O que veio à rede esta semana? Uma futura exposição de Arte Generativa, que esperemos que chegue ao MAAT. Dicas técnicas sobre edição de imagem. Cinema muito, muito clássico de Ficção Científica e Horror. As edições portuguesas de Dylan Dog, personagem maior do fumetti que está, finalmente, a chegar aos leitores portugueses. Bunker architecture em ruínas na Albânia. Estéticas retro de contornos psicadélicos. E a grande tristeza que foi a perda para o património cultural global com o incêndio da Catedral de Notre Dame. Mas as sugestões de leitura desta semana não se esgotam por aqui. Convidamo-vos a descobrir as Capturas na Rede desta semana em que comemorámos os quarenta e cinco anos sobre a revolução dos cravos.

Arte e Computação

Giving Generative Art Its Due: Notas de uma exposição temática sobre arte algorítmica, que reúne trabalhos de artistas que utilizam algoritmos para criar expressão artística. Mete-se com inteligência artificial e programação, faz um panorama da história deste género artístico, e mostra aqueles que hoje o praticam. A mostrar que o computador pode, e é, um meio de expressão artística com reflexões estéticas profundas. Daquelas exposições que eu dava a alma para poder ver. Ir a Zurique não está nos meus planos de viagem, talvez o MAAT a traga cá.

How to Use Curves in Photoshop: Descobri de raspão, há alguns anos atrás, o que era isto das curvas e para que serviam, e nunca mais usei outra ferramenta para editar imagens. Normalmente, uma curva em S é o que se precisa para dar profundidade às fotos digitais. Este artigo explora exaustivamente a ferramenta curvas.

Most Tech Today Would be Frivolous to Ancient Scientists: As tecnologias antigas, um tema que me fascina cada vez mais. Sem entrar por vertentes de mistérios e ocultismos, apenas o saber científico, técnico e mecânico da antiguidade, que se perdeu ou do qual só nos restam vestígios por fontes terciárias.

Comics e Ficção Científica

Found Art: Artwork on the Walls of Environments in Comic Books (Spaceship Art 1951): Uma ideia gira. E que tal começar à procura de vinhetas que contenham pinturas em comics retrofuturistas?

Dylan Dog regressa a Portugal em dose dupla: João Lameiras fala-nos dos dois volumes que trazem histórias deste personagem (fabuloso, incrível, adorável, IMHO de fã) da Bonelli aos leitores portugueses.

8 Silent Films Every Sci-Fi and Horror Fan Should See: Do Metropolis a Voyage dans la Lune, estão cá os suspeitos do costume. Incrivelmente, ainda não vi nem o Haxan nem o Aelita, embora quanto a este, tenha lido o livro. Descobri-o num alfarrabista, numa edição publicada por cá nos finais do Estado Novo. O censor devia ser bastante burro para deixar passar uma obra com claras referências à vontade revolucionária soviete.

Dylan Dog, O Velho que Lê e Até que a Morte Vos Separe – G.Floy: É bom ver que a comunidade de leitores portugueses se está a render a Dylan Dog. Da recensão, saliento que o leitor apreciou muito A Pequena Biblioteca de Babel, aquela que também considero uma das pérolas de Sclavi. É, de resto, no texto da recensão, o único momento em que se percebe que quem a escreveu realmente leu os livros. O texto passa muito tempo a explicar-se sobre a tardia descoberta de Dylan Dog e nada diz em termos críticos sobre as obras.

Sabrina de Nick Dranso – Porto Editora: Suspeito que este seja um daqueles livros a não perder, daqueles que demonstra a maturidade dos comics enquanto género de exploração literária. Algo que os fãs já há muito sabem que o é, claro.

TELEVOX: THE PAST’S ROBOT OF THE FUTURE: Talvez a mais divertida novidade desta visita ao Televox, um robot criado em 1927 pela Westinghouse, é que ao contrário do que as fotos retro-futuristas fazem parecer, aquilo era um mecanismo com silhuetas em cartão. E só isso, já era o suficiente para colocar quem o via a sonhar com o futuro.

Star Wars: The Rise of Skywalker – Teaser: Bem, quanto a isso de ser o fim da saga, tal como anunciado no trailer, vai ser preciso esperar para ver se o filme terá sucesso. Se for um flop, como a recente história do jovem Han Solo, que levou a Disney a perceber que, se calhar, estava a exagerar na forma como decidiu ordenhar o universo Star Wars, termina. Se não, certamente que haverão muitos mais filmes a continuar a saga. Quanto ao filme em si, há que esperar pelo natal para o ver. E eu, que tenho em Star Wars um dos meus prazeres culposos, irei a arrastar-me para o cinema, murmurando star wars não é ficção científica, star wars não é ficção científica, mas sentindo que é impossível ceder à tentação infantil, de aventura e sense of wonder destes filmes. Mas Star Wars não é ficção científica, e o que irrita os conhecedores do género é o efeito detrimental que estes filmes têm na visão sobre o que é a FC.

Traços de Hipermodernidade

So in Albania, the Number of Abandoned Bunkers is Kind of a Problem: Isto é bunker architecture gone wild (conhecedores de Paul Virilio percebem a piada). Nos anos 60, o ditador comunista de linha mais dura que a soviética Enver Hoxha encheu a Albânia de bunkers para combater possíveis invasões. Décadas depois, com a queda do regime, estes montes de cimento armado tornaram-se um problema de ecologia urbana.

A Soda Company’s Long Obsession With Outer Space: Recentemente, publicitários ligados à Pepsi lembraram-se de uma ideia idiota, que só iria aumentar a poluição espacial: criar uma constelação de microsatélites que funcionasse como um anúncio em órbita, visível da Terra. É o tipo de visão que se adequa a uma space opera cyberpunk. Felizmente, mentes mais inteligentes prevaleceram. No entanto, é curioso notar que tem havido uma relação entre a empresa que fabrica bebidas que sabem a coca cola mas não são coca cola, e o espaço. Esquemas para colocar anúncios em órbita já são antigos, e chegaram a desenvolver um sistema para se beber bebidas gaseificadas no espaço, que a NASA e os astronautas testaram, mas não aprovaram.

The Hidden Shipping and Handling Behind That Black-Hole Picture: Ou, as complicações logísticas que se colocam quando o volume de dados ultrapassa largamente a capacidade das conexões de internet. Fascinante, a ideia que resultados de observações têm de esperar meses para sair de observatórios na Antártida em discos rígidos, com riscos de perda pelas mais variadas razões.

Behind Every Robot Is a Human: É o segredo das aparentes proezas da Inteligência Artificial. Os exércitos de humanos empregues a etiquetar imagens e sons, afinando os dados dos quais os algoritmos de IA que temos hoje dependem.

After the Fire: Photos From Inside Notre-Dame Cathedral: Que perda para o património cultural global.

A Brief History of Mars Missions: Uma listagem histórica das missões a Marte.

STRATOLAUNCH AIRCRAFT MAKES 1ST FLIGHT: Quase nem dava por esta, apesar das imagens deste avião gigante andarem por vários feeds. Talvez porque seja um projeto conhecido por quem se interessa por aeronáutica e espaço. Confesso que pensava que já voava. Mas não, o primeiro voo foi esta semana. Tornou-se o maior avião do mundo a voar (pronto, os Antonov AN-225 foram destronados). Mais interessante do que isso, é ter sido concebido e construído pela Scaled Composites. Explica o design pouco convencional da aeronave, que servirá para lançar foguetões a partir da estratoesfera.

Tracking Phones, Google Is a Dragnet for the Police: Ou, quando o histórico de localizações se torna algo mais sinistro do que a partilha de informações para alimentar as IA da Google. É de notar que os dados privados não são partilhados pela Google com as forças policiais. O que lhes é entregue são dados agregados que lhes permitem traçar padrões de movimento que depois ajudam a indiciar suspeitos. O problema é que este processo não é sempre fiável.

Retrofuturismos

Phantom Living: Ibiza’s ‘Instant City’, 1971: Onde diabos é que o We Are The Mutants vai descobrir estas coisas? Uma visita a um alojamento temporário criado para um congresso de arquitetos com nome cinzentão, mas pelos vistos a puxar muito ao psicadelismo.


Soviet Visuals: A página da rede social azul dedicada ao estilo retro soviético partilhou ilustrações para uma edição russa de Fahrenheit 451 de Ray Bradbury. São deslumbrantes, capturam na perfeição o modernismo futurista do livro. Tal como Truffaut o fez no seu filme homónimo, mas aqui, a visão é mais elegante, mais longe do frio modernismo neo-brutalista do filme francês. O pormenor surpreendente é descobrir que Bradbury, e este livro que é um hino à literatura, liberdade individual, e das obras mais anti-totalitárias da literatura do século XX, teve uma tradução russa nos tempos do decididamente nada democrático regime soviético.

The Bad Hustle Porn Narrative: Ou, porque é que a narrativa da eterna corrida, do dar sempre o seu melhor, tem custos. Mas Ellis também nos aconselha a procurar outros caminhos: “You, reader, do not have to do it like me. There are more ways of doing art and work than there are flowers under the sun. Pick the one that works for you. Live well and make great things in the method that suits you best. You don’t have to ruin yourself trying to fit into the stated processes of idiots like me who write on the internet to break up their days”. Certo, caro Warren Ellis. Mas não há outra hipótese. Se temos algo a dizer. Se a nossa mente está constantemente em ebulição. Mesmo tendo os desafios de um emprego exigente a tempo inteiro, conjugados com outros desafios porque, confesso, a vida seria menos interessante sem impressoras 3D nem robots. É carregar na cafeína, teína ou outra substância aditiva de propriedades acelerantes à escolha. Fazer o que sentimos que temos a fazer, e esperar que a fatura posterior não seja demasiado pesada.

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