Parte das leituras sugeridas nestas capturas são notas do futuro. Não são oráculos, antes indícios contemporâneos das tendências que nos estão a moldar. Para esta semana, sugerimos artigos sobre a extinção final da diskette, ciberguerra, produção de películas fotográficas, ética e Inteligência Artificial, visões steampunk, arte e pirataria informática, ou a impossibilidade de colonizar Marte. Estas, e outras, com nossa habitual cuidada curadoria, estão à distância de um clique.

O Futuro na Tecnologia

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Google-fu: Esta do Near Future Laboratory já não é novidade, mas não deixa de ser interessante.

Intellectual Debt: With Great Power Comes Great Ignorance: A leitura obrigatória da semana, cortesia de Jonathan Zittrain. Casos recentes como os do Boeing 737 Max sublinham que algo está errado na nossa sobredependência em ferramentas digitais complexas. Não é o seu uso em si, mas algo que Zittrain apelidada de dívida intelectual: quando aplicamos uma nova tecnologia a um sistema, sem conhecer completamente as suas valências e consequências. Talvez o melhor exemplo disso se passe nas nossas casas, quando nos apercebemos que soluções pontuais se acumulam para criar um novo problema (tipo, quando estão a montar redes e computadores, a necessidade de rapidez a curto prazo implica não ter tempo para organizar cablagens, o que a longo prazo dá chatices de organização). Pior: muitas vezes, algoritmos de Inteligência Artificial são aplicados e depois esquecidos, ficando embebidos em software. Mais à frente, se houver problemas, ninguém se vai aperceber que a causa talvez esteja num algoritmo desatualizado. Zittrain não defende o abandono de tecnologias avançadas, claro, mas sim a importância de se ter a perceção do que realmente se está a utilizar, do documentar para não ficar esquecido, e da monitorização contínua para se perceber que problemas inesperados estas tecnologias levantam. Notem, no caso dos ninhos de rato dos cabos lá de casa, o problema da dívida intelectual não é grande, a menos que sejam muito alérgicos a pó. Mas em sistemas de apoio à decisão médica que usam algoritmos de análise de imagem, ou sistemas de estabilização de voo de aeronaves, o preço a pagar por erros imprevistos induzidos pelos algoritmos mede-se em vidas humanas.

WhatsApp prepara un nuevo sistema multiplataforma para funcionar sin estar ligada a un solo smartphone, según WaBetaInfo: Sendo que o comentário a isto é um redundante já não era sem tempo. A vantagem destas plataformas é mesmo a sua transversalidade, a forma como conseguimos comunicar através de vários dispositivos.

RETROTECHTACULAR: THE FLOPPY DISK ORPHANED BY LINUX: Recordam-se das, ou sequer chegaram a conhecer, diskettes? Nos tempos pré-internet e pré-pendrives usb, eram a forma que se tinha para armazenar e tranferir informação entre computadores. Hoje, já está tão esquecida que até o Linux vai descontinuar o suporte nativo para estes dispositivos.

Directrices éticas para una inteligencia artificial fiable: Há que admirar o otimismo europeu em relação à ética e inteligência artificial. Estados Unidos ou China, certamente que não deixarão que pequenos empecilhos como a ética causem entraves ao desenvolvimento de aplicações de IA. O que não quer dizer que os europeus lhes sigam o exemplo. Regras éticas são uma das defesas contra erros algorítmicos.

The Art of Pirated Software: É um regresso ao passado, onde as atitudes em relação ao software era, digamos, mais fluídas. E os crackers não se anonimizavam, identificando-se com algo que evoluiu para uma forma específica de arte digital.

Passados do Futuro

Behind the Film – Inside the ILFORD factoryNa era da fotografia digital, a emulsão química continua a ser utilizada, essencialmente por razões estéticas. É um nicho suficientemente importante para garantir a manutenção da produção de filme fotográfico. Neste vídeo, temos um mergulho mesmerizante no processo de fabricação de película fotográfica para fotografia e cinema.

Who Will Design the Future?: A questão da diversidade na tecnologia vai mais longe do que ideologias de género. Determina a forma como são concebidas, e a sua utilidade generalizada.

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The living room of the future: “Telephone has TV as well as sound.”: Sem dúvida, e os que criaram este conceito de futuro nem imaginariam o quanto isto se iria tornar verdade.

Futurismo da Ficção

Where they make the Machines from Jules Verne’s Dreams: O trabalho incrível dos La Machine com as suas construções de puro steampunk.

MAD MAX: THE MYTHIC HERO OF THE WASTELAND: Mad Max como exemplo do mito do herói adormecido, que ressurge em momentos de crise aguda. É uma forma intrigante de ver estes filmes, suponho.

From Bruce Banner to Star Brand: Marvel’s Militant Nuclear Mutations: Um ponto de vista deveras inesperado. A Marvel a revelar um lado profundamente pacifista e crítico do atómico, na forma como incorporou os medos do nuclear nas suas personagens.

Los 17 mejores cómics de 2019 hasta ahora: Em Espanha, a diversidade de edições é enorme. Por cá, dificilmente chegaremos a esse nível (porque, dimensão muito mais reduzida do mercado).

Portuguese ESFS Nominations 2019: Os autores e projetos portugueses nomeados para os prémios da European Science Fiction Society, que irá organizar a próxima Eurocon em agosto.

Futuros da Cultura Global

The disinformation age: a revolution in propaganda: A questão da desinformação digital não é, em si, nova. Desde sempre que os discursos públicos foram condicionados por propaganda, enviesamentos ou meios repressivos. O que mudou foi a rapidez, e a subtileza. Os regimes autoritários ainda mantém alguns meios clássicos de repressão, mas o controle exercido através de meios digirais indiretos, desde sistemas de pontos para cidadãos a ruído de notícias falsas ou controle de fluxos de informação, está a revelar-se mais eficaz, e limpo. Repressão com menos sangue. E não é diferente nas sociedades mais democráticas, com os discursos públicos cada vez mais polarizados por efeito de campanhas sustentadas de desinformação.

Undeclared Wars in Cyberspace Are Becoming More Aggressive and Automated: O digital é o novo campo de batalha. Aí, todas as tensões entre estados que não se atrevem a entrar em guerra a sério germinam num estado de ciberguerra constante. Uma ideia que parece do futuro, mas já é o novo normal.

The World’s Shortest War Ended Less Than an Hour After It Started: Uma história dos tempos áureos do colonialismo. Quando o sultão de Zanzibar se recusou a aceder às vontades dos seus protetores britânicos, estes depressa trataram de lhe mudar as ideias com um bombardeamento naval até que se rendesse, coisa que demorou algumas horas. Para a história, fica a dúbia notabilidade de ter sido a guerra mais curta de sempre.

The Invention of Money: As origens do nosso corrente sistema financeiro podem ser atribuídas às experiências de banqueiros ingleses dos séculos XVIII e XIX, que criaram as formas de investimento bancário que sustentam o capitalismo. Que, no geral, são bons sistemas, o problema está nos abusos que a falta de supervisão permite, e que nos têm mergulhado em sucessivas crises financeiras.

Fundo de garrafa de vidro da Casa dos Bicos (sécs. I-II) – Museu de Lisboa – Palácio PimentaCaveat lector: David Soares não é de leitura fácil, se a sua prosa gongórica funciona bem nos seus contos e romances de horror, nem por isso em textos de não ficção. Mas se aguentarem a linguagem rebuscada, vão descobrir um belíssimo mito lisboeta: os das éguas olisiponenses fecundadas pelo vento favónio.

Futuro no Espaço

Humans Will Never Colonize Mars: O facto de ser difícil não implica necessariamente que seja impossível. Mas George Dvorsky não é nada otimista, e pinta o futuro quadro da colonização marciana muito negro.

Apollo moon landing math is why your flight lands on time: Ah, para que é que serve isso de ir ao espaço quando há tantos problemas aqui na terra, perguntam os coros de velhos do restelo. Tomem lá mais uma de muitas razões: os algoritmos desenvolvidos para coordenar a trajetória das naves Apollo são hoje usados pela aviação comercial para agilizar e otimizar trajetos de voo.

NASA Announces US Industry Partnerships to Advance Moon, Mars Technology: Para contrabalançar a visão negativa do colunista da iO9, um comunicado lacónico da NASA a anunciar treze novas parcerias para o desenvolvimento de tecnologias para exploração lunar e marciana. O futuro requer investigação e esforço.

Futuros na Aprendizagem

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3D-printable robot with mecanum wheels: Baseado em arduino, usa gear motors simples… tentador imprimir um destes para experimentar.

PRESERVING HISTORIC NASA DISPLAY TECHNOLOGY: Usar a impressão 3D para preservar e voltar a colocar a funcionar tecnologia clássica da NASA.

Can robots find a home in the classroom?: Se pode? Não, já tem. Sou suspeito, claro, mas há anos que a robótica começou a ser usada nas escolas. E há espaço para tudo, desde as soluções comerciais mais fechadas mas simplificadas, ótimas para professores menos à vontade com programação e robótica, aos elementos totalmente open source. Isto já não é o futuro, é o presente.

The Data Protection Officer Handbook: Um guia muito útil, de aplicação do RGPD em serviços públicos. Especialmente útil se se for professor e acumular o cargo de EPD, que lida diariamente com quantidades enormes de dados sensíveis, trabalhando para um ministério da educação totalmente despreocupado com as consequências práticas do RGPD (quem está de fora não faz a mínima ideia da massiva quantidade de dados pessoais sobre alunos e encarregados de educação que alguns organismos ministeriais exigem regularmente, sem que ninguém questione o para que é que servem todas aquelas informações), não se dá ao trabalho de criar linhas-guia de aplicação do RGPD e equilíbrio entre privacidade dos dados e necessidades de utilidade pública, e já nem falo de sequer dar hipótese de formação específica àqueles que nas escolas estão encarregues de estar atentos ao RGPD e aconselhar as direções com encarregados de proteção de dados.

The Dying Art of Instruction in the Digital Classroom: Seria fácil relativizar este artigo como um resmungo de alguém tão incapaz de abandonar a escolástica, a ideia do ensino centrado na voz do professor, se não fosse pela sua conclusão. Este professor decidiu abandonar o ensino por sentir que já não é capaz de trabalhar nos ambientes educativos progressivamente mediatizados. Mas o texto não é um lamento saudosista do passado. Antes, é uma visão lúcida sobre as novas gerações, e as suas formas de interagir e pensar. Não se trata do fim da educação, trazido pela constante conectividade, mas sim do fim de uma era, de uma visão específica da educação.

PHYSNA RAISES $6.9 MILLION TO DEVELOP “GOOGLE OF 3D MODELS”: A minha primeira reação ao ler a notícia foi algo do tipo mas para que é que é preciso mais um serviço de modelos 3D, já há tantos, a começar pelo Thingiverse, Grabcad e MyMiniFactory… e depois lembrei-me que nunca é boa ideia descarregar um STL destes seviços e enviar logo para a impressora. De facto, um serviço dedicado de partilha de modelos 3D que contenha dados sobre qualidade e dimensões do modelo é uma ferramenta útil para quem trabalha com impressão 3D.

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Salvar Vidas na Medicina usando Inteligência Artificial. E num futuro próximo.