Esta semana, olhamos para veículos icónicos do futurismo no cinema de Ficção Científica. Observamos a resposta física a ciberataques, orientações de privacidade na Google e os princípios da Internet. Recordamos Wally Wood e Junji Ito, enquanto falamos de comics e séries de televisão entre o horror e o fantástico. Não nos esquecemos do impacto da tecnologia na sociedade, passamos por efeitos especiais pré-digitais e o legado da pintura romana. Isto, e muito mais, para descobrir no Capturas na Rede desta semana.

A Condição de Ficção Científica

L.A. Museum Opens New Exhibit of Dystopian Vehicles From Movies Like Blade Runner and Mad Max: Fury Road: Os veículos icónicos da Ficção Científica, adereços de filmes marcantes como Blade Runner, Back to the Future ou Mad Max, em exposição num museu automóvel algo distante para se poder lá ir de carro. Pessoalmente, de todos escolho o carro do filme Blade Runner. O design futurista de Syd Mead sempre me deixou de queixo caído.

‘The Orville’: 5 Things We Need to See in Season 3: Isto, se houver uma terceira temporada, que está a demorar a ser anunciada. Algo que faz falta à série é explorar melhor o seu próprio mundo ficcional. Pessoalmente, acho que as aventuras do tenente Dann poderiam ser mais exploradas.

Comics e Mangá

Junji Ito’s Smashed Are the Creepiest Horror Comic Stories You’ll Read This Year: Se estão à procura do melhor que o mangá de terror tem para oferecer, não há melhor recomendação do que o trabalho do mangaka Junji Ito. Com um traço elegante, oferece-nos horrores que oscilam entre o irónico e o escatológico. Tanto pode ser leve, como profundamente perturbador. Não é o único, há outros desenhadores nipónicos a praticar este género (e alguns muito perturbadores, como Suehiro Maruo ou Hideshi Hino), mas Ito destaca-se. Não há, tanto quanto sei, edição portuguesa de qualquer das suas obras. A Devir, que por cá edita autores de mangá com obras complexas na coleção Tsuru, trazendo-nos livros fabulosos de Jiro Taniguchi e Shigeru Mizuki, editou no Brasil Uzumaki, uma das mais marcantes obras de Ito. Pessoalmente, recomendo a série Tomie, ou os contos curtos de Voices in the Dark/New Voices in the Dark, que estão editados em Espanha pela ECC.

Treasured Stories: “I Wonder Who’s Squeezing Her Now?” (1979): Se olharmos para a lista de nomes de desenhadores influentes da era dourada dos comics, Wally Wood está no topo. O seu traço meticuloso e detalhado marcou um estilo, as histórias de Ficção Científica e Terror que criou para as publicações da EC Comics e Warren Publishing são delícias visuais. O que eu não sabia era que Wood, mais para o final da carreira, andava pelo mercado do erotismo. E a Warren também. Esta história, de fino humor negro, é um dos exemplos. Tranquilizem-se, a hiperligação não vai para a material indecente ou explícito. Vale para rever o traço único de Wally Wood.

O Melhor da Ficção Científica

POST-STALKER: NOTES ON POST-INDUSTRIAL ENVIRONMENTS AND AESTHETICS: O fascínio das estéticas da ruína urbana e industrial, vistas pelo prisma de um clássico da ficção científica soviética.

Ted Chiang, the mind behind Arrival, returns with another awe-inducing sci-fi collection: Ted Chiang é um caso estranho na literatura de ficção científica. Discreto, raramente publica. Nunca editou um romance, o seu corpus literário é composto unicamente por contos. Foge aos temas mais habituais do género. Os seus contos são pérolas literárias, minuciosos, complexos, sempre surpreendentes. É talvez o escritor de FC mais influente, aquele que os grandes nomes deste género literário referem com um misto de veneração e inveja, e vai sair finalmente o seu segundo livro de contos.

The 2019 Locus Award nominees: your guide to the best sf/f of 2018: Junto com os Hugos, os Locus são as melhores medidas do que se publicou no domínio da literatura de FC e Fantástico. Os nomeados deste ano já são conhecidos, e a garantia que fica é que são mesmo o melhor que se escreveu nestes géneros.

‘Swamp Thing’: The Man of Abby’s Dreams Might Just Be a Monster [PREVIEW]: O que me leva a destacar isto é observar a profundidade do legado de Alan Moore para a DC. Esta versão televisiva do Monstro do Pântano já se afasta do cânone da série, mas está lá tudo o que Moore usou para pegar num comic de terror bastante banal e o tornar num dos ícones da DC Comics.

Tecnologia e Modernidade

Windows Solitaire inducted into the World Video Game Hall of Fame: O humilde e ubíquo Solitaire faz parte da lista dos melhores jogos de sempre? Bem, é de facto um jogo muito jogado, talvez dos mais jogados do mundo.

Drones are giving Houthi rebels an edge in the ongoing war in Yemen: Quando pensamos em drones militarizados, pensamos em máquinas predadoras high tech. O que as guerrilhas Houthi estão a mostrar na guerra civil do Yemen é que a tecnologia dos drones comerciais pode ser armada com explosivos e dão excelentes armas de baixo custo, de difícil defesa.

Be wary of robot emotions; ‘simulated love is never love’: Temos tendência a antropomorfizar os nossos objetos, e se estes tiverem algum simulacro de vida, esses sentimentos agudizam-se. São cada vez mais as histórias de pessoas que se sentem emocionalmente ligadas aos seus robots. Emoções curiosas, tendo em conta que são mecanismos, não conscientes, de movimentos programáveis. Mas não deixamos de as ter, faz parte da natureza humana.

Destreza robótica: por qué los robots pueden hacer cálculos complejos pero no pelar un cable: É um clássico. Qualquer computador/robot/IA desempenha uma tarefa lógica em ínfimas frações do tempo que demoraria a um humano. Agora, algo que pensamos ser simples, como manipular um objeto ou andar, é-lhes quase impossível.

Fob Jam: E se, numa cidadezinha, de repente todos os comandos de garagem deixarem de funcionar… pode ser devido a uma inesperada interferência eletromagnética. Nada como Geoff Manaugh e o seu sempre birlhante BLDBLG para nos recordar das arquiteturas invisíveis de radição que coexistem com as estruturas físicas dos espaços que habitamos.

The Problem With Social-Media Protests: Bastantes, a começar pela sua imprevisibilidade e imediatismo, que invalida iniciativas sustentadas de progresso. Mas o real problema do centramento em redes digitais está na impessoalidade, que permite a qualquer ator mais sagaz fazer uso de bots e fake news para garantir o enviesamento dos protestos. A tecnologia, só, não chega para mudar o mundo.

First Physical Retaliation for a Cyberattack: O primeiro, e como observa o analista de segurança digital Bruce Schneier, o primeiro de uma tendência. O hacking é uma técnica quase perfeita de guerra assimétrica, mas se os estados não olharem a limites éticos, casos com este, em que a força aérea israelita bombardeou um edifício com um grupo de hackers palestinianos, vão se tornar padrão.

China’s Algorithms of Repression: Há uma app para isto. Arrepiante, a forma detalhada como a China usa uma combinação de força policial e hipervigilância digital para esmagar uma minoria étnica. E como tudo pode ser negociável, a tecnologia já está a ser exportada para quem quiser aplicar o exemplo nas suas populações. Para os chineses, este tipo de políticas tem uma vantagem adicional. A minoria étnica uigur é uma excelente beta tester de formas de vigilância apertada de cidadãos que depois de eliminados os bugs pode ser aplicada à escala nacional. A tecnologia ao serviço da repressão.

Facebook talked privacy, Google actually built it: Não há grande surpresa aqui. O Facebook não está, nunca esteve, minimamente interessado na privacidade dos seus utilizadores, e o mesmo com a questão das fake news. Não é com isto que lucra. Já a Google, talvez o seu interesse manifesto em ações concreta se deva a sentirem que já não precisam de agregar assim tantos dados pessoais para treinar os seus sistemas de inteligência artificial.

ARPANET, Part 1: The Inception: Os antecedentes da Internet, os primeiros projetos de tecnologia de interligação à distância de computadores, a começar pela visão de Licklider.

Coisas Soltas

MATTE PAINTING REVIEW: A Selection of Overlooked Films – Part One: O Matte Shot publicou novamente, o que significa uma longa página de imagens surpreendentes. Este blog neozelandês é especializado na análise de efeitos especiais sem tecnologia, pré-digitais, especificamente nas pinturas hiperrealistas de cenários que, combinados com truques ópticos, criam a ilusão de espaços vastos, de fantasia. Publica de forma muito esparsa, mas quando o faz, é um dilúvio. Vale a pena ler, e por vezes ficamos surpreendidos ao rever um fotograma de um filme clássico que conhecemos, e descobrir que a paisagem que nos deslumbrou afinal não existia, foi um efeito meticulosamente pintado.

Finnegan’s Wake at 80: In Defense of the Difficult: A incapacidade de ler este livro de James Joyce ai ser uma das minhas grandes frustrações, que levo desta vida. Tudo tem a ver com a forma incrível como este grande nome da literatura moderna manipulou a língua num texto que, dizem, só é compreensível se lido em voz alta.

In every pot: É sempre de observar que graças aos progressos sociais, laborais, económicos e tecnológicos, a grande maioria das pessoas dispõe hoje de condições de vida que fariam inveja aos aristocratas de outros tempos. Não quero com isto dizer que se deva baixar os braços e não lutar contra desigualdades, desmandos sistémicos ou a perceção do alastrada da precarização e diminuição da perceção que as gerações vindouras terão menos expetativas de futuro do que nós tivemos. Antes, é uma forma de relembrar o quanto já progredimos, entre tecnologia e sociedade.

Hell Is Other People’s Vacations: As dicotomias das férias e viagens. São benéficas do ponto de vista individual e coletivo, com valor cultural (a menos que se seja mero turista de alcool e sol) e económico. Por outro lado, há os impactos negativos: gentrificação de zonas urbanas, as marcas identitárias transformadas em falsos tipicismos comercializáveis, impacto carbónico das viagens aéreas e o mau comportamento de muitos viajantes. Intrigante a forma como o artigo termina, sugerindo viagens sim, mas com moderação comportamental. No fundo é isso, estamos a precisar de um código de ética turístico.

O controverso tratamento para o cancro que arruinou uma mãe no Luxemburgo: As delícias da charlatanice aliadas à completa falta de humanidade, ou como lucrar com a doença, a dor e a morte. No mundo da desinformação científica, há muitos abutres que vestem bata branca e debitam falsidades, criando falsas esperanças para sacarem dinheiro a vítimas de doenças oncológicas. E ainda lhes diminuem a esperança de vida. Algo que não é novidade, apesar do carinho que os jornalistas televisivos e as personalidades tratam estes falsos tratamentos (provavelmente, recebem uns trocos pelo patrocínio). Recomenda-se também a leitura deste artigo do SciMed: A Falsa Salvação das Vacinas de Células Dendríticas.

50 Dog Behaviors Explained: Não sei até que ponto isto é etologia ou antropomorfização, mas hey, quem tem cães, compreende.

História e Modernidade

tecnologia

New frescoed room found at Domus Aurea: Pouco nos chegou do riquíssimo mundo visual da antiguidade. Celebramos os vestígios arquitetónicos e estatuários, mas a pintura greco-romana não sobreviveu. Tecnologias como tintas e suportes não se aguentam com o passar do tempo. Exceto se houve catástrofes, como o soterrar de Pompeia em cinza vulcânica, ou, no caso deste fantástico achado arqueológico, o cobrir dos vestígios do fausto palacial de Nero pelo imperador Vespasiano.

‘When I get tired of it all, I escape into poetry’: book clubs bloom in Afghanistan: A literatura como forma de fuga a uma realidade violenta e opressiva. Especialmente se for de Ficção Científica.

Total Edutainment Forever: Como professor, costumo fugir da tecnologia de software e jogos educativos como o diabo da cruz. Parece estranho? Bem, na verdade grande parte deste tipo de produtos são infindas variações da estrutura pergunta-resposta. São repetitivos, mecanizados, limitados e essencialmente um tédio. Para se fazer um verdadeiro jogo educativo seriam necessários os meios técnicos ao dispor dos estúdios de jogos, mas isso não está acessível a um mercado bem menos lucrativo do que o dos jogos. Comparem, o que é que tem mais piada, e envolve mais um utilizador: um jogo de perguntas e repostas com imagens sobre os descobrimentos, ou um ambiente virtual tridimensional onde o jogador encarna a personagem de um marinheiro que irá embarcar numa caravela? Sendo polémico, suspeito que o detalhe arquitetónico de um jogo como Assassin’s Creed faça mais pela educação do que milhentos jogos educativos.

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