Depois do incêndio ter sido extinto começa a pensar-se em soluções… É a fase dos “especialistas”, como informou o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Paris, o tenente-coronel Gabriel Plus.

Para além de se estar a investigar e examinar que movimentos o fogo terá provocado nas estruturas, ainda não se sabe com toda a certeza se as paredes de pedra aguentaram o calor e se estão completamente estáveis. Todos os esforços vão agora no sentido de se perceber de que forma vai a estrutura resistir.

A Reuters informou que os bombeiros e as autoridades no local fizeram todos os esforços no sentido de retirar os artefactos com valor histórico e religioso da Catedral, e felizmente grande parte do espólio sobreviveu. Principalmente a Coroa de Espinhos que podia ser vista e venerada todas as primeiras sextas-feiras do mês, bem como a Túnica de São Luís. Enquanto a Coroa de Espinhos, que terá sido recuperada no século IV em Jerusalém, e que se acredita que contenha restos da coroa original usada por Cristo, a Túnica de São Luís foi usada pelo rei de França Luís IX (São Luís), quando este morreu numa cruzada na Argélia. Ambas estão agora em segurança, segundo as últimas informações.

Há contudo casos mais dramáticos: alguns quadros com mais de 400 anos ficaram danificados (pensa-se que não por acção directa do fogo, mas sim pelo fumo). E o órgão que sobreviveu à Revolução Francesa pode ter ficado danificado pela água que foi usada para extinguir o incêndio.

François Guillot /AFP

Fazendo um balanço, 10% das obras foram destruídas pelo fogo, tal como reconheceu Maxime Cumunel, Secretária-geral para o Observatório da Herança Religiosa de França.

O incêndio que consumiu Notre Dame começou por volta das 18:50 locais (17:50 em Lisboa), ontem dia 15, e espalhou-se por todo o telhado, ocupando uma área de 1.000 metros quadrados. O valor até agora estimado para a reconstrução de Notre Dame ascende  aos 600 milhões de euros. Até à data da catástrofe, todos os anos visitavam a Catedral de Notre Dame cerca de treze milhões de pessoas.

Reconstrução: Próximo passo é receber os arquivos de Andrew Tallon

Um historiador de arte de 46 anos, Andrew Tallon, fez um longo e meticuloso estudo sobre Notre Dame no passado, usando tecnologia laser para tentar perceber todos os detalhes desta requintada construção. Esses registos ficaram guardados num arquivo digital em 2015, e estão agora portanto à disposição dos especialistas.

Para se reconstruir Notre Dame é preciso “pistas” sobre a estrutura rebuscada, e agora destruída, do anterior edifício. Dessas pistas é suposto posteriormente fornecer um modelo aos especialistas, que siga o anterior padrão num “encaixe” perfeito (que não é fácil). Sabe-se muito pouco sobre a forma como foi construída Notre Dame. Ficou para a História que foi encomenda do Bispo de Paris, Maurice de Sully, por volta de 1160, mas os arquivos relativos á sua construção foram perdidos com o tempo.

É complexo, porque este edifício tem uma dose considerável de mobilidade, por causa do aquecimento do Sol na sua enorme face. É por isso que se tornou essencial perceber quais são os pontos de sustentação do edifício e que foram planeados com métodos arcaicos.

Créditos: Andrew Tallon, Vassar College

Ora o trabalho de Andrew Tallon, as 3D Clouds dos edifícios góticos (entre os quais Notre Dame), registou mais de mil milhões de pontos de dados sobre a estrutura e sustentação de Notre Dame, o que é notável uma vez que foram utilizados apenas cordas e réguas, lápis e fios-de-prumo para a construir.

Em 2015 ficaram registados pontos ou dados a partir de mais de 50 locais (dentro e fora da Catedral), nestes scans 3d Cloud. Cada varredura a laser, feita a partir de um tripé, “varre a zona em todas as direcções”, e quando atinge uma superfície volta para trás efectuando o registo dos dados “recolhidos”. E com isto faz-se aquilo que se chama de “fotografia digital” do edifício, uma vez que a totalidade dos pixels se agrupam num instantâneo semelhante ao que vemos na imagem de cima.

Se a varredura do laser tiver sido precisa, tudo estará no “lugar certo”, com uma margem de erro de 5 milímetros, tal como explicou na altura Andrew Tallon à Nat Geo.

Esta Catedral começou a ser construída em 1163 e acabou em 1345 (182 anos ou quase dois séculos). Vamos ver agora quanto tempo vai demorar a ser reconstruída, com tecnologia do século XXI.

 

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