Capturas Rede Internet

Esta semana, levamo-vos a descobrir Perry Rhodan, o gigante da Ficção Científica alemã que poucos conhecem. Tentamos perceber se por detrás do foco na privacidade da Google está uma nova tecnologia de tratamento de dados. Desviamo-nos para as aventuras reprodutivas dos manatins. Falamos, e muito, sobre banda desenhada. Mas não só. Para descobrir o que selecionámos nesta semana das Capturas na Rede, mergulhem. E recordem-se: we are Bit2Geek, you will be assimilated.

We Are Geek, You Will Be Assimilated

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Ilustradores em atividade: Pensem rapidamente. Qual é a série de ficção científica com maior número de livros publicados, entre romances, banda desenhada e jogos de computador? Se pensaram Star Wars… enganaram-se. A série alemã Perry Rhodan está em publicação contínua desde os anos 60 do século XX. Os seus episódios quinzenais das aventuras do astronauta germano-americano que se vê transportado para o centro de um império galáctico decadente (e a partir daí, as coisas começam a ficar bizarras) já contam com mais de quatro mil novas edições. Some-se a isso as edições paralelas dedicadas a personagens da série, reedições atualizadas que recontam algumas das principais aventuras do personagem, banda desenhada e outros media, digamos que não há biblioteca que aguente. E porque é que nunca ouviram falar dela, perguntam-se? A série nunca teve grande projeção fora da Alemanha. O uberfan Forrest J. Ackerman conseguiu publicar nos Estados Unidos uns meros cento e cinquenta livros, mas não pegou. Há algumas edições francesas (se tiverem sorte, nos alfarrabistas de Lisboa dão com elas), e uma pequena comunidade brasileira dedicada. Para ser justo, todas as novelizações, tie-ins, e comics que formam todo o cânone Star Wars que a Disney quer apagar do histórico ficam num não muito distante segundo lugar, face a Perry Rhodan.

All of Marvel’s X-Men Comics Are Ending So Jonathan Hickman’s New ‘X-Universe’ Can Begin: Ok, deveremos ficar preocupados? Ou será que é desta que os X-Men, que têm sido das personagens Marvel mais deixadas ao abandono na confluência entre os comics e o universo cinemático, vão ser revitalizados? Saber que é Hickman à frente deste esforço não é tranquilizador, este argumentista segue muito para o pomposo e hierático.

‘Hellboy’: guía de lectura para navegar en el mundo de nazis, ranas y monstruos de Mike Mignola: Se só conhecem Hellboy pelos filmes, estão a perder, e muito. O trabalho de Mignola nesta personagem é notável, o seu traço peculiar assenta-lhe como uma luva. Pessoalmente, destacaria toda a série desde o seu início ao espetacular Hellboy in Hell, que a encerra (contrariando a tendência de manter estes personagens indefinidamente ativos, para maximizar lucros). Só deixaria de fora as séries dedicadas ao B.P.R.D., um spinoff do comic principal sobre as aventuras da agência secreta à qual pertence Hellboy, mas que são bastante banais.

Creepshow Surpresa…aterrorizadora!: É, deveras, uma surpresa, esta edição portuguesa. Chegou-nos este clássico dos comics, vénia aos ainda mais clássicos títulos dos anos 50 que despertaram a ira da Warren Commission e levaram à adoção pela indústria do Comics Code. Para os que não estejam muito dentro da história deste género, na américa dos anos 50 do século XX houve um pânico moral provocado pela reação política e social aos conteúdos dos comics, especialmente no que toca aos de terror, que chocavam leitores pela sua violência macabra. Os argumentos deste tipo de pânicos são sempre os mesmos, uma visão redutora que postula, sem quaisquer provas, que a exposição a este tipo de conteúdos irá distorcer a moral dos jovens (tal e qual como quando se fala de videojogos, telemóveis ou internet, certo? Plus ça change…). O resultado foi a adoção de linhas-guia por parte dos criadores, o que na verdade se traduziu numa limitação conceptual. Não por acaso, o género super-heróis só cresceu a partir do momento em que os títulos que afrontavam o gosto moral começaram a desaparecer. A dualidade bem/mal primitiva que lhes é subjacente assentava como uma luva no simplismo das regras da Comics Code Authority. Mas este Creepshow não nos traz essas histórias ofensivas. Esta é uma adapatação de um filme clássico dos anos 80, com histórias de Stephen King (já devem ter ouvido falar dele, parece que escreveu um ou dois livros de terror bem sucedidos) ilustradas por Bernie Wrightson. Para encontrar os horrores originais, vão ter de ir à caça de títulos como Creepy, Eerie, Vault of Horror, Weird Science, Weird Fantasy, Aces High, entre outras. Vale muito a pena descobrir estes títulos, quer pelos argumentos, quer pela ilustração.

 

Topps space cards from 1958, when the future was glorious: A nostalgia gráfica dos sonhos antigos de exploração espacial.

Comics in Portugal – An Academic Approach: Esboços para uma história da banda desenhada portuguesa, por Marco Silva.

Los mejores 13 sitios que visitar en España si te consideras geek, nerd y amante de la ciencia: Algumas sugestões de visita geek, mesmo aqui ao lado. Pessoalmente, só lhes juntaria a estátua a Verne em Vigo, e, claro, o quarteirão friki de Barcelona. No espaço de três ou quatro ruas, dezenas de pequenas lojas especializadas em figuras, comics, vídeo e cultura geek, ancoradas pela Norma Comics e a lendária livraria Gigamesh.

Certeiro. Estes personagens ultra-violentos não foram criados para fazer a apologia do autoritarismo, antes, levar a ideia ao absurdo, colocando-a a nu. Mas grande parte dos fãs prefere levar isto no sentido literal, revelando o seu desejo interior de autoritarismo violentos. Algo que é preocupante, na era das fake news, enviesamentos digitais e políticos populistas que puxam precisamente pelo argumento desta pretensa necessidade de autoridade absoluta em nome de uma pretensa segurança. Pessoalmente, sou fã de Judge Dredd, e sempre apreciei a ironia subversiva de um personagem que mistura o fascismo com ficção científica pós-apocalíptica. A personificação da frase If you want a picture of the future, imagine a boot stamping on a human face — forever de George Orwell, com extrema ironia. Mas nem todos os seus argumentistas a compreendem, e certamente que grande paete do público também não.

Funcionalmente Automáticos, Somos Robots

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15 Fabulous Vintage Snapshots Of Robots: Uma forma diferente de ver o nosso fascínio com a robótica. Não pelo lado high tech, mas com a candura quase infantil dos brinquedos ou disfarces. Uma vénia retro aos nossos futuros overlords.

DEVIANTART IS GROWING UP WITH ITS BIGGEST REDESIGN EVER: Não é nenhum exagero observar que sem a DeviantArt, talvez não faria o que faço hoje em termos de educação com modelação e impressão 3D. Foi a explorar e partilhar nesse site que, há anos atrás, encontrei inspiração e dicas de aplicações que me permitiram ser autoditata nestas tecnologias, e perceber como as levar para a sala de aula. Mais do que um site de partilha de imagens, esta é uma comunidade que antecedeu em muito as redes sociais, e se mantém hoje ainda vibrante por uma razão: é um ponto de encontro daqueles que gostam de praticar arte. Sem algoritmos, pouca ou nenhuma publicidade, sem constantes barragens de spam mental. É curioso vê-la ganhar novo fôlego no momento em que os utilizadores das redes sociais começam a dar sinais de fadiga da tirania dos algoritmos, dos fluxos constantes de conteúdo duvidoso, dos comportamentos questionáveis que a forma como estas redes estão estruturadas estimulam.

The global internet is disintegrating. What comes next?: Esta tendência balcanizante na internet é, para mim, que defendo os seus princípios-base de abertura e acesso equalitário, muito preocupante. Não por acaso, as pressões para fechar as fronteiras do mundo digital vêm de estados autoritários ou culturas retrógradas. Mas as tentativas de fragmentação da rede não se ficam por aqui. Muito de parte neste artigo ficou o papel das stacks, as grandes empresas da internet, exímias em fechar os seus utilizadores em verdadeiras gaiolas douradas. Colocando a questão noutros termos: navegar no facebook (ou twitter, ou outras redes sociais) não é a mesma coisa que usar livremente a internet.

Inteligência Artificial, Disseram?

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Federated Learning: Há pouco tempo, a Google surpreendeu ao anunciar um foco reforçado na privacidade, mesmo naqueles serviços, como os Mapas, que dependem muito da partilha de localização. Uma viragem que me deixou curioso. Não é segredo nenhum que a Google depende da agregação de dados dos utilizadores para afinar os seus algoritmos e treinar aplicações de Inteligência Artificial. É pela mesma razão que o Facebook passa a vida a dizer que irá reforçar a privacidade dos seus utilizadores, sem nunca implementar mais do que pálidas e ineficazes alterações. Então, se a Google diminui a quantidade de dados que recolhe, como é que sustenta e renova os seus algoritmos? A resposta pode estar aqui: um sistema que inverte o processo de aprendizagem automática. Em vez de entregar os dados aos algoritmos, descarrega-se uma instância no dispositivo de cada utilizador, para que o algoritmo seja treinado nos seus dados mas sem que estes sejam transmitidos à Google. Tudo o que o sistema central recebe é o resultado do treino. Tudo de forma encriptada.

Kill Decision: Poderá automatizar a decisão de empregar força letal ter um impacto positivo na diminuição da violência institucionalizada? É um argumento tortuoso, mas assenta na premissa que a discussão sobre deixar estas decisões automatizadas nos sistemas de combate nos leve a refletir sobre a desumanização da violência.

The AI Supply Chain Runs on Ignorance: Estão a ver a frase se o serviço é gratuito, nós somos o produto? No caso da Inteligência Artificial, isso também se aplica. Sempre que partilhamos fotos em serviços online, ou usamos serviços que dependem de interação humano/digital (estou a pensar em Alexa e similares) estamos a gerar o volume de dados que os algoritmos precisam para aprender. O lado menos visível é quem tem de categorizar e etiquetar esses dados, para os tornar inteligíveis para as máquinas. Uma tarefa entregue a exércitos de trabalhadores em países de mão de obra de baixo custo. Fica ainda no ar que potenciais usos se dão a esta tecnologia. As empresas de IA procuram mercados, e sem nos apercebermos, as nossas alegres fotos pessoais podem estar a ser usadas para treinar algoritmos de visão computacional e reconhecimento facial para uso militar. Se, à partida, soubéssemos isto, se calhar não usaríamos o serviço.

London police arrest man who covered face during public facial recognition trials: Isto é profundamente orwelliano. Ser preso por ser apanhado por sistemas de reconhecimento facial é uma coisa. Outra, é ser detido por se estar a passar num local onde a polícia está a testar estes sistemas, e se recusar a ser identificado por eles.

Há Mundos Para Lá Do Futurismo

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The Many, Many Theories About Leonardo da Vinci: Ao comemorarmos o 500.º aniversário de DaVinci, podemos refletir sobre o seu legado… ou olhar para a míriade de teorias bizarras sobre as suas obras mais icónicas. Pessoalmente, desconhecia que havia todo um grupo de académicos que se dedicam a procurar a possível paisagem que inspirou o fundo da Gioconda. Quando ao resto, sobre códigos secretos e mensagens ocultas, chamemos-lhe o efeito Dan Brown.

The surprising history of the word ‘dude’: Que o sinónimo de supra-relaxado venha de um termo para distinguir dandys especialmente amantes da elegância é estranho. Mais estranho ainda é descobrir que silhueta vem do apelido de um ministro francês que, nos tempos áureos da corte faustosa e endividada, se atreveu a taxar luxos excessivos, e com isso levou à adoção de uma prática de retrato em que em vez de um retrato completo o artista desenhava o contorno do rosto. Estas, e outras curiosidades linguísticas.

Manatee orgy causes traffic jam in Florida: Sim, é verdade, tentamos ser sérios nestas partilhas de leituras. Mas agora vão lá ler o artigo. Vá, nós aguardamos. E então, o puto de nove anos que vive dentro de vós não começou aos saltos?

Space Genius Ted Cruz Is Super Worried About Space Pirates Stealing our Space Booty: A política americana pode ser muito bizarra, às vezes perigosamente. Mas este argumento a favor da militarização do espaço, vindo da boca de Ted Cruz, toca no fundo de the stupid, it burns. Talvez tenha lido Captain Harlock sem perceber que é uma história de ficção científica?

A Nazi Controversy Deep in the Solar System: Não, não são míticas bases perdidas, ou haunebus à deriva pelo sistema solar. A controvérsia tem a ver com a denominação de Ultima Thule. Um termo linguístico que designa os confins para lá do mundo conhecido, mas que também foi apropriado pelos misticistas nazis.

What Happens When You Always Wear Headphones: É muito intrigante, e talvez apoquentadora, esta tendência do uso de auscultadores não para ouvir, mas para manter bolhas de isolamento e silêncio. Será uma reação contra a constante sobrecarga de estímulos que sentimos no dia a dia?

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