O problema de um impacto de asteróide na Terra é algo que preocupa há anos a Defesa Planetária. Desde 1999 que a NASA se deu conta que os NEO’s (Near Earth Objects) ou asteróides conhecidos que se deslocam nas imediações da Terra, tem vindo a aumentar exponencialmente.

Querendo evitar um impacto de grandes dimensões, como as crateras existentes na Terra provam que isso já ter acontecido no passado, diversos estudos têm sido feitos.

O vídeo de introdução é da responsabilidade do Jet Propulsion Laboratory da NASA e mostra um diagrama com os asteróides conhecidos, que têm vindo a aproximar-se da Terra nos últimos 20 anos. O problema é que apenas se conhece cerca de 30% (cerca de 10.000) daqueles que realmente existem e que, caso chocassem com o planeta, iriam pôr fim à raça humana. São os “End Gamers” e a extinção dos dinossauros é o melhor exemplo disso.

A prova de que foi um asteróide que extinguiu os dinossauros é a cratera de Chicxulub, que resultou do impacto de asteróide, e que está soterrada na Península do Yucatão, no México.

Esta cratera tem 180 Km de diâmetro o que nos faz estimar o tamanho do bólide (meteoro) em cerca de 10 Km. Esta cratera foi descoberta por Glen Penfield, um geofísico que procurava sinais de petróleo na área na década de 1970. Com o auxílio de outra equipa de investigadores acabou por conseguir reunir provas da existência de uma estrutura de impacto. Esta estrutura consistia na descoberta de “Quartzo de impacto”, que difere do Quartzo normal por deformação no interior do cristal a que se chama deformação planar, ou seja, linhas de choque; também por ter detectado uma anomalia gravitacional, diferente da restante estrutura interna do planeta, e a existência de tectitos, mais conhecido como o fenómeno de vitrificação da rocha (quando a temperatura é de tal forma elevada, que derrete a própria pedra).

Não restando dúvidas, estimou-se este acontecimento/impacto por volta de 66, 038 milhões de anos atrás, no final do Cretáceo, altura em que se deu a extinção dos dinossauros. Sabe-se isto por causa do nível K-Pg, que é a assinatura geológica ou seja, não são encontrados fósseis de dinossauros nas camadas de sedimentos posteriores ao impacto, mas apenas nas camadas anteriores, independentemente da sua localização planetária.

Este estudo foi efectuado ao longo de 20 anos e abrangeu as áreas de paleontologia, geoquímica, modelação climática, geofísica e sedimentologia. E assim em Março de 2010, 41 peritos de 33 instituições internacionais assumiram que a cratera de Chicxulub resultou do impacto que desencadeou as extinções em massa, incluindo a dos dinossauros.

Estamos a ter sorte há milhões de anos… Mas esta sorte pode acabar de repente…

Os asteróides (corpos rochosos e metálicos) e os cometas (corpos gelados e rochosos), movimentam-se no Espaço de forma completamente aleatória: a passagem perto de um qualquer corpo celeste muda-lhe a rota por causa das forças gravitacionais envolvidas, alterando completamente a sua trajectória e colocando-o eventualmente em rota de colisão com outro corpo celeste (por exemplo o planeta Terra).

O “misterioso” objecto interestelar Oumuamua, foi redirecionado com a força gravitacional do Sol. A sua rota foi alterada e passou muito próximo da Terra e podia ter colidido, mas felizmente não aconteceu (mas se tivesse acontecido seria um objecto entre os 400 e 800 metros de dimensão, ou seja, vaporizaria cidades inteiras). Veja-se aqui a alteração da rota do Oumuamua:

Mas podem acontecer outras coisas… Por exemplo um asteróide pode embater contra outro asteróide mudando a rota dos dois…

Há de facto um número sem fim de eventos sem grande importância, que no Espaço podem transformar-se em ameaças muito reais.

 Let’s Play: Vem um asteróide a caminho: defendam-se!

A única maneira de saber se conseguimos resistir ao impacto de um asteróide é através de uma simulação de impacto! E há duas semanas houve mais uma: os melhores da NASA e da ESA (European Space Agency) juntaram-se em mais um exercício conjunto. Cada um no seu posto começa a receber dados de um asteróide que vem a caminho, e que é preciso destruir, redireccioná-lo, etc: qualquer acção vale desde que na realidade seja possível efectivamente levá-la a cabo.

É mesmo isto: meus caros, detectámos um asteróide que está a X distância de nós e agora é convosco! Como é que se resolve este problema? Como é que ficamos vivos, ou como vamos conseguir (dependendo do tamanho), salvar vidas humanas em determinada região?

Todos os anos, até parece ser assunto para alguma preocupação…

Quem nunca tinha ouvido falar nestas simulações, fique a saber que se fazem todos os anos. Chama-se a este evento/simulação “Conferência de Defesa Planetária da Academia Internacional de Astronáutica”.

A Defesa Planetária anda mesmo preocupada com este assunto… E tem razões para isso, ou melhor, tem 10 boas razões para isso:

Primeira razão:

A cratera de Vredefort é a cratera de impacto de asteróide mais antiga da Terra, e também a mais larga. Localizada na Africa do Sul, esta cratera tinha originalmente 300 Km de diâmetro e embateu contra a Terra há 2.02 mil milhões de anos.

Imagem da Cratera de Vredefort. Créditos: NASA

Segunda razão:

A cratera de Sudbury no Ontario, Canada, tem 130 Km de diâmetro. Vestígios de rocha provenientes deste impacto foram encontrados no Minnesota, que é como quem diz a 800 Km de distância… Apesar dos seus 130 Km, hoje em dia acredita-se que a cratera original tivesse o diâmetro de 260 Km (exactamente o dobro), e foi o resultado de um impacto de asteróide há 1.85 mil milhões de anos…

A cratera de Sudbury no Ontario, Canada. Créditos: NASA

Terceira razão:

A cratera Chicxulub na Peninsula do Yucatão, no México. Resultado de um impacto de asteróide no final do Cretáceo, há 65 milhões de anos. Foi este impacto que extinguiu os dinossauros. A cratera original tinha um diâmetro de 240 Km, sendo que actualmente tem apenas o diâmetro de 150 Km.

Cratera Chicxulub, Peninsula do Yucatão, México. Créditos: LPI

Quarta razão:

A cratera de Popigai está situada na Rússia e foi o resultado de um impacto há 35 milhões de anos e tem o diâmetro de aproximadamente 100 Km.

Cratera de Popigai na Rússia. Créditos: NASA

Quinta razão:

A cratera de Manicouagan no Quebec. Tem cerca de 100 Km e foi resultado de um impacto há 214 milhões de anos.

Cratera de Manicouagan. Créditos: LandSat

Sexta razão:

O Lago Acraman na Austrália é de facto uma cratera com 90 Km, escavada com o impacto de há 580 milhões de anos. Foram encontrados resultados da explosão em Flinders Range, a cerca de 300 km de distância para Leste.

Cratera do Lago Acraman, na Austrália. Créditos: Nasa Earth Observatory

Sétima razão:

Escondida no fundo do solo oceânico está a cratera de Chesapeake Bay, na costa da Virginia. Tem uma dimensão de 85 Km e uma idade de 35 milhões de anos.

Cratera de Chesapeake Bay, USA. Créditos: WHOI/USGS

Oitava razão:

A cratera Morokweng está enterrada no Deserto do Kalahari, na África do Sul. Foi descoberta através de detecção remota com aparelhos de grande sensibilidade. Foi utilizada uma broca para perfurar o solo e foi recolhido 25 cm do fragmento original do meteorito, que ficou enterrado a cerca de 770 metros de profundidade. Este impacto deu-se há 145 milhões de anos, tendo criado uma cratera com 70 Km.

Fragmentos da Cratera Morokweng, que está enterrada no Deserto do Kalahari, na África do Sul. Créditos: J.Hills/Science Museum London

Nona razão:

A Cratera Kara está localizada na Rússia, na Peninsula Yugorsky. Tem uma idade de 70.3 milhões de anos, e teria originalmente uma dimensão de 120 Km.

A Cratera Kara, Rússia, Peninsula Yugorsky. Créditos: NASA Earth Observatory.

Décima razão:

A cratera de Beaverhead tem 600 milhões de anos, e está localizada no Montana, USA. Tem a dimensão de 60 Km.

Talvez seja preciso dar mais atenção a este assunto…

A NASA tinha planos para lançar a missão ARM – Asteroid Redirect Mission em 2021, mas a Administração Trump colocou esta missão em “Stand By”. No entanto parece ter vontade de manter a DART – Double Asteroid Redirection Test, que se espera que seja lançada em 2021 e que será a primeira vez que existe uma demonstração tecnológica de sondas de impacto cinético, quando estas se reunirem com o sistema Didymos (dupla de asteróides) em 2022.

O céu de Chelyabinsk na Russia a 15 de Fevereiro de 2013, quando um asteróide explodiu nesta localidade. Esta foto foi renderizadas para efeitos de estudo científico no Sandia National Laboratories.

Por enquanto aquilo que vamos tendo são apenas jogos e simulações de como seria, se um asteróide viesse mesmo a voar no escuro em rota de coligação com a Terra.

E por aquilo que se tem avaliado até ao momento, não seria nada bom, até porque as simulações têm estado a correr mal e o impacto de um asteróide na Terra é apenas uma questão de tempo… Já aconteceu antes e vai voltar a acontecer, porque é inevitável como o destino.

No ano passado este grupo de peritos conseguiu salvar a cidade de Tóquio de um impacto catastrófico (em simulação, é claro) ao lançar uma bomba nuclear no asteróide. Esta vitória veio pôr fim a vários anos de derrotas que resultariam por exemplo na destruição da Riviera Francesa, de Dhaka que é a capital do Bangladesh, etc… A Agence France Presse conta mais sobre o assunto.

Este ano foi pedido para salvar Nova York, uma cidade com 8.6 milhões de habitantes. O asteróide teria entre 100 a 300 metros de diâmetro e inicialmente a chance de 1% de chocar com a Terra a 29 de Abril de 2027 (correspondendo ao dia 5 da simulação). No dia 2 do exercício, que correspondia a 2021 nos cálculos do exercício, A Nasa lançou uma sonda para estudar melhor o asteróide. Com o decorrer dos “anos” a hipótese de 1% passou para 100% de possibilidades de impacto sobre Denver.

Portanto no dia 3 da simulação a NASA decidiu construir 3 sondas de impacto cinético, para entrar no asteróide, e fazê-lo mudar de rota. Este impacto causou a fragmentação do asteróide fazendo com que a parte maior fosse redireccionada para longe da rota de colisão, mas um pedaço mais pequeno se mantivesse em direcção ao Leste dos EUA.

A única hipótese seria “Nuke” ☢️ (lançar uma bomba atómica) sobre o fragmento menor do asteróide, mas a burocracia que envolve lançar uma ogiva nuclear sem desconfiança das restantes potências levou a que se optasse pela evacuação de New York. E assim a 29 de abril de 2027 o asteróide entrou na atmosfera da Terra a 69.000 km / h, e depois explodiu sobre o Central Park numa explosão com 1.000 vezes mais energia que a bomba nuclear lançada sobre Hiroshima. tudo ficou destruído num raio de 15 km em volta da cidade de Nova York. E boa sorte que para o ano continuamos a tentar!!!

O NeoWISE da NASA tem actualmente catalogados 158.000 asteróides e objetos próximos à Terra juntamente com o seu diâmetro e reflexividade.

Se algum dia uma destas rochas voadoras resolver vir a voar na direcção da Terra, este vídeo explica quais são as nossas principais opções para a tentar travar:

E depois é esperar que tudo corra bem!

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Há 2 dias escapámos de um “monstro”: Say hello to Asteróide 2013 MD8!