Primeira foto de um buraco negro (Event Horizon Telescope Collaboration).

Esta semana, entre outras leituras, recordamos o Windows 3.1 e artefatos da história da internet. Apaixonamo-nos por projetos fotográficos, e descobrimos que um avião pode ser mais rápido do que as balas. Mas, claro, a grande novidade do momento são as espantosas imagens que, pela primeira vez na história, nos mostram como é, realmente, um buraco negro supermassivo.

A Ciência é Awesome

Working together as a “virtual telescope,” observatories around the world produce first direct images of a black hole: É a imagem da semana, ponto. É tão awesome poder viver numa era em que a ciência e tecnologia nos maravilham regularmente com novos conhecimentos, novas ideias. Pela primeira vez, conseguiu-se captar imagens diretas de um buraco negro. Foi tornado possível graças ao trabalho do Event Horizon Telescope, que conseguiu perscrutar o buraco negro supermassivo no cerne da galáxia Messier 87. A ler, ao som dos Muse e Supermassive Black Hole.

Scientists Discover Exotic New Patterns of Synchronization: As matemáticas complexas que encontram padrões sistemáticos nos fenómenos que nos parecem totalmente aleatórios.

Viagens na Memória da Tecnologia

Interface do Windows 3.1. Recordam-se?

Happy 27th birthday to Windows 3.1: Ah, memórias. Recordo o meu primeiro computador, que arrancava para um ecrã negro a pedir um prompt, e escrever win para arrancar o Windows 3.1.

Tomorrow’s Telephone and The Leisure Society That Never Arrived: É sempre divertido ler estas recordações dos futurismos do passado. Estamos a viver no futuro deles, e não se parece, e não se parece nada com o que eles imaginaram. Leisure society? Digamos antes era da precarização, em que trabalhamos mais, e a visão da automação nos enche de horror precisamente porque tememos a visão de um futuro sem trabalho.

50 años desde la publicación del primer RFC: Li sobre isto no livro Where Wizards Stay Up Late: The Origins of the Internet, de Katie Hafner e Mathew Lyon. O que me surpreendeu na sua origem foi a informalidade daquilo que se viria a tornar um padrão no desenvolvimento de tecnologia. Este é. verdadeiramente, um artefacto da origem da internet.

Desenhar no computador, em gloriosos tons de cinzento.

Is MacPaint the Most Underrated form of Outsider Art?: Pessoalmente, sou mais uma windows person do que mac guy, mas devo dizer que é fascinante perceber que numa era de perfeição digital e gráficos de alta resolução, a estética low rez daquele que foi o primeiro programa de edição de imagem digital, ainda continua a ser explorada.

Memórias da Cultura

Detalhes da exposição How To Disappear Completely no Festival Contacto.

How to Disappear Completely: Tive uma passagem rápida pelo Festival Contacto, e por isso pouco tempo para aproveitar o evento. Mas fiquei fascinado pela exposição da fotógrafa Fátima Abreu Ferreira. Uma série de fotos onde a realidade se dissolve em abstração.

Shostakovich, My Grandfather, and the Chimes of Novorossiysk: Uma história deliciosa sobre a amizade improvável entre um grande compositor e um autarca nos tempos repressivos da União Soviética, unidos pelo amor à música. Um dos maiores compositores do século XX, Shostakovich sempre teve uma relação incómoda com o poder soviético (o que, nos tempos estalinistas, era potencialmente fatal). O autarca, para além do amor à música e ser responsável por uma encomenda de peça curta para colocar num monumento à II Guerra, também acabou por ter uma relação complexa com as cúpulas. Uma história de duas pessoas entre a música e a história dos grandes movimentos tectónicos do século XX, com champanhe à mistura.

Uma surpresa nos finalistas do prémio livro do ano Bertrand: Esperem, um prémio literário generalista do mainstream cultural português elegeu um livro de ficção científica como livro do ano? A minh’alma está parva… até ver que se trata de Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, uma obra já tão clássica que os que normalmente desdenham a FC lhe prestam atenção.

Little Hours From An Old Life: Warren Ellis recorda duas das suas influências formativas, as séries Cosmos de Carl Sagan e Connections de James Burke. Também sou daqueles que tem na série de Sagan (e, posteriormente, no livro) uma das referências formativas no pensamento, na forma de encarar o mundo. Já Connections descobri mais tarde, como uma coluna imperdível na revista Scientific American. Ficava sempre surpreendido pela erudição, e pelas ligações inesperadas que Burke fazia entre cientistas e investigações.

Surpresas da Tecnologia

Researchers Find New Victim of ‘Triton’ Malware, Which Can Physically Damage Critical Infrastructure: Quando o software pode causar danos físicos. Quando falamos de ciberataques, pensamos em danos intangíveis, mas quando o ataque tem como alvo controladores de elementos físicos, as consequências podem ser ainda mais críticas.

Dutch F-16 Hit By Own Bullet During Mission At The Firing Range: Acho que só há um comentário possível a isto… faster than a speeding bullet? Confesso que não sabia que era possível a um caça ultrapassar em voo as próprias balas que dispara.

Teens ‘not damaged by screen time’, study finds: Esperem, então, em que é que ficamos? Qualquer psicólogo pop escreve livros e artigos a apontar que os ecrãs são o novo grande mal da juventude. O que não falta por aí são artigos com estudos a referir os efeitos catastróficos dos telemóveis e tablets e computadores em tudo o que diz respeito aos jovens, da postura física à fibra moral. Só que… talvez não seja bem assim. Talvez the kids will be allright, e o que para nós parece uma intrusão, porque não crescemos com estas tecnologias, seja o novo normal. Tudo o que este novo estudo vindo de Oxford faz é analisar a literatura, e não encontrar uma correlação entre a observação e as visões catastrofistas veículadas pelos media. E para quem lida com estes temas, isto não é novidade. Há um livro muito interessante, It’s Complicated de Danah Boyd, que analisa estas questões a partir de entrevistas etnográficas com adolescentes. E deparou com o mesmo padrão, de integração, normalização, e equilíbrio entre vida e tecnologia que este estudo também observa.

Air Force moving closer to AI piloted jets as SkyBorg takes to the skies: Espera, SkyBorg, disseram? Sabendo que é um protótipo de drone de combate com inteligência artificial, isto soa algo arrepiante, como a ideia de um certo filme influente sobre robots exterminadores implacáveis.

The first research book written by an AI could lead to on-demand papers: E antes que comecem a enregelar, temendo que até a ciência não está imune à automação, reparem que esta IA, o que fez, foi um dos trabalhos mais tediosos e onde é fácil a um investigador perder referências: uma revisão de literatura.

El texto de Carl Sagan en el que 20 años atrás anticipaba el debate sobre redes sociales y fake news: E, sincronismos, por cá vivemos no rescaldo de mais um questionável debate televisivo que colocou charlatães das medicinas alternativas a debater com médicos e cientistas (espreitem o SciMed para ver o fallout e ver como a coisa correu mal). Como se o rigor da ciência estivesse ao mesmo nível das mezinhas e patetices esotéricas. Mas talvez o texto de Sagan não seja assim tão presciente. Talvez a vontade de acreditar no falso, na reza em vez da terapia, na mezinha em vez do medicamento, na acupunctura em vez da cirurgia, seja algo que está demasiado arreigado na nossa consciência coletiva.

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