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Quinta-feira, Novembro 14, 2019
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A esperança para os jovens rapazes que desejam ser pais depois de tratamentos contra o cancro que causam infertilidade

No Oregon National Primate Research Center em Beaverton nasceu uma macaca rhesus muito especial chamada Grady. Ela foi o avanço mais recente numa tecnologia muito promissora para restaurar fertilidade a rapazes jovens que foram sujeitos a tratamentos contra o cancro que são gonadotóxicos.

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A macaca rhesus Grady, fotografada com duas semanas de idade, é o primeiro primata a nascer que foi gerada com esperma proveniente de uma técnica de grafting de tecido testicular imaturo. Créditos: OSHU

***Este artigo foi publicado na semana passada em parceria com o Sapo 24

Os pacientes com cancro do sexo masculino correm o risco de se tornarem inférteis após passarem por tratamentos de quimio/radioterapia que têm como efeito secundário serem gonadotóxicos, ou seja, tóxicos aos testículos e à produção de esperma. Para ultrapassar isto, congelam o seu esperma antes de iniciar o tratamento para poderem mais tarde usar em fertilização in vitro, caso se tornem inférteis e desejem ter filhos. No entanto, esta solução não é possível para jovens rapazes que ainda não entraram na puberdade.

No Oregon National Primate Research Center em Beaverton, USA, nasceu uma macaca rhesus muito especial chamada Grady. Ela foi o avanço mais recente numa tecnologia muito promissora para restaurar fertilidade a rapazes jovens que foram sujeitos a tratamentos contra o cancro que são gonadotóxicos. Kyle Orwig e seus colaboradores explicam este novo avanço no seu artigo na Science publicado em março.

A técnica de Grafting

O pai de Grady (e outros macacos rhesus) foram castrados antes de entrarem na puberdade quando pequenos pedaços dos seus testículos foram criopreservados, isto é, foram congelados a temperaturas muito baixas de forma muito rápida para manter as propriedades do tecido. Passados uns meses, pouco antes dos macacos entrarem na puberdade, estes pedaços de testículo foram descongelados e inseridos debaixo da pele nas costas e no escroto, numa técnica denominada grafting.

A ideia é que este tecido testicular “imaturo”, reinserido no macaco adulto, mature de forma igual aos testículos no desenvolvimento normal. Para confirmar que tinham tido sucesso, os cientistas foram capazes em menos de um ano após a reinserção do tecido de detetar testosterona em circulação, a hormona produzida por testículos maturos. Para além disso, ambos os grafts nas costas e no escroto estavam a produzir esperma. Foi então que ao pai de Grady lhe retiraram uma amostra deste esperma e utilizaram para fertilizar um óvulo de uma macaca usando a técnica de fertilização in vitro, uma técnica comum hoje em dia. E foi assim que nasceu a Grady, a primeira macaca gerada com este método de maturação de tecido testicular para produzir esperma. Apesar deste método já ter sido usado com sucesso em porcos e ratos, o facto de ter sido conseguido em primatas marca um passo importante no seu desenvolvimento como método para humanos.

Fertlização in vitro. Visualização do esperma a ser inserido no óvulo créditos: www.healthline.com

No entanto, até este método poder ser implementado, existem algumas questões a investigar. Primeiro, é preciso comparar a expressão genética entre o esperma produzido pelos grafts e o esperma produzido por testículos que se desenvolveram normalmente, para confirmar que esta técnica não está a interferir com a expressão genética do esperma e consequentemente do ovo até à formação da pessoa.

Segundo, uma vez que estes estudos foram feitos em macacos castrados, ou seja sem qualquer possibilidade de sintetizar esperma sem ser nos grafts, é necessário testar este método recolhendo apenas uma amostra de tecido testicular que seria a situação ideal para pacientes. Este próximo estudo irá verificar que o funcionamento dos testículos durante/após a qumio/radioterapia não interfere com o método.

Um potencial risco deste método é a possibilidade de retirar células cancerígenas do testículo, que após serem reinseridas no paciente tragam de volta complicações.

Enquanto continuam a validar este método, Orwig e seus colaboradores estão confiantes que esta técnica será usada como tratamento dentro de uma ou duas décadas e já recolheram amostras de testículo para criopreservação de cerca de 200 jovens que iniciaram tratamentos que põem em risco a fertilidade.

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Rebeca identifica-se com as plantas e sempre que pode apanha sol para recarregar as baterias. Depois da licenciatura em Bioquímica na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) partiu para Londres para fazer um mestrado na University College London (UCL) em Ciências Biomédicas onde recebeu um prémio monetário pelo melhor projecto de tese. Após o mestrado, trabalhou no Laboratory for Molecular Cell Biology no University College London (UCL) como investigadora em laboratórios especializados em doenças genéticas raras, relacionadas com o cérebro (Battens Disease) e com o sistema digestivo (ARC Syndrome), respectivamente. Ambas estas doenças têm mutações em genes que originam proteínas de função ainda desconhecida. Os projectos nos quais esteve envolvida fizeram avanços na descoberta da função destas proteínas e resultaram em publicações em revistas científicas internacionais. Esse período permitiu-lhe ganhar autonomia a trabalhar em diversos modelos celulares desde da levedura às células estaminais.   Em 2017 iniciou o Doutoramento no Imperial College, no London Institute of Medical Sciences. O seu projecto tem como objectivo estudar melhor a regulação e função do AMPK, uma proteína essencial na manutenção dos níveis de energia das células. Isto terá implicações no tratamento de doenças como a Obesidade e Diabetes.
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