SLS
Créditos: NASA

Estamos a chegar aos testes finais da fase “Artemis 1”, a primeira fase do Programa Lunar que consiste no lançamento do SLS-Moon (o foguetão lançador da NASA) com a cápsula Órion para dar a volta à Lua em 2020, numa missão não-tripulada. Este é o primeiro teste  que antecipa o grande culminar do Programa Artemis (fase 4) em 2024, numa missão tripulada da NASA à Lua, dando inicio à construção de uma base lunar.

Foi ao fim da tarde do dia 27 de Junho, mesmo ao pôr-do-sol, que o foguetão lançador foi levado para a plataforma de lançamento.

Começam os ajustes no SLS Moon…

O poderoso SLS Moon (o maior foguetão lançador desde o Saturno V que levou Neils Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins à Lua em 1969), esteve por dois meses dentro do VAB – Vehicle Assembly Building (VAB) no Kennedy Space Center, onde o objectivo foi juntar o Sistema de Lançamento Espacial (o foguetão propriamente dito) à cápsula Orion (o módulo tripulável).

De acordo com a NASA o SLS vai levar 2 boosters (foguetes laterais) cada um deles com quatro motores RS-25. Esses motores foram os utilizados nos Vai-Vens espaciais no passado, sendo motores veteranos mas de confiança. O RS-25 é um dos motores de foguete de grande porte mais testados da história, com mais de 3.000 partidas e mais de um milhão de segundos em testes de solo e tempos de disparo, tendo servido um total de 135 missões.

A estes boosters laterais (foguetes laterais) que funcionam com propelente líquido, vão juntar-se o propulsores de foguete sólidos (que são os centrais), e que juntamente com os líquidos vão empurrar o SLS Moon durante a sua subida de cerca de 8 minutos até ao Espaço…

Os propulsores sólidos são aqueles que também passaram nos testes de qualidade dos Vai-Vens no passado, embora tenham sido adaptados para se ajustarem ao SLS. Normalmente são os propulsores sólidos logicamente, aqueles que recebem mais modificações com a evolução da tecnologia. Por exemplo, para se ir a Marte aquilo que se está a estudar é a substituição dos propulsores sólidos por boosters avançados – e aqui há muitas hipóteses, e com diversos tipos de propelente desde a utilização de hidrogénio à libertação do gás Xenon com propulsores com efeito de Hall (que os nossos cientistas já explicaram no Bit2geek como funcionam).

E posto isto, o SLS Moon tem cerca de 61 metros altura no Estágio Central (a estrutura mais longa e mais fina que se encontra ao meio), e leva 2,76 milhões de litros de hidrogénio líquido super-resfriado combinado com oxigénio líquido para alimentar a combustão dos motores. No entanto a primeira configuração do SLS Moon poderá ir ainda até aos 91 metros de altura.

 

E também na “nave espacial” Orion…

O módulo tripulável Orion é uma “nave espacial”, pois é este módulo que vai levar a tripulação da NASA ao Espaço. Este módulo tem-se mantido em desenvolvimento durante 50 anos, e pretende-se que a Orion possa levar tripulação a uma variedade de destinos no futuro.

Desta forma uma “nave espacial” é composta fundamentalmente por 1) módulo de tripulação ou módulo de serviço, 2) por um módulo adaptador aos poderoso foguetões lançadores que a empurram para fora da atmosfera e 3) por um sistema de abortamento de lançamento ou módulo de emergência caso haja uma falha na plataforma de lançamento, e os astronautas precisem de fugir.

Aquilo que há realmente de novo na Orion é o módulo de emergência que foi testado com sucesso na White Sands Missile Range no Novo México, em 2010. Ou seja, desde 2010 que se testou se a Orion resiste ao lançamento, a abortar, à reentrada e a voos espaciais em geral. Também se testou que o módulo resiste a mergulhar no oceano depois de reentrar na atmosfera, no final de sua missão. Para o fazer a Orion também passou por uma série de testes de pára-quedas que terminaram em 2018. O voo de teste no “Espaço” deu-se na órbita baixa da Terra em 2014. A Orion voltará agora a voar em 2020, na primeira fase do Artemis 1 conhecida por EM-1.

A Space.com conseguiu visitar a maquete da Orion na NASA. Para quem tiver curiosidade, aqui fica o vídeo.

 

356,000 km para a Lua, com uma “pequena” diferença…

Há uma pequena diferença nesta viagem de três dias até à Lua (que não está tão perto com o parece): nem no Goddard Space Flight Center está o IBM System/360 Model 75s a controlar o voo, nem a bordo da Orion estará o AGC – Apollo Guidance Computer, a guiar os astronautas.

Quando na Library da CalTech consultarmos o “código” que era utilizado pelos astronautas e pelos controladores de voo das missões Apollo (há 50 anos atrás), devemos lembrar-nos que nessa altura o APG que conduzia o foguetão e posteriormente o módulo tripulável, tinha uma “poderosa” e “prodigiosa” memória de 64Kbyte e operava a uma velocidade 0.043MHz, o que é o mesmo que dizer que o sistema de voo do Saturno V, que levou o homem à Lua em 1969, o fez com menos equipamento que qualquer torradeira lançada em 2018.

Continuando no campo das comparações, vamos comparar o AGC com um Iphone 6 (o IPhone 11 será lançado no mercado dentro de 2 meses, e todos os componentes são agora muito mais poderosos do que no tempo do modelo 6).

Créditos: NASA / controladores de voo a operar IBM System/360 Model 75, desenvolvido pelo MIT

“O iPhone 6 usa uma arquitetura ARM Cortex A8 de 64 bits projetada pela Apple, composta por aproximadamente 1,6 bilhão de transistores. Ele opera a 1,4 GHZ e pode processar instruções a uma taxa de aproximadamente 1,2 instruções a cada ciclo, em cada um de seus 2 cores. São 3,36 bilhões de instruções por segundo. Simplificando, o relógio do iPhone 6 é 32.600 vezes mais rápido que os melhores computadores da era Apollo e pode executar instruções 120.000.000 vezes mais rápido”, in ZME Science.

Créditos: CBS / 60 Minutes – Ed Stone

Este tipo de comparação foi iniciado por Ed Stone, o criador das sondas Voyager 1 e 2, que foram lançadas pelo Espaço fora pela NASA, à procura de estabelecer contacto com civilizações extraterrestres, quando no Programa 60 minutes afirmou a Anderson Cooper que:

O seu smartphone tem 240.000 vezes mais memória que a sonda Voyager. E tem um computador 100.000 vezes mais rápido que os computadores Voyager.

Vejamos portanto que surpresas nos reservam o Programa Artemis, agora que temos tecnologia a sério para conquistar a Lua e iniciar a construção de uma base lunar.

 

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