A meta da “Lua 2024” para início da colonização já não é apenas um desejo da Casa Branca ou uma directiva do “Vice” Mike Pence. O Blue Moon é um de muitos projectos que aparecem no seguimento das medidas de Obama em cancelar os programas tripulados (O Programa Constelation), e esperar pelo contributo dos privados. E assim uns anos mais tarde e de surpresa, Jeff Bezos convocou os meios de Comunicação Social para anunciar o lander Blue Moon, para dar início a uma presença sustentada do Homem na Lua.

O Lander Blue Moon para a Missão Lua 2024

Blue Moon
Créditos: Blue Origin

O Lander Blue Moon é um módulo de aterragem com “quatro pernas”, que deverá ser lançado com os veículos lançadores (foguetes) da Blue Origin.

Foi desenvolvido em três anos, é movido a hidrogénio líquido e tem uma força de impulsão de 10.000 libras (cerca de 4500 kg de força). Totalmente carregado com hidrogénio pesa 33.000 libras (14 970 Kg) e tem uma capacidade de carga até 6,5 toneladas além de  estar projectado para transportar entre 2 a 4 astronautas.

Faltando-nos a noção de o que estes dados possam significar, Jeff Bezos esclarece que o surpreendente neste lander é que tem a força para carregar 4 landers “normais” (ou seja, aqueles que foram anteriormente utilizados pelo Programa Apollo que pousou 12 astronautas na Lua), bem como um convés para acomodar diversos tipos de carga.

Curiosamente a plataforma de aterragem da Blue Moon é francamente mais pequena do que as plataformas do Programa Apollo. Esse assunto deu tanto nas vistas que tal como contou Jeff Bezos, ele próprio resolveu perguntar à equipa de engenheiros aeroespaciais da Blue Origin o que se passava. A resposta foi divertida e mostra que finalmente estamos a andar depressa no programa de exploração espacial: “Não é a plataforma da Blue Moon que é muito pequena”, esclareceram os engenheiros da Blue Origin… “As plataformas da Apollo é que são muito grandes”!

E há uma razão para isso: “Nessa altura estávamos preocupados com a suavidade da superfície lunar”, mas actualmente já temos os dados todos para começar a actualizar os veículos.

“Este “lander” vai em breve para a Lua”, diz Bezos!

A sonda/lander Blue Moon vai embarcar no lançador New Glenn, um foguete com cerca terá cerca de 95 metros de altura e que ainda está em desenvolvimento. A confirmar-se estas medidas, o foguete terá menos 15 metros que o Saturn V que levou Neils Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins à Lua.

Quanto à Blue Moon, ficámos a saber que terá a capacidade de implantar pequenos satélites, bem como será equipada com comunicações rádio e laser. Além disso, os avanços tecnológicos vão permitir a utilização do sistema LIDAR (este sistema usa feixes de laser para fazer o scanning da superfície da Lua, guiando a sonda até ao local de pouso.

Sem avançar datas para além da meta de 2024, Jeff Bezos informou que o foguetão a hidrogénio (BE-7 rocket) será testado já este verão e apresentou a Blue Moon afirmando que esta base móvel é apenas “parte da sua visão mais ampla”, onde as futuras gerações da Terra vão estar a habitar “colónias espaciais”, em órbita.

Este “anúncio surpresa” aparece numa altura em que a Administração Trump anunciou o início da colonização da Lua em 2024, com a emblemática frase de Jim Bridenstine, Administrador da NASA, “desta vez vamos para ficar”. Contudo o SLS, o foguete “arranha-céus” da NASA tem apresentado problemas de orçamento e está atrasado pelo menos 3 anos, e o teste da SpaceX com o Loop Lunar está marcado para 2023…

Elon Musk que parecia ter a dianteira na solução para cumprir a meta de 2024, parece não acreditar em Bezos… Veja-se aqui o famoso Tweet que tem dado tanto que falar:

O discurso de Bezos foi muito apelativo durante esta apresentação, e um pouco à maneira de Elon Musk… Foi visionário! E talvez isso explique um pouco a vontade de Elon Musk de querer criticá-lo. Isto porque durante a apresentação, Bezos referiu que o espaço da Terra é finito, que precisamos de alargar a nossa área de habitabilidade, criar colónias, para expandir a Humanidade. Mesmo ao estilo de Musk!

Em Fevereiro passado, numa palestra no Yale Club Bezos tinha afirmado: “O sistema solar pode suportar um trilião de humanos e, logo teríamos 1.000 Mozarts e 1.000 Einsteins. Pensem o quão incrível e dinâmica essa civilização seria…”

De repente a Blue Origin entrou no jogo…

A Blue Origin tem vindo a anunciar que muito em breve vai dar início ao turismo espacial. Pensa-se que que as primeiras receitas dos voos em órbita possam auxiliar desenvolvimentos como este da Blue Moon.

Não foi esperado por ninguém: Há cerca de um mês atrás a Blue Origin colocou no Twitter  a imagem do Endurance, o navio de Ernest Shackleton que navegou para a Antártida como tentativa fracassada para atravessar o continente gelado. O Endurance foi lançado ao mar em 1912 em Sandefjord na Noruega e acabou por ficar encalhado no Mar de Weddell, acabando por se afundar em 1915.

Além disto, o convite tinha apenas a data de início. Esta misteriosa abordagem acabou na apresentação do Blue Moon!

Bezos parece estar a preparar-se para vir a ter um discurso mais contundente e ambicioso que Elon Musk. De facto durante esta apresentação Bezos referiu também a criação do Clube para o Futuro, que vai concentrar actividades para os jovens de grau K-12 (o “Kay Twelve” é o entendimento que o ensino primário e secundário fazem parte de um todo, sendo na prática apenas um). E este Clube visa colocar as gerações futuras a sonhar com a colónias em órbita.

Há ainda uma última curiosidade no que diz respeito à concorrência, e nomeadamente à ligação de Musk à NASA, que talvez já não seja tão privilegiada como isso… É que o New Glenn está a ser desenvolvido em zonas arrendadas à NASA, em particular no Centro Espacial Kennedy, na Flórida!

O Elon Musk tem aqui um sério concorrente… E para os mais curiosos, podem ver a totalidade do evento de apresentação do Blue Moon aqui:

 

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