A ficção científica é uma lente que nos ajuda a compreender os presentes e futuros. Uma ferramenta indispensável nesta época em que a história se encontra mediada pela tecnologia. Neste Capturas, damos destaque às ficções, da literatura ao cinema. Mas não esquecemos a tecnologia, e especialmente aqueles impactos, ou melhor, choques entre a hipermodernidade e a nossa perceção do mundo. Esperemos que, como sempre, estas sejam as mais intrigantes sugestões de leitura para o fim de semana.

A Ciência para além da Ficção

História ficção

Scientists Just Unveiled The First-Ever Photo of Quantum Entanglement: O entrelaçamento quântico entre partículas tem sido descrito como magia, uma ação à distância. E recentemente, uma equipa de cientistas da Universidade de Glasgow conseguiu registar imagens deste processo.

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Bound for the Moon: Apollo 11 Preparation in Photos: Cinquenta anos da primeira alunagem, e é um destino que voltou a ser longínquo.

The Computer Maverick Who Modeled the Evolution of Life: A Nautilus recorda o trabalho do matemático e cientista da computação Nils Barricelli. Uma personalidade difícil que intuiu as estruturas matemáticas e de compiutação que podem ser aplicadas à biologia, e começou a experimentar com vida computacional enquanto elemento do Institute for Advanced Study de Princeton. Utilizando mainframes concebidas para cálculos atómicos, começou a criar modelos matemáticos de evolução celular.

Ficção Científica e Cultura Pop

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Arte de Carl Barks: Não resisto a partilhar esta imagem. Sendo de Carl Barks,  data dos anos 70 do século XX, apesar do seu visual vintage a atirar para os anos 50, mas captura na perfeição um dos sentimentos contemporâneos. Quem nunca sentiu isto durante uma videochamada? Recordo particularmente uma vez em que dei uma sessão de formação através de videoconferência, de cama, com uma tremenda gripe. Mesmo naquela fase viral extrema da febre, ranho e aquela sensação de saco de pancada que as gripes nos dão. Infelizmente a sessão era inadiável, por isso avancei… mas desliguei a câmara, foi apenas por partilha de ecrã. Se os formandos me tivessem visto nos ecrãs, a sua reação não teria sido muito diferente da do Pato Donald nesta imagem.

The Queen of Cyberpunk: Uma entrevista a Pat Cadigan, que apesar de não se ter tornado um dos nomes mais famosos na literatura de ficção científica, é uma das vozes que fez nascer o género Cyberpunk.

CAN SCI-FI WRITERS PREPARE US FOR AN UNCERTAIN FUTURE?: Para os conhecedores de FC, o argumento da importância do género pelo seu potencial preditor é problemático. Por um lado, pelo lado condescendente do mainstream literário que habitualmente despreza a FC, mas de vez em quando lhe concede qualidades porque ajuda a predizer o futuro. Por outro, porque FC exclusivamente preditora depressa fica datada, os futuros raramente evoluem de forma linear. No entanto, há um elemento estilístico que é uma excelente ferramenta de antevisão, ou melhor, de análise de impactos potenciais de tendências tecnológicas, sociais ou económicas: o worldbuilding, a criação de um mundo ficcional consistente que alicerce a história.

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Dinotopia: A Land Apart From Time: Uma ficção onde os dinossauros estão entre nós? Se estão a pensar em Parque Jurássico e suas inúmeras sequelas, dispararam ao lado. Mas compreende-se, Dinotopia nunca chegou a atingir a popularidade das aventuras com dinossauros clonados. Talvez por ser eminentemente romântico, uma visão classicista de um país perdido onde os grandes saúrios convivem com os humanos. No fundo, um produto mais de ilustração de forte pendor clássico do que empolgantes fugas das mandíbulas de T-rex.

Many fictional moon voyages preceded the Apollo landing: Algumas coisas inevitáveis aqui. Da história de Luciano de Samosata até Frank Sinatra a cantar fly me to the moon.

ANSIBLES, BLASTERS, AND CREDITS, OH MY!: Onde nasceram os lugares comuns da ficção científica? Karel Capek é reconhecido como o pai do termo robot. Mas quem criou outros? Ursula LeGuin é considerada a primeira a usar o termo ansible, que designa um meio de comunicação capaz de ultrapassar as barreiras sublumínicas, mas talvez não seja bem assim. Já o conceito de blaster nasceu firmemente na ficção pulp.

Review – The Ghostly Stories of Hugo Rocha: Um daqueles livros em que eu adoraria meter as mãos, ou que pelo menos poderia ser reeditado para não ficar completamente esquecido. António Monteiro, um dos mais eruditos conhecedores da ficção fantástica, fala deste livro raro para o portal internacional de ficção científica e fantástica portuguesa.

Notas para a História da Tecnologia

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ALAN TURING TO BE THE FACE OF FIFTY QUID: A nota em si não terá este aspeto final, mas é significativo que as finanças de sua majestade tenham optado por homenagear Alan Turing na mais recente nota de cinquenta libras.

HOW THE BIGGEST DECENTRALIZED SOCIAL NETWORK IS DEALING WITH ITS NAZI PROBLEM: Pessoalmente, tornei-me fã (e utilizador) do Mastodon. Consegue ser aquilo que as redes sociais comerciais prometeram, mas não cumpriram com as sua otimizações algoritmizadas: uma comunidade de partilha. Agrada-me também o seu lado descentralizado. Esta é uma rede feita de inúmeras redes, chamadas de instâncias, podem pertencer a uma continuidade global, ou escolher isolar-se. Cada rede social pode ser abrangente ou limitativa, há algumas gigantes, e outras que reúnem um grupo restrito de utilizadores. As redes não são abertas, a maior parte requer pedidos de convite para se poder fazer parte. Ao fim de alguns meses como utilizador da Mastodon, o que aprecio mais é o ser um ambiente simpático. Isso é especialmente notório numa das comunidades a que pertenço, exclusiva para portugueses (e só acessível a pedido), onde o ambiente de discussão é tranquilo e caloroso. À primeira vista, o seu caráter descentralizado pode parecer um problema no que toca ao combate à desinformação, trolls ou comportamentos criminosos. Se não há autoridade central, como cercear estas problemáticas? Se não há uma empresa gigante por detrás, como é que se contratam moderadores para eliminar conteúdo violento, racista ou pornográfico? Como mostra este artigo do The Verge, a resposta é orgânica. O mastodon (em bom rigor, o fediverso) é descentralizado, mas obedece a regras e consensos. Os administradores de cada instância gerem os problemas levantados pelos seus utilizadores. E quando as instâncias são notórias pelos seus maus conteúdos, são isoladas da continuidade global. Em vez de discussões e moderadores traumatizados, ou proliferação de lixo, há isolamento profilático do que é mau na rede. Foi o que aconteceu aos fascistas e neonazis da comunidade Gab, quando decidiram criar instâncias no Mastodon. Uma rede social muito anti-social, notória porque a maioria dos seus utilizadores já foi terminalmente expulsa da maior parte das redes sociais, que não vingou no fediverso porque depressa foi isolada da cronologia federativa. Ninguém os proíbe de criarem a sua instância e publicarem lá as suas ideias infectas. Mas as regras da comunidade impedem que este pus se espalhe a todo o fediverso.

It’s Hard To Win At Poker Against An Opponent With No Tell: O poker é o mais recente jogo a fazer parte do desenvolvimento de capacidades da Inteligência Artificial. Suspeito que em breve o negócio dos casinos online fique ainda mais lucrativo, porque suspeito que a tentação de adotar estas ferramentas para sacar ainda mais trocos aos papalvos que gostam de jogar seja maior do que qualquer consideração ética, ou nostalgia sobre a pureza do bluff no jogo.

The Metamorphosis: Uma reflexão sobre o potencial transformativo da Inteligência Artificial.

Bankrupt Maker Faire revives, reduced to Make Community: Boas notícias. Afinal, a Maker Media não desaparece, reinventa-se como comunidade (que é, realmente, onde está a sua força). A revista Make: mantém-se, passando a quadrimestral, bem como o site. Pelo menos, as Maker Faire continuam.

EFF publishes an indispensable, plain-language guide to “cell-site simulators”: the surveillance devices that track you via your phone: Coisas da hipervigilância digital que me deixam mesmo assustado. As forças de segurança, e outros agentes menos visíveis, utilizam equipamentos especialmente concebidos para mimetizar células de rede celular, e com isso captar subrepticiamente dados, analisar tráfego e registar conversas. Tudo à margem da visibilidade, e muitas vezes da legalidade.

ARPANET, Part 3: The Subnet: Hoje, os IMP (interface message processors para os mais desconhecdores da história da internet) são os banais equipamentos de rede a que chamamos switches e routers, concebidos para fazer passar o tráfego em redes. Mas, tal como a internet, o conceito teve de ser inventado.

Así opera Palantir, el software que utiliza EE.UU. para encontrar e identificar a millones de personas: O segredo da empresa está no próprio nome, que evoca um artefacto de visão à distância da saga Senhor dos Anéis. E não deixa de ser arrepiante a forma como este tipo de software consegue coligir informações públicas (e outras nem por isso) para traçar perfis pessoais.

Não-Ficção da Hipermodernidade

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Vividly colored medieval fresco found in Aventine church: O que surpreende neste achado arqueológico é o quão vívidas e vibrantes são as cores deste fresco.

De un submarino nuclear hundido a una mina abandonada: los sitios más radiactivos del planeta: Uma lista de lugares que, decididamente, não são para visitar. São os detritos radioativos de acidentes ou explorações descuidadas.

IVF Mix-Ups Have Broken the Definition of Parenthood: Os métodos de fertilização in vitro são um passo essencial para que casais com problemas de fertilidade possam realizar o sonho de ter um filho. Mas, e o que é que acontece quando no laboratório se trocam os ovos fertilizados, e as crianças nascem de mães que não são as suas mães biológicas? Uma curiosa história na fronteira entre a ciência e o erro.

Cosplayer Belle Delphine Trolls Fans With Prank Pornhub Account, Fans Freak Out: Ah, a internet. Essa força democratizadora que iria dar liberdade de expressão e canais de comunicação para todos. E, de facto, fê-lo. O que os idealistas da era digital não preveram foi a enorme quantidade de idiotas e trolls que, perante o suposto anonimato do ecrã, deixam de lado as suas inibições ou controles sociais e expressam as suas mais profundas opiniões virulentas. Este é um caso de ir às lágrimas, por ser tão divertido. Uma cosplayer cheia de seguidores no Instagram anuncia que, se houver interesse, abrirá uma conta no Pornhub para conteúdos mais… picantes. Fãs aderem em força, e a rapariga lá abre o perfil no site com bolinha vermelha, mas o que publica não é bem o que se espera do site. Uma ideia cheia de ironia, e o resultado final é revelador. Aparentemente, uma quantidade significativa dos fãs desta cosplayer não o eram por gostarem mesmo de cosplay, mas sim com propósitos mais lúbricos. A ironia é fina, a ação genial, e no fim do dia os trolls rebarbados acabaram por serem expostos, como patéticos que são. Pronto. Foi mais uma história que mostra o que poderia ter corrido mal com a libertação universal de um meio de comunicação sem restrições.

Mid-year burnout: does it exist or are we all just permanently tired?: A conclusão não é simpática. Esta é a altura em que sentimos o burnout com mais força. Mas, na verdade, os exigentes ritmos da vida no século XXI mantém-nos num perpétuo estado de cansaço.

Nearly every country on earth is named after one of four things: O que é que determina o nome de um país? Há um padrão: geralmente, os nomes de países têm a ver com algum pormenor geográfico, o nome de um povo (não necessariamente o que define o país atualmente, uma descrição direta, ou o nome de alguém. E ainda há alguns que não se consegue perceber mesmo a origem do seu nome.

Ficção Cinematográfica

Top Gun: Maverick: Um blast from the past, naquela onda retro-nostálgica das estrelas de cinema que se desvanecem. Pessoalmente, o que me intrigou neste trailer foram as cenas aéreas, que será o que me levará a eventualmente ver este filme. De resto, podemos esperar uma história melosa a cobrir o indisfarçável elogio do militarismo.

3 From Hell Official Trailer (2019) – Rob Zombie, Sheri Moon Zombie, Richard Brake, Sid Haig: Rob Zombie tem mais um filme na forja, e promete ser aquilo que tanto adoramos neste cineasta. Um delírio grand guignol, com sérios traços de demência e decadência. Daqueles filmes que encanta os fãs, e deixa aterrados os espetadores incautos. Ter de esperar até setembro… será que consigo?

In the sci-fi spoof Iron Sky: The Coming Race, Alien Hitler rides a T-Rex to war: O primeiro Iron Sky foi uma excelente surpresa no cinema de ficção científica, vinda desse sítio improvável que é a Finlândia. Um filme divertidíssimo, comédia negra de FC que brincava com os mitos dos ovnis nazis e sobrevivências do Reich em bases lunares. Sempre em modo over the top, com efeitos especiais impecáveis. A sequela também promete. Agora, brinca com os mitos da Terra oca (yep, há quem acredite nisso) e mete Hitler a cavalgar dinossauros. Creio que só por isso, vale a pena espreitar esta divertida bizarria finlandesa.

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