Com a “rentrée” a chegar, o Espaço tem ficado marcado pela missão Chandrayaan 2 da Índia, que está em órbita da Lua e “beamming back” imagens espantosas pela mão de uma nação que entrou no “board” de honra dos 7 países que já orbitaram a Lua. A India também mostra outra coisa: é que sabe mover-se no Espaço Low Cost, com missões empreendedoras mas de baixo custo.

Quando vemos uma nova nação a orbitar a Lua, normalmente pensamos logo em missões grandes como a Apollo 11. Pensamos na conquista da Lua e não é disso que se trata aqui. Esta sonda espacial foi lançada a 22 de Julho e entrou em órbita lunar a 20 de Agosto: demorou um mês enquanto  a Apollo 11 demorou apenas 4 dias.

Com a Chandrayaan 2 o que se pretende fazer é um teste de capacidade técnica usando um foguetão bastante mais pequeno e francamente menos dispendioso do que o Saturno V, que levou Neils Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins até à órbita lunar.

A corrida para chegar em último: o “Low Cost” no Espaço…

Aquela nação que chegar à Lua em último, mas efectivamente chegar, é aquela que vai gastar menos. Nesta fase isso é aquilo que interessa, uma vez que estamos apenas a enviar rovers (ou mecanismos robotizados) para a superfície lunar. Não precisamos de nos preocupar com conforto de astronautas porque os rovers são suficientemente “inteligentes” para irem adiantando trabalho, sozinhos… Explorar em “Low Cost”!

Portanto as fotos que a Chandrayaan-2 está a fazer não servem rigorosamente para nada! O importante é testar a tecnologia no caminho até à órbita e o pouso do rover em segurança, o que antecede as iniciativas tripuladas ou colonizadoras.

Note-se que é bem difícil esta tarefa, e principalmente a baixo custo (low cost). Por exemplo a sonda israelita Beresheet conseguiu orbitar a Lua mas em seguida despenhou-se na superfície (ver o vídeo)…

NASA “On Track” para começar a colonizar a Lua em 2024

A razão pela qual as nações estão a testar estratégias para chegar à Lua da forma mais barata possível, prende-se aquilo que foi novamente anunciado há uma semana atrás: presidindo ao Conselho Nacional de Espaço norte-americano, o Vice-presidente Mike Pence apenas 5 meses após instruir a Nasa a pousar humanos na Lua até 2024, e desta vez “indo para ficar” (ou iniciar a colonização), anunciou juntamente com o Administrador da NASA que tudo está a correr conforme planeado para atingir a meta de 2024.

Estas declarações foram resultado de seis reuniões do conselho Nacional de Espaço, tendo culminado no anúncio de que a América está a liderar a exploração espacial humana, novamente, incluindo os timmings apertados de desenvolvimento do Lunar Orbital Gateway que dará apoio às missões lunares.

Foi também anunciado que: “Quando voltarmos à lua, vamos desenvolver as tecnologias para viver e prosperar numa expedição de vários meses no polo sul“. Isto significa que a NASA pretende desenvolver habitações de longo prazo no satélite rochoso, dando cumprimento à Directiva 1 de política espacial da Casa Branca que estabelece a prioridade de exploração e estabelecimento na Lua e em seguida em Marte.

Quem estiver interessado pode ver a versão alargada aqui!

Possivelmente, os US vão receber ajuda Low Cost do Vulcan Centaur…

Além do Vice Mike Pence ter falado, Jim Bridenstine, o administrador da NASA também falou. Numa declaração surpreendente disse estar entusiasmado com a futura restruturação da NASA que irá simplificar bastante os processos de recrutamento para os engenheiros de que necessitam.

Isto poderá estar relacionado com a utilização do foguetão SLS Moon, um lançador não reutilizável que serve de “elefante branco” da NASA, ocupando uma substancial fatia do orçamento e obrigado ao abandono de outros programas para concentração de receita. O SLS Moon tem sido visto como um erro que a NASA não corrige, apenas para manter os postos de trabalho daqueles que estão ligados ao seu desenvolvimento.

E poderá estar relacionado porque a ULA anunciou recentemente que está nas últimas etapas de desenvolvimento do Vulcan Centaur que vai substituir os poderosos Atlas V e Delta IV (que continuarão em serviço, contudo, mas para outros efeitos).

A United Launch Alliance é uma joint-venture da Lockheed Martin Space Systems e Boeing Defense, Space & Security. Mais conhecida como ULA, foi formada em dezembro de 2006 com o objectivo de provir serviços de lançamento de naves espaciais ao governo dos Estados Unidos. A ULA vai lançar o primeiro Vulcan de Cape Canaveral já em 2021, e levará a bordo o primeiro “unmanned” lander da Astrobotic Inc, uma das 9 empresas escolhidas pela NASA para a entrega de carga na Lua, ao abrigo do Programa “Commercial Lunar Payload Services.

Vulcan Centaur Lua
Créditos: ULA – United Lauch Alliance

A ajuda dos privados ao Programa Artemis…

A Directiva Espacial 1 da Casa Branca, “Moon to Mars”, fez chover um coro de críticas sobre a presidência dos Estados Unidos, e essas críticas têm estado relacionadas com alguma inabilidade política do Presidente Trump. Contudo a NASA é uma entidade com vida própria, e o seu alcance diplomático é muito superior ao do Presidente Trump. E a aposta no Programa Artemis é muito clara….

Recentemente um grupo de legisladores e veteranos ligados à indústria espacial vieram sugerir um prémio de US $ 2 bilhões para quem conseguir levar humanos à Lua primeiro, começando a construir uma base de operações ou posto avançado. Esta medida não só veio legitimar eventuais “reforços” futuros de capital de que a NASA necessite, como também veio acordar os privados como Elon Musk, que com a Starship têm forma de o fazer.

Há muito que os privados estão a receber contratos da NASA para entrega de carga, pelo que há muito que estão a desenvolver estratégias low cost para o fazer, como é o caso da SpaceX, Blue Origin, Draper, a Firefly, a Astrobotic, etc… O Programa Artemis (iniciar a colonização da Lua até 2024) é um sucesso a toda a prova, mesmo antes de acontecer. É o resultado do extenso braço “diplomático” e sobretudo económico da NASA…

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