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A exploração de outros mundos no Espaço, como a Lua, Marte e as luas geladas do nosso sistema solar (Europa, Encelado, etc), onde existe a forte suspeita de que possam conter vida, passam sem dúvida pela utilização de robôs. Estes robôs a que mais correctamente apelidamos de “rovers” (pelo facto de serem itenerantes por usarem a deslocação sobre rodas) fazem-se substituir ao homem, poupando-lhe todos os perigos a que poderia estar sujeito, como radiação, permanência prolongada em ambiente hóstil, impacto de asteróides, etc… Mas também para questões permentes como é o caso da mineração espacial, a qual se pretende que seja levada a cabo no futuro pela mecanismos robotizados com inteligência artificial.

Enviar portanto os robôs ou os “rovers” à frente da exploração humana é basicamentre o que temos sempre feito até agora, até aparecer uma ideia melhor. Veja-se o caso do Sojourner, do Spirit, do Opportunity, e do Curiosity em Marte. Ou do Yutu, o rover chinês que desembarcou este ano na Lua com a missão Chang 4.

A importância da emergência de novas tecnologias no campo dos rovers ou dos exploradores robotizados, é a garantia de que no futuro poderemos ser mais eficazes nas explorações que fazemos.

As maquetas das apresentações de Elon Musk sobre a colonização de Marte são fabulosas, fazem-nos sonhar, mas a probabilidade é de que não começemos por aí. Antes das famosas abóbadas transparentes na superficie de Marte ou na Lua, para concentrar atmosfera, deveremos começar por explorar a subsuperfície, nomeadamente através da exploração dos tubos de lava inactivos.

Tubo de lava lunar descoberto pela sonda SELENE da Agência Espacial Japonesa. Créditos JAXA

A possibilidade da utilização de tubos de lava, por exemplo na Lua, remonta a 2007, quando a sonda SELENE – Selenological and Engineering Explorer – mais conhecida no Japão por Kaguya, descobriu na Lua um tubo de lava intacto com 50 Km de profundidade.

Por esta razão entre outras, o DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, norte-americana) começou a organizar um desafio, que está prentemente a decorrer (15 a 22 de Agosto, em Pittsburgh), intitulado o Concurso de Sistemas de Desafios Subterrâneos.

O Circuito de Túneis é a primeira etapa da competição e os vencedores passarão para a segunda etapa ou Circuito Urbano em Fevereiro de 2020. Quem passar esta fase passa então para o Circuito das Cavernas em agosto de 2020 e finalmente para a Final do Sistema em Agosto de 2021. O prémio prêmio final é de US $ 2 milhões.

O Circuito dos Túneis (1ª etapa), está a presentemente decorrer neste ambiente:

A DARPA TV fez uma longa transmissão anteontem (mais de 11 horas de filmagem), e  portanto convém “andar para a frente no vídeo” apenas para ir espreitando os vários projectos em concurso. Aqui estão sem dúvida as raízes para o futuro da exploração espacial debaixo da superfície.

O Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL), para terem uma ideia, é apenas uma das 11 equipas que está a concurso (com o nome de Team CoStar)… O JPL formou a Team CoStar em parceria com a Caltech, com o MIT e com o KAIST. A equipe conta com 60 membros e uma frota de seis robôs, que colaborarão entre eles para navegar pelas passagens subterrâneas usando inteligência artificial e localizando objetos ocultos ao longo do percurso, tal como smartphones e manequins aquecidos.

Para quem quiser espreitar todas as equipas, aqui está:

*Team AAUNO, *Team BARCS: Bayesian Adaptive Robot Control System, *Team CERBERUS: CollaborativE walking & flying RoBots for autonomous ExploRation in Underground Settings, *Team COLLEMBOLA: Communication Optimized, Low-Latency Exploration, Map-Building and Object Localization Autonomy, *Team CoSTAR: Collaborative SubTerranean Autonomous Resilient robots, *Team Coordinated Robotics, *Team CRETISE: Collaborative Robot Exploration and Teaming In Subterranean Environments, *Team CSIRO Data61, *Team CTU-CRAS: Czech Technical University in Prague – Center for Robotics and Autonomous Systems, *Team CYNET.ai, *Team Explorer, *Team Flying Fitches, *Team MARBLE: Multi-agent Autonomy with Radar-Based Localization for Exploration, *Team Metastable Labs, *Team NCTU: National Chiao Tung University, *Team PLUTO: Pennsylvania Laboratory for Underground Tunnel Operations, *Team Robotika, *Team SODIUM – 24 Robotics.

A importância destes concursos é total. O JPL (Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA) já participou em competições anteriores do DARPA, tendo recentemente conquistando o quinto lugar durante o Desafio DARPA de 2015 com um robô chamado RoboSimian que será usado em futuras missões de exploração de luas geladas.

E na próxima quinta-feira…

A febre da exploração espacial é também a febre dos robôs, uma vez que a exploração espacial depende deles. Por isso a Rússia vai enviar no próximo dia 22, quinta-feira, o Skybot F-850 para a Estação Espacial Internacional.

Este robô leva programas pré-definidos mas permite que um piloto tome controlo e possa fazer a reprodução em avatar dos comandos que lhe são dados. O Skybot tem a capacidade de pilotar uma aeronave, algo que deve ser testado desta vez uma vez que este robô irá já sentado na cadeira do piloto do módulo de comando (como aliás mostra o vídeo seguinte).

Skybot F-850 é uma experiência de Inteligência Artificial, e foi desenhado para ser sociável e participar em conversas filosóficas sobre Espaço (animando assim os astronautas).

Robôs cada vez mais humanos…

O avanço dos robôs de um ponto de vista tecnológico, também passa por melhorar a sua capacidade de interação com os humanos. Por isso começámos há alguns anos a tentar projectar emoções nos robôs, como forma de reforçar o diálogo com os sers humanos.

Recentemente uma equipa de cientistas da Florida Atlantic University que colabora com a Boston Dynamics, apresentou ao mundo o Astro: um robodog que combina todas as melhores funções da Siri, além de ser concebido com tecnologia 3D printable (para manutenção das suas peças), bem como foi pensado para igualar as capacidades dos robôs de “next-generation” como o SpotMini, da Boston Dynamics. E no final há uma surpresa: este robô tem “olhos humanos”. Mas voltemos aos robôs de “next-generation”…

Lembram-se do Spot Mini? Sim, é este! Mas o “Astro” consegue ainda fazer mais coisas…

Inspirando o cérebro humano…

Os criadores do Astro desenharam-no principalmente para fins policiais e militares: detecção de armas, explosivos e resíduos, missões de segurança, etc. Também foi apresentado como forma de auxiliar deficientes visuais, ou ainda para missões de busca e salvamento, sendo capaz de avançar ou monitorizar um diagnóstico médico inicial.

Uma coisa é certa: a tecnologia utilizada no Espaço começa por ser prioritariamente tecnologia de Defesa, à qual se juntou as componentes científicas necessárias.

Ver robôs como estes na exploração espacial será dificil para já, porque teriam grandes problemas com a microgravidade. Contudo, quinta-feira o Skybot F-850 vai para o Espaço e ele é um robô humanoide.

Robodog: a relação entre cão e o homem

As teorias mais crediveis dizem que o cão apareceu há 100.000 anos , no continente asiático como resultado da domesticação do lobo cinzento e pelo consequente apuramento dos espécimes mais dóceis.

Sem sombra de dúvida, o cão é o animal mais antigo a ter sido domesticado pelo homem.

O cão é um animal social que aceita o homem como chefe da matilha (exactamente aquilo que se “pretende” de um robot) – companhia e submissão. Características como o olfacto e audição superior ao humano transformaram-no num parceiro de trabalho, e ganhou pela afeição que provoca em nós o título de “melhor amigo” do Homem.

Actualmente a tecnologia ainda não nos permite levar para o Espaço um robodog, até porque ainda não está completamente desenvolvido para viver autonomamente no planeta Terra. Contudo, e em missões de exploração humana não seria melhor levar o “nosso melhor amigo”, que nos acompanha há 100.000 anos? O robodog, ou a imagem do cão enquanto companheiro robotizado é talvez o maior “Earth-Link” que os futuros astronautas poderão ter, quando desterrados noutros mundos, e isolados da Humanidade…

Se tomarmos como exemplo os 150 anos de evolução do telefone para se transformar no nosso adereço mais importante, percebemos que quando olhamos para um robodog como o Astro, estamos literalmente a “espiar” aquilo que será o futuro…

Contudo há 150 anos atrás, não tinhamos a tecnologia de hoje… O primeiro smartphone da Apple data apenas de 2007 e actualmente o Iphone tem milhares de vezes mais tecnologia do que o AGC – Apollo Guidance Computer que levou Neils Armstrong e Buzz Aldrin à Lua, tendo a capacidade de orquestrar simultaneamente 120 milhões de missões com a capacidade técnica da Apollo 11.

Portanto a questão é: quanto tempo faltará para vermos algo como o AXL (robodog do trailer seguinte), tomar vida?

 

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