*Este artigo sobre exploração de recursos no Espaço foi publicado no sábado, em parceria com o Sapo24.

Indústrias a produzir no Espaço pode parecer-nos neste momento um pouco irrealista. No entanto, a situação atual do planeta está a forçar a mudança e os primeiros passos já começaram a ser dados. Não se trata simplesmente de um avanço tecnológico: passou a ser uma necessidade. É algo que se está a concretizar e depressa.

O problema dos recursos…

Existem dois tipos de recursos naturais: os renováveis ​​e não renováveis. Os primeiros são inesgotáveis ou de renovação rápida, e os outros não. Os recursos não-renováveis ​​são aqueles que existem na natureza de forma limitada, porque sua regeneração envolve a passagem de muitos anos. A nossa economia está assente na exploração de recursos sobretudo não-renováveis ou de lenta renovação, como por exemplo o petróleo, carvão e gás natural.

O Fundo Mundial para a Natureza (World Wide Fund for Nature ou WWF), alertou recentemente para a corrente superexploração dos recursos naturais. A cada ano estamos a consumir cerca de 20% a mais do que pode ser regenerado e a partir de 2030, os recursos naturais não-renováveis começarão a declinar.

Também o relatório do Living Planet de 2016, indica que iremos precisar de 2,5 planetas “Terra” para nos abastecer em 2050. Também esse estudo mostra que a população mundial de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis diminuiu 58% entre 1970 e 2012 devido a atividades humanas e prevê que em 2020 esse percentual suba para 67%.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) diz que em 2018, 26.197 espécies estão ameaçadas de extinção e 33% dos solos do mundo estão moderadamente ou altamente degradados. Não cuidamos a floresta e produzimos quantidades de CO2 maiores do que a produção vegetal pode sustentar. O Aquecimento Global começa a gerar as primeiras grandes tragédias e aparentemente não há grandes sinais de mudança.

A Terra está exausta e os recursos começam a escassear

A corrida aos recursos começa lentamente a aquecer, e CEO’s e especialistas começam a entender o Espaço como nova fronteira para a nossa indústria: construir satélites e estações espaciais de apoio para minerar asteróides, a Lua e outros corpos celestes.

Por todo o lado aparecem agora empresas como a Swamp Works, e são empresas como estas que vão ditar o Futuro.

Resumidamente a Swamp Works é um laboratório que desenvolve tecnologia para mineração espacial e vida interplanetária, e a avaliar por algumas das suas apresentações públicas, considera que o aquecimento global será o “trigger” para a nossa mudança para uma civilização de tipo espacial. Os breakthrough tecnológicos deste tipo de empresas são verdadeiros saltos evolucionais da humanidade. Ignorá-los é não perceber que a mudança já chegou.

A Swamp Works foi fundada por um cientista planetário da Universidade da Flórida Central, que naturalmente passou 30 anos na NASA, o Dr. Phil Metzger. As declarações públicas de Metzer avançam aliás uma data limite para se dar mudança industrial para o Espaço.

Segundo o próprio, a menos que haja avanços na computação quântica, a Terra não conseguirá produzir energia suficiente para alimentar os computadores do mundo até 2040, de acordo com um relatório de 2015 da Associação da Indústria de Semicondutores. Mudar a industria para o Espaço passa poranto a ser um plano de contingência: é obrigatório, é necessário, a nossa sobrevivência depende disso, portanto será a curto prazo.

E como se pensa fazer esta mudança para o Espaço?

O comércio global de ferro movimenta anualmente cerca de 38 bilhões de dólares. Um estudo feito em 2015 estima a totalidade da riqueza do mundo em 75 triliões de dólares. E apenas o asteróide Psyche 16 tem acumulado nele 10.000 quatriliões de dólares em ferro, além de ter ouro e platina que é um metal super-condutor e é usado na medicina. Tudo somado atiraria a exploração deste asteróide para os 700 quintiliões

Há 2 tipos de corpos celestes errantes. Os asteróides, que são corpos rochosos e metálicos e os cometas que são corpos gelados e rochosos. A maior ameaça que o planeta Terra sofre continuamente, é a possibilidade de embate de um asteróide com o nosso planeta.

A NASA lançou um vídeo explicando que estamos com um problema de asteróides nos últimos 20 anos e que a nossa segurança está em risco.

Portanto, e face à ameaça, podemos avançar que seria uma muito boa ideia começar com inteligência artificial (robôs) a minerar os asteróides de grandes dimensões que estão nas imediações da Terra…

É verdade que actualmente ainda é mais barato minerar ouro ou iridium na Terra (metal raro no nosso planeta, usado em telemóveis), mas desde há sete anos atrás que tudo mudou. Companhias como Shackleton Energy, a Deep Space Industries e agora a Planetary Resources começaram a aparecer na discussões públicas sobre mineração de metais. E desde há três ou quatro anos juntaram-se empresas da Coréia do Sul, do Japão, da Índia e da Rússia.

O Vice-Primeiro Ministro luxemburguês, Etienne Schneider, desde 2013 que tem investido fortemente na Deep Space Industries e na Planetary Resources, tendo levado cerca de 10 empresas de Espaço a abrir filiais neste pequeno país… Também o Serviço Geológico dos EUA entrou no Outono passado na discussão da exploração espacial. E a razão para isso é simples: é conhecido que esse é o caminho a seguir pela NASA.

A Indústria da Energia Espacial

Em 2014 a empresa Made in Space.Inc tornou-se na primeira empresa a imprimir em 3D Printing um objecto em gravidade zero. Por isso, no ano passado ganhou um contrato da NASA para imprimir no Espaço o Vulcan – um sistema robotizado com peças metálicas que usa mais de 30 materiais diferentes, incluíndo o aço inoxidável, o alumínio, o titânio e termoplásticos.

O Vulcan será tripulado e terá o objectivo de abastecer estações espaciais em órbita terrestre e lunar. Só que os robots espaciais também servem para outras coisas, como colher combustível e enviar energia solar de volta à Terra usando microondas.

A tecnologia para coletar a luz do sol e transmiti-la à superfície usando microondas já existe hoje em dia. Sobre ela aliás escreveu Les Johnson do Marshall Space Flight Center da NASA em 2017. China, Índia, Japão e União Européia têm explorado conceito há vários anos, embora a NASA não tenha planos para tal projeto.

Não há contudo a necessidade de ficarmos pelo que foi escrito no papel… A Agência Espacial Chinesa assumiu já junto do Sidney Morning Herald, que antes de 2025 vai fazer o seu primeiro teste de recolher energia solar a partir de uma estação espacial. Esta será  colocada a orbitar a Terra a 36.000 Km.

A Indústria da Mineração de Asteróides

E depois há a matéria prima que está nos asteróides. Esta matéria prima mais do que ser devolvida à Terra servirá para construir logo no Espaço, usando 3D Printing.

A NASA, através da NASA Innovative Advanced Concepts (NIAC) Program, recentemente premiou a empresa aeroespacial Trans Astronautica com o seu sistema APIS movido a energia solar, e ainda em fase de desenvolvimento (em concreto a fase 3 do Mini-Bee, fase integrante do APIS).

 

É um movimento global esta mudança para o Espaço para procurar recursos e exploração-los. Aliás, a recente parceria da ESA (European Space Agency) com o ArianeGroup tem em vista claramente a exploração de recursos, a começar em 2025.

A historia do desenvolvimento tecnológico tem sido a história da mineração de recursos. Sem dúvidas, a exploração de recursos é a espinha dorsal da civilização humana, e aquilo que tem feito progredir a ciência.

A NASA estima em 100 milhões por cabeça de cada humano vivo na actualidade, a riqueza que está concentrada na Cintura de Asteróides entre Marte e Júpiter. E isto sem contar com os asteróides que se estão a mover próximo da Terra (os NEO’s). Ou com os das zonas de Gregos e Troianos, ou com os da Cintura de Kuiper. Estamos a chegar à Idade de Ouro da Humanidade, e o reluzente futuro está fechado dentro das empresas de Espaço…

Por exemplo a Deep Space Industries propôs lançar o Prospector 1, uma sonda espacial de mineração, já em 2020. E a NASA continua a desenvolver tecnologia para minerar de forma eficiente em ambiente de microgravidade, como se vê no vídeo abaixo.

Uma coisa é certa: A corrida ao espaço ganha novos contornos e um dia destes podemos trabalhar em explorações bem diferentes daquelas que hoje conhecemos — e cujo potencial de enriquecimento é enorme. Claro, é também por isto que a Humanidade quer explorar o Espaço.

 

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Barcos do Futuro são movidos a Hidrogénio recolhido do mar.