 de Julho de 1969, Aldrin abriu uma pequena vasilha de plástico com vinho e pegou num pouco de pão. Estas espécies tinham sido fornecidas em específico para esta missão á Lua pela igreja presbiteriana de Webster, perto de Houston, que Aldrin frequentava. Não funcionando com as regras da Igreja Católica, Aldrin teve que pedir a permissão da assembleia geral da igreja presbiteriana para administrar a comunhão a si próprio.

O relato desta “comunhão abafada” (ao mundo) foi contado no livro de Aldrin, Magnificent Desolation, onde ele conta como decorreu o diálogo com a NASA, a quem também teve que pedir a autorização. “Eu gostaria de pedir alguns momentos de silêncio … e convidar cada pessoa a ouvir, onde e quem quer que esteja, a parar por um momento e contemplar os acontecimentos das últimas horas, agradecendo à sua maneira”, e em seguida ingeriu as espécies “consagradas” (sem explicar o que estava a fazer)!

Numa edição da revista Guideposts em 1970, Aldrin descreve: “Eu coloquei o vinho no cálice que a nossa igreja me tinha dado. Na sexta gravidade da lua, o vinho enrolou-se lenta e graciosamente para o lado. Foi interessante pensar que o primeiro líquido derramado na lua e o primeiro alimento ali consumido foram os elementos da comunhão”.

Homelink: Reforçando a ligação humana à Terra, para quem viaja no Espaço

Para acompanhar este ritual, Aldrin leu também um texto do Evangelho de João. Durante esta cerimónia Neil Armstrong, alegadamente crente mas não praticante, terá assistido respeitosamente mas sem fazer nenhum comentário.

Esta cerimónia não era para ter sido secreta. De facto Aldrin tinha planeado originalmente divulgar este evento pelo mundo inteiro, explicando pela rádio exactamente o que estava a acontecer. Mas acabou por não o fazer, uma vez que na altura a NASA tinha sido recentemente alvo de um processo mediático por Madalyn Murray O’Hair, a mediática militante do ateísmo norte-americano.

De facto, após a tripulação da Apollo XI ter lido em órbita a parte inicial da Bíblia, em concreto o relato da Criação que faz parte do início do Livro do Génesis, O’Hair moveu uma acção no sentido de proibir que os astronautas da Nasa praticassem a religião seja na Terra, no espaço ou “ao redor e sobre a lua”, enquanto estivessem em serviço. O’Hair acreditava que essa acção violava a separação constitucional entre igreja e estado.

O’Hair e o ateísmo…

Por esta razão em Magnificent Desolation, Aldrin explica como o astronauta Deke Slayton, que estava no comando das operações de voo da Apollo 11, disse a Aldrin para ele “reduzir” o comunicado lunar, para não levantar problemas. “Vá em frente e faça a comunhão, mas mantenha os seus comentários o mais gerais possível”.

Embora os processos de O’Hair tenham fracassado, a igreja Webster Presbyterian transformou-se no “lar espiritual” de muitos astronautas. E a comunhão de Aldrin na Lua ainda é celebrado todos os meses de Julho, tendo ficado  conhecido como Domingo da Comunhão Lunar. Em concreto a pastora residente, Helen DeLeon, afirma que por esta altura todos os anos passam o filme de Aldrin e recitam o Salmo 8. Mais do que uma cerimónia de Fé, Judy Allton, geóloga e historiadora ligada também à Igreja Webster Presbyterian, produziu um artigo que foi posteriormente apresentado numa conferência da Nasa, onde argumenta que a comunhão pode vir a ser uma parte essencial das futuras viagens espaciais tripuladas, até porque “reforçam o homelink”.

Contudo a NASA nunca mais voltou a ser a mesma, tanto que se levarmos em linha de conta outras mensagens que foram transmitidas no Espaço, podemos por exemplo ver a música Reach for the Stars, do cantor “Will.I.Am” e que foi retransmitida a partir do Rover Curiosity em Marte. Possivelmente uma mensagem com muito menos significado “humano”:

4 Pines Brewing, para levar a “festa” a ambientes extraterrestres…

Só que, ao contrário das declarações religiosas, o aspecto cerimonial do “álcool” no Espaço não passou despercebido. Logo após a formação da Agência Espacial Australiana, uma empresa cervejeira a “4 Pines Brewing” fez uma parceria com a empresa de engenharia Saber Astronautics Australia, para desenvolver uma cerveja forte, chamada Vostok Space Beer. E porque é uma cerveja para o Espaço, actualmente a empresa cervejeira está também a colaborar no sentido de projectar um novo tipo de garrafa, que vai ter acoplada uma espécie de palhinha para beber.

Ainda está em testes… Sabemos que a cerveja é menos gaseificada do que o normal, para evitar desgraças a bordo de uma nave/estação espacial, mas o suficiente para que a bebida  tenha gosto e sensação de “cerveja”. E sabe-se que será cerveja Stout ou preta.

A ideia não é completamente nova… A bordo da Estação Espacial Internacional, cientistas russos (Anheuser-Busch) realizaram experiências para averiguar se seria possível ter cevada a crescer e desenvolver-se no Espaço… Por enquanto é possível que esta Stout 4 Pines não venha a ter muita saída no Espaço e sim na Terra, até porque apesar dos testes continuarem, os astronautas da NASA por exemplo, estão proibidos de beber (e provavelmente de todas as nações)…

Mas, e beber noutro planeta??? Por exemplo em Marte???

A década de 2020 está a dar sinais de ser bastante ambiciosa na área das possibilidades de exploração espacial. Uma agência espacial, a Agência de Investigação Espacial da Geórgia, estão presentemente a tentar desenvolver uma forma de produzir vinho em Marte.

De facto não é tanto pelo vinho em si, mas pelo tipo de culturas que no futuro podemos vir a querer fazer em Marte. Com esta agência está a colaborar Tusia Garibashvili, fundadora da Space Farms que explica que num futuro distante, os colonos marcianos poderão cultivar plantas diretamente em solo marciano, pelo que tem sentido agora começar a perceber como.

Em primeiro lugar pensam que será possível usar pelo menos um tipo de bactéria de fontes sulfurosas (existentes em Marte) para converter o solo marciano em nutrientes. Além disso descobriu-se que a uva Rkatsiteli é bastante resistente à radiação ultravioleta extrema de Marte… Esta uva produz vinho branco, pelo que vinho branco pelo menos, iremos ter em Marte!

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