Antes de falar em Marte, em Wernher Von Braun e no profético “Das Marsprojeckt”, é preciso falar-se um pouco sobre os problemas da vida em órbita…

Existem alguns descrentes sobre a missão a Marte na década de 30, ou até mais tarde. Quando não se acredita, não se acredita mesmo e não há nada a fazer… São como os “terraplanistas” ou aqueles que não acreditam que o homem tenha estado alguma vez na Lua. Não lhes parece lógico, acham impossível, não cabe pura e simplesmente dentro do seu entendimento por diversas razões..

A questão é que alguns destes “não-crentes” são por vezes cientistas, e apresentam elaboradas razões para a Ciência “não avançar”, e não conseguirmos resolver os problemas que nos irão pôr a viver em Marte um dia.

Uma dessas razões é por causa do “Drew”! Andrew Jay Feustel, também conhecido simplesmente por “Drew” Feustel é um astronauta da NASA, actualmente com 54 anos de idade, e que passou 197 dias a bordo da Estação Espacial Internacional. Cerca de seis meses e meio no Espaço, o que é um tempo de missão considerando “normal”, tendo em conta a duração das restantes missões.

Créditos: NASA/Thumblr, uma astronauta faz jogging a bordo da ISS

Curiosamente este astronauta deu mais nas vistas quando regressou á Terra, do que propriamente na missão em que participou em órbita. O prolongado tempo (embora como disse, considerado “habitual” nestas missões), em ambiente de microgravidade, levou a que fossem feitos inúmeros testes no seu regresso sendo o resultado, aquele que se vê no vídeo de introdução: Desabituou-se a andar na Terra, onde as forças gravitacionais são as que conheceu toda a vida, desde que aprendeu a gatinhar…

A verdade é que os nossos corpos não são feitos para viverem no Espaço, mas sim para estarem continuamente a lutar com a força da gravidade, seja esta a terrestre ou “outra”, porque precisamos dela para que a nossa massa muscular não atrofie e para que não percamos densidade óssea, ficando assim a sofrer de osteoporose.

Créditos: NASA/Thumblr. Um astronauta faz musculação a bordo da ISS

O retorno à gravidade induz também uma sensação de vertigem severa à medida que o equilíbrio se vai reajustando. Tudo somado, o video de introdução, filmado no dia 5 de Outubro e postado em Dezembro, é o resultado após 6 meses no Espaço, quando simplesmente se pede a Drew Feustel para “andar em linha recta“!

Note-se que os astronautas estão obrigados a fazerem não menos de 2 horas diárias de exercício a bordo da Estação Espacial Internacional, tal como explica aqui o astronauta Chris Hadfield…

São necessários pelo menos 3 a 4 anos para que um astronauta recupere completamente de todos os efeitos provocados por um período de cerca de 6 meses no Espaço. De março de 2015 a março de 2016, o astronauta Scott Kelly da NASA e o cosmonauta Mikhail Korniyenko da Roscosmos, passaram 342 dias no espaço em regime de observação sobre na saúde de uma missão espacial de longa duração.

Não é como andar de bicicleta…

Como seria de prever, um ano inteiro no Espaço não é fácil para quem quer regressar à Terra e começar a andar…

Não são contudo estes que bateram todos os recordes: Peggy Annette Whitson, mais conhecida por Peggy Whitson passou 665 dias, 22 horas e 22 minutos no Espaço. E detém também o record de EVA Time (Extra-Vehicular Activity) para uma mulher, commumente conhecido por “Spacewalks” (60 horas e 21 minutos, em 10 EVA’s).

A título de curiosidade, no vídeo seguinte da NASA, podemos ver um resumo de 30 minutos, com os comentários dos astronautas, sobre os 50 Anos de EVA’s (para quem quiser perceber um pouco mais sobre as EVA’S):

Mas continuando o raciocínio e não esquecendo a Rússia, há também os impressionantes recordes dos cosmonautas Sergey Krikalev e Gennady Padalka respectivamente com 803 dias (concluídos a 5 de Agosto de 2005 por Sergey), e 804 dias concluídos em Junho de 2015, batendo nessa data o record de Sergey, e correspondendo a uma estadia de 2 anos e 2 meses no Espaço (mas não de seguida, é claro).

Mas se quisermos pensar em tempo no Espaço sem interrupções, e olharmos para os astronautas e cosmonautas cujas missões os obrigaram a passar longos períodos sem interrupções no Espaço então falamos de Valery Polyakov com 437 dias, ou Sergey Avdeyev com 379 dias, ou os 365 de Vladimir Titov e Musa Manarov, sempre a bordo da MIR. Já na ISS – International Space Station Mikhail Kornienko e Scott Kelly estiveram 340 dias.

E se quisermos viajar para Marte? Quais são os obstáculos, além da microgravidade?

Para uma missão a Marte, os principais desafios prendem-se, 1). Com o espaço habitável durante o transporte (suficiente para que os astronautas não enlouqueçam); 2). Com a capacidade de imunizar os astronautas contra a radiação solar e contra os raios cósmicos  – muito bem explicados neste artigo do Bit2geek (caso contrário os danos no seu ADN vão acabar por os matar); E 3). Por último, o corpo humano é feito para viver em “confronto” com as forças gravitacionais, e não para viver em ambiente de microgravidade (tal como explicámos acima)…

1- A conquista da Lua em 2024, e a eventual construção do Gateway, poderão garantir em princípio que se consiga construir um transporte num ambiente com forças gravitacionais “relativas” (existentes, contudo muito inferiores à Terra), suficientemente espaçoso para viajar até Marte… 2- Quanto ao “shielding” da radiação no Espaço, a própria NASA responde neste vídeo que não será a radiação a impedir a exploração espacial, porque estão neste momento a serem encontradas soluções…

3- Falta-nos um ponto 3, ou a variável que diz respeito ao tempo de permanência no Espaço, com efeitos adversos para os astronautas. E aqui a questão é simples: ou se reduz substancialmente o tempo de viagem entre a Terra e Marte possibilitando uma missão orbital de ida e volta (sem pouso), ou a missão obriga ao pouso para restabelecimento temporário das resistências dos astronautas!

Portanto há um assunto que ainda não está a ser discutido, mas que terá que vir a ser: Uma missão a Marte “obriga” a que seja uma missão com “pouso” (em detrimento de uma missão orbital), até para restabelecimento das funções corporais dos astronautas, decorrentes da necessidade de “confronto” com as forças da gravidade para uma boa saúde muscular e óssea.

É aqui que entra uma estranha profecia…

Wernher von Braun foi um cientista proeminente que se destacou durante a Alemanha Nazi pelo desenvolvimento do Programa de “Rockets”, nomeadamente através do desenvolvimento do foguete V-2.

O foguete V-2 ou Vergeltungswaffe 2 (a “Arma de Vingança 2“) foi desenvolvido em Peenemunde por volta de 1942.

Não é muito fácil avaliar a directa colaboração de Wernher von Braun com o regime nazi, mas a zona de experiências de Karlshagen-Trassenheide foi localizada de acordo com a proximidade com um campo de concentração, onde mais de 3000 “trabalhadores forçados” de Leste e 1500 de um outro campo, terão ajudado no projecto de Von Braun.

V-2 e a Linha Karman

Contudo os resultados foram que em 1945 o V-2 ultrapassou os 200 Km de altitude, ultrapassando a linha do Espaço ou linha Karman (ou seja 100 Km acima da linha do mar).

Se olharmos actualmente para os dois grandes players do Turismo Espacial, a Blue Origin e a Virgin Galactic, a discussão tem-se centrado exclusivamente no facto de o New Shepard (o lançador da da Blue Origin) ultrapassar regularmente o limite do Espaço (a linha Karman, ou 100 Km acima do nível do mar), e a SpaceShipTwo da Virgin Galactic ainda não ter atingido este limite… Ora Von Braun em 1945, conseguiu fazê-lo…

Por estas razões, logo após o final da Segunda Guerra Mundial o EUA levaram a cabo uma operação com o nome de código de Operation Paperclip, com o objectivo de capturar os cérebros/cientistas que tinham sido capazes de desenvolver este armamento sofisticado, não os deixando cair nas mãos dos russos…. 

Wernher von Braun “rendeu-se” aos Aliados com cerca de 500 engenheiros da equipa de “Rockets” Nazi.

Não será de espantar portanto que as missões da NASA, como a Missão Apollo que levou o primeiro homem à Lua, tivessem sido orquestradas por aqueles que foram capturados pela Operation Paperclip…

Neste fabuloso vídeo da época, assinado pela NASA, o próprio Wernher von Braun explica o lançador Saturn V (foguete que levou Neils Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins à Lua).

Depois do final da Segunda Guerra Mundial a história começa a ficar interessante, principalmente nos anos de 1947 e 1948, altura em que Wernher Von Braun escreveu um livro de ficção científica chamado Das Marsprojeckt. Interessante não tanto pelo argumento que segundo a opinião geral, era péssimo…Mesmo muito mau!!! Aliás tão mau que ninguém o quis publicar durante bastante tempo, até se descobrir que associado a ele estava um apendice (Studie einer interplanetarichen Expedition) com cálculos, planos, desenhos de hardware para foguetes e afins, etc…

Assim, a 22 de Março de 1952 a Collier’s Weekly Magazine publicou este estudo em 8 partes (sem o romance), porque aqui estaria claro como a Humanidade iria conquistar o Espaço…

Das Marsprojeckt

O romance Das Marsprojeckt prevê 10 naves espaciais gigantes, cada uma com cerca de 4000 toneladas de carga útil. Para que haja um termo de comparação, o Saturno V desenhado pelo próprio Wernher Von Braun para a missão Apollo 11 conseguia apenas transportar 140 toneladas de carga útil… E por isto Von Braun estimou que seriam necessários 950 foguetes para colocar em órbita tudo aquilo que era necessário para lançar uma Missão a Marte…

Estas 10 naves espaciais seriam montadas em órbita, e cerca de 70 astronautas iriam conduzi-las até Marte dando início à colonização. Curiosamente neste romance está calculado o tempo exacto segundo os padrões actuais, que uma missão demoraria da Terra até Marte: 8 meses! Sim, confirma-se!!! Só que nesta altura ainda não tínhamos ido sequer à Lua…

A missão desenrola-se com 7 orbitadores e 3 landers, sendo o local de aterragem junto aos polos gelados que segundo Von Braun seria o único lugar seguro para se aterrar (vamos ver no Futuro se será essa a decisão tomada…)

Os cálculos seguintes estão errados: Von Braun assumiu que a atmosfera seria quase tão densa como a da Terra e que poderia usar aviões espaciais para estacionar lá. Mas sabemos hoje que estava errado, porque a atmosfera de Marte é de cerca de 1% a da Terra.

O resto do romance é curioso: a tripulação teria que se dirigir para a zona do Equador (sabemos hoje que é a zona mais temperada e melhor para estabelecer uma base), para construir aí o seu Habitat ou base de operações. Após estabelecer-se, os humanos deveriam tentar plantar em estufas uma variedade grande de plantas terrestres e procurar fósseis. Ele estimou a missão terrestre em cerca de 400 dias…

Havia também a perspectiva de arqueólogos estudarem e até descobrirem em Marte vestígios de antigas civilizações.

Von Braun enganou-se em muitas informações que hoje em dia temos sobre Marte, contudo a forma como está a ser planeada a exploração espacial está completamente baseada nas suas ideias. Se em 1940 ele tivesse as informações de que dispomos hoje, talvez tivesse readaptado o seu plano…

Uma estranha coincidência

Mas a expectativa sobre a proximidade de uma missão tripulada a Marte tem chamado atenção sobre o Das Marsprojeckt… Porque saiu da cabeça de alguém realmente brilhante, e o principal estratega da exploração espacial. Mas não só por isso…

Uma última e desconcertante coincidência tem sido abordada sobre o Das Marsprojeckt. É que Wernher Von Braun nomeou nessa “novela” dos anos 1940’s, o líder do Governo de Marte após a colonização. E chamou-lhe Elon… Elon! Como em “Elon Musk”!

Ora Von Braun morreu em 16 de Junho de 1977 e Elon Musk nasceu a 28 de Junho de 1971. Quando Von Braun morreu, Elon Musk tinha 7 anos, pelo que seria impossível antever o papel de Elon Musk na tentativa de colonizar Marte, e muito menos o papel da SpaceX, empresa que só foi fundada em 2002.

Esta foi portanto uma excelente oportunidade para alguns “conspiradores” defenderem que os nazis tinham desenvolvido uma Time-Machine… Aqui no Bit2geek restam-nos as explicações racionais para esta coincidência, escolhidas de entre tantas que já foram apresentadas:

1- Foi mesmo uma coincidência;

2- Elon ou Elom é um nome com raízes bíblicas e Von Braun escolheu-o porque:

2.1- O seu nome aparece no Livro dos Juízes (Juízes 12:11) e era um Juiz do Povo Escolhido. Um juiz dos escolhidos “para viver em Marte”.

2.2- A única frase em que aparece Elon na Bíblia diz-nos que este pertencia à tribo de Zebulão, e “julgou Israel durante 10 anos e depois morreu”. E assim ele poderia associar de alguma forma esta frase ao seu passado nazi…

2.3- Elon significa “Forte” e/ou “Carvalho” (ou forte como um carvalho), e assim seria o Juiz perfeito e justo/vertical. Um juiz perfeito para Marte, para um novo planeta. Para um planeta justo.

3- Ou então Elon Musk leu este livro e considera-se um predestinado… É possível encontrar tweets de Elon Musk com referências indirectas a este livro, e muitos comentários a mencionar este facto… Pode ter sido uma fonte de inspiração para o excelente trabalho que tem vindo a desenvolver!

Mas quem ler o capítulo 24 do Das Marsprojeckt, no terceiro parágrafo da página 177, é capaz de sentir um arrepio na espinha… É mesmo uma enorme coincidência!!!

E por isso deixo aqui o link do PDF para quem quiser ler o romance original de #, Das Marsprojeckt, bem como o apêndice “Studie einer interplanetarichen Expedition”, publicado pela Collier’s Weekly Magazine

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