O Programa Artemis ou seja levar os astronautas à Lua em 2024, deixando as bases para iniciar uma presença sustentada neste corpo celeste (ou iniciar a colonização), obedece a um cronograma draconiano com várias fases, sendo a primeira em 2020. E por isso falamos hoje na espinha-dorsal de Hardware desta missão: o foguetão SLS e a cápsula ou módulo tripulável Orion.

Antes de mais, não é uma meta estranha…Neste video de 2 minutos fica muito claro o encontro de vontades entre a Administração da Casa Branca e a Administração da NASA a ponto de se perceber que a anúncio surpresa “Lua 2024” de Mike Pence, foi algo trabalhado em conjunto (como não poderia deixar de ser), e consensual relativamente à meta!

O que é preciso para voar? Um foguetão e uma nave espacial!

O SLS Moon (foguetão/lançador) tem que estar pronto para testar o módulo tripulável Orion em redor da Lua,  garantindo assim que não haverá surpresas no “deadline” em 2024. Aliás estes são talvez os dois principais indicadores de que a missão está a correr bem, e por esta razão há 2 paneis de especialistas sobre estas matérias a assessorar o Conselho Nacional do Espaço norte-americano.

Contudo, não são os atrasos no desenvolvimento tanto do SLS ou da Orion que condicionam a meta de 2024. Isto porque já a 13 de Março do corrente ano, o Administrador da NASA Jim Bridenstine tinha afirmado que estaria a estudar alternativas ao SLS para a primeira fase de testes (EM 1 – Exploration Mission) do Programa Artemis, ou seja, para levar a cápsula Orion em redor da Lua e retornar-la à Terra.

Essas alternativas (se necessárias) poderão ser encontradas em veículos de lançamento comercial porque é necessário testar a capsula Orion ainda em 2020 (por forma a não comprometer todo o cronograma da missão). E será assim embora a NASA e a Boeing estejam a trabalhar conjuntamente para concluir o foguetão/lançador SLS Moon a tempo da EM-1 (agendada para 2020): nada deve comprometer a deadline!

“Green Run” – Saltar testes de qualidade

Mas há mais alternativas além dos lançamentos comerciais. Uma delas é suprimir o teste “Green Run” no SLS Moon, um teste de fogo estático do estágio central que se realiza no Stennis Space Center no Mississippi, onde quatro dos 25 motores são disparados durante toda a duração de um lançamento (cerca de oito minutos). O teste de fogo estático é exactamente igual ao que a SpaceX executa nos seus foguetões lançadores  antes do lançamento.  Para além disso a EM-1 é uma missão não tripulada pelo que não há riscos a não ser orçamentais, e os avanços da tecnologia hoje em dia permitem a redução dos testes de qualidade.

Portanto, se formos direitos aos testes, a ideia das quatro fases do Programa Artemis diz respeito aos controlos efectivos de segurança do foguetão/lançador SLS Moon e do módulo Orion (nave espacial); ou seja até 2022 confirmar-se através das missões não tripuladas EM-1 e EM-2 que se está a voar de facto em segurança, para em 2022 começarem as Missões EM-3 (voar com tripulação em redor da Lua) e EM-4 ou pousar na Lua, e entregar carga neste corpo celeste para começar a construir uma base lunar.

O cronograma do Programa Artemis está continuamente sujeito a uma avaliação independente, que a 15 de Abril emitiu o último parecer, pelo que não há “actos de loucura” da NASA com o dinheiro dos contribuintes.

Para falar verdade…

Para falar verdade, antes do Vice-Presidente Mike Pence em Março de 2019 vir exigir a preponderância dos EUA na Corrida Espacial, nomeadamente através da presença sustentada na Lua e em Marte, já desde 2016 (em preparação do ano fiscal de 2017 da NASA) que a NASA tinha preparado a jogada… Veja-se neste documento o claro investimento nas infra-estruturas de exploração, nomeadamente no foguetão/lançador SLS Moon e na cápsula Orion. Porque outra razão teriam no conjunto sido aumentados no seu orçamento em cerca de um bilhão?

Mas não só: os controladores de voo tanto do SLS como da Orion receberam logo nesta altura um aumento de 55 milhões/ano… Mudanças drásticas no foguetão/lançador SLS Moon que deverá receber o nome do último homem a pisar a Lua (Eugene Cernan), e que está calmamente a ser preparado desde 2011, até 2 anos antes do anúncio de Pence!

E a Orion?

Créditos: NASA. Impressão artística da capsula Orion a acoplar no Gateway

A Orion e o SLS têm as suas origens no governo George W. Bush, quando foi iniciado o programa Constellation que tinha o objectivo de desembarcar humanos na Lua até 2020. Em 2010, a Administração Obama redirecionou a NASA para o estudo dos asteróides e para Marte. A administração Trump mudou o objetivo para voos espaciais tripulados da NASA de volta à Lua no final de 2017, com o objectivo de a colonizar.

Por altura do cancelamento do Programa Constellation foi fechado um acordo no Congresso no sentido de preservar empregos e instalações relacionadas com o SLS e com a Orion, deixando o SLS e a Orion em velocidade de cruzeiro, uma vez que a aposta estava noutros programas espaciais. Também por isso a Boeing reduziu a pressão nos timmings do SLS e a Lockheed Martin nos timmings da Orion.

E a um coro de críticas relativamente à concretização da meta de 2024, juntam-se os pareceres de empresas de consultoria espacial, pareceres esses que garantem à NASA uma certa imagem de independência…

Essa imagem de independência normalmente vai de encontro à visão da Administração que a solicita (certamente por coincidência), e como estas avaliações demoram tempo, normalmente aparecem por altura dos reforços de capital da Administração seguinte: Ou seja um pedido de Michael Griffin (ex-administrador da Nasa) que solicitou o estudo, cairá nas mãos de Jim Bridenstine (actual administrador), acidentalmente dando razão à visão da anterior administração…

Por essa razão, logo após a solicitação de Mike Pence, Vice-Presidente dos EUA, de colocar a meta em 2024, alguns estudos independentes surgiram a não concordar com a viabilidade da meta (até porque não se pode inviabilizar todo um trabalho feito e partilhado anteriormente).

Por esta razão, aparecem empresas como a Astralytical (de Atlanta) afirmando que a meta de 2028 para pousar na Lua não será possível sem um grande aumento de financiamento, e para sustentar o programa de voos espaciais tripulados da NASA… E afirmando-o quando houve uma redução da data para 2024…

O resultado final é uma absoluta estranheza do público e o descrédito institucional da NASA, e para isso não há solução: algumas pessoas só vão perceber quando lhes for mostrado em 2024 a Orion a entregar astronautas e carga útil na Lua!

Isto porque o módulo Orion e o SLS vão estar prontos a tempo, percorrendo as missões de exploração espacial ao longo destes 5 anos.

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