DARPA
Robots Astrobee (NASA)

*Este artigo foi publicado ontem no Sapo24

Os robots estão a chegar a todo o lado. Já nos habituámos à sua presença no nosso dia a dia, entre máquinas industriais, veículos autónomos, drones, ou brinquedos educativos, citando alguns dos usos mais visíveis destas tecnologias. E a exploração espacial usa extensivamente robótica para levar a ciência humana ao sistema solar, com os seus mais famosos rovers na superfície marciana. Mas não vamos tão longe. Neste artigo, olhamos para dois projetos de robótica com localizações geográficas muito específicas. Um, incentivado pela DARPA, olha para os mundos subterrâneos. Outro, da NASA, leva pequenos robots para a Estação Espacial Internacional. Este artigo foi originalmente publicado no Sapo 24, no dia 3 de maio. 

Aposta da DARPA na Robótica Subterrânea

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Cenários do Subterranean Challenge (DARPA)

A próxima fronteira da robótica são os mundos subterrâneos. Pelo menos, é essa a visão da DARPA. A agência governamental americana, especializada em estimular pesquisa em tecnologias exóticas e de vanguarda, lançou recentemente uma nova competição. Chama-se DARPA Subterranean Challenge e conta com nove equipas que irão investigar tecnologias de robótica e automação que funcionem em cenários subterrâneos. Terão de desenvolver equipamentos capazes de intervir em cenários imprevisíveis, em três diferentes tipos de ambientes: sistemas urbanos, como esgotos ou infraestruturas, redes de túneis e cavernas naturais. Cada equipa terá de superar uma série de desafios em provas localizadas, até ao culminar do concurso numa prova final que combinará estes três tipos de ambientes.

As provas não estão especificadas, mas envolvem o mapeamento e recuperação de objetos e pessoas em zonas subterrâneas. A pontuação final das equipas baseia-se no número de artefatos que recuperarem. Isto significa que os participantes terão de desenvolver robots capazes de se adaptarem aos diferentes ambientes subterrâneos, operando com diferentes níveis de autonomia. A DARPA é concisa nos parâmetros do concurso. Os robots têm de ser capazes de se deslocar em ambientes de navegação complexa, em condições de degradação de sistemas de sensores. Terão de ser capazes de resolver problemas de mobilidade provocados por obstáculos e adaptar-se a situações dinâmicas de instabilidade de terreno. Espera-se o desenvolvimento de robots que incluam sistemas de autonomia, perceção, funcionamento em rede e mobilidade múltipla.

DARPA, Na Vanguarda da Investigação

Um desafio grande, que se inicia agora e culminará em 2020. Há incentivos diretos, na ordem de milhões de dólares, para as equipas envolvidas. Mas o maior incentivo será a capacidade de desenvolvimento de sistemas robóticos autónomos para uso subterrâneo.  São tecnologias com potencial em salvamento, gestão de infraestruturas, arquitetura e gestão municipal, entre outros campos possíveis.

As competições da DARPA têm um forte histórico de faísca no desenvolvimento de novas tecnologias de robótica autónoma. Em 2004 lançaram o seu primeiro Grand Challenge, estimulando desenvolvimento de carros robóticos. Nesse ano, nenhum veículo terminou o desafio. Poucos anos depois, as tecnologias de autonomia de veículos estão suficientemente amadurecidas para que os carros de produção incorporem sistemas autónomos, e se discute seriamente a possibilidade da existência de veículos sem condutor nas estradas. O Subterranean Challenge é mais uma aposta de longo prazo desta agência governamental americana

Os Companheiros Robóticos dos Astronautas

DARPA
Robots Astrobee (NASA)

Chamam-se Honey e Bumblebee, e são os mais recentes companheiros dos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional. Apesar do seu pequeno tamanho e nome fofinho, estes dois robots são potentes e versáteis máquinas. Foram oncebidos para aliviar a carga de trabalho dos tripulantes da ISS. Os Astrobee são robots multifunções de formato cúbico, concebidos para se deslocarem livremente em microgravidade. Entre os seus atuadores contam-se pequenos braços robóticos, que os tornam capazes de efetuar pequenas operações na estação.

Desenvolvidos pelo centro de pesquisa Ames da NASA, estes robots contam com um elevado grau de autonomia. Deslocam-se como drones, utilizando uma ventoinha e bocais de propulsão ajustáveis que lhes dão uma enorme agilidade em microgravidade. Os seus braços foram concebidos para manipular as cargas modulares de ciência da estação. Com ajuda dos braços, podem ainda filmar o seu interior. Para humanizar um pouco aquilo que são robots com aspeto de cubo voador, os Astrobee contam com ecrãs que simulam olhos, conferindo-lhes alguma personalidade que facilita o interface com os astronautas. Estes robots já estão a voar dentro da estação espacial, participando em experiências que irão aprofundar o seu potencial tecnológico.

Lá em cima, e muito cá em baixo, estas experiências expandem os campos de atuação da robótica e automação. Tecnologias que já hoje são fundamentais para a economia, cujo impacto está a transformar radicalmente a sociedade em que vivemos.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.