Bigelow Habitat
Bigelow Habitat acoplado à ISS. Créditos: NASA.TV

O Programa Artemis (a ser concretizado até 2024) foi inicialmente visto como uma precipitação da Administração Trump, uma vez que seria impossível o estabelecimento de uma base lunar ou habitat antes de 2030. E assim sendo a meta de 2024 seria pura e simplesmente absurda…

Mas antes de 2024… E antes da NASA…

Para preservar a posição dos EUA na corrida espacial do século 21, o presidente Donald Trump decretou que a NASA enviasse astronautas americanos de volta à Lua até 2024, com o objectivo de estabelecer neste corpo celeste uma colónia que dê os primeiros passos na exploração dos riquíssimos recursos espaciais (tanto os lunares como através do redirecionamento de asteróides para a superficie da Lua). A questão é que Trump não é o interessado…

O timming apertado (ou não fosse um ambiente de corrida ou de “Gold Rush”), já levou um grupo de legisladores e veteranos da indústria espacial a propôr um prémio de US $ 2 bilhões, para auxiliar a meta estabelecida (2024) pela Directiva 1 de política espacial da Casa Branca.

Se a meta de Trump é ambiciosa, existem mais 5 entidades que se dizem tão ou mais preparadas do que a NASA para pousarem humanos e recursos roborizados na Lua, dando cumprimento à ambição de 2024: são elas a SpaceX de Elon Musk, a Blue Origin de Jeff Bezos, a European Space Agency, o consórcio Boeing/Lockheed Martin e Masten, e a Bigelow Aerospace.

Todas estas empresas têm meios próprios e detêm organizações capazes de pousar humanos na Lua, dispensando a colaboração da NASA ou de outras agências governamentais da área de Espaço…

Elon Musk com a Starship da SpaceX anunciou em Setembro de 2018 o nome do magnata da moda japonês Yusaku Maezawa, como o primeiro turista espacial da SpaceX a participar em 2023 no Loop Lunar. Só que no início de 2019, Musk anunciou que afinal esta “nave espacial” está feita para poder aterrar na Lua, e que por esta razão a SpaceX poderá vir a considerar a “comercialização completa” dos serviços de turismo lunares, e dentro de 3 anos.

Depois há a Blue Origin. Todos já viram de certeza os foguetões da Blue Origin a abastecer a International Space Station (Estação Espacial Internacional), que se encontra a 550 km (sensivelmente) de altitude em relação ao planeta Terra.

Mas há foguetões e foguetões. O video que se segue é do super-foguetão com 95 metros de altura, o New Glenn, nos últimos testes. O New Glenn tem a capacidade de levar a bordo o também recentemente apresentado lander Blue Moon.

Este lander Blue Moon é movido a hidrogénio líquido (que existe em abundância na Lua) e tem uma força de impulsão de 10.000 libras (cerca de 4500 kg de força). Totalmente carregado com hidrogénio pesa 33.000 libras (14 970 Kg) e tem uma capacidade de carga até 6,5 toneladas, além de  estar projectado para transportar entre 2 a 4 astronautas.

Ora este lander pode colocar humanos na Lua antes de 2024, com o recurso ao New Glenn. Basicamente, Jeff Bezos o dono da Amazon e da Blue Origin, pode surpreender todos e fazê-lo. Não???

Jeff Bezos já assumiu na comunicação social a vontade de fazer um pouso lunar antes de 2023, numa rivalidade aberta com Elon Musk, o dono da SpaceX.

Depois há também o consórcio Boeing, Lockheed Martin e Masten. E este consórcio é importante por uma razão chamada “Xeus Lander”.

Em 2006, a Boeing e a Lockheed Martin formaram um serviço de lançamento espacial chamado United Launch Alliance (ULA) para lançar satélites de vários tipos (clima, comunicação, segurança nacional, etc) para o governo dos EUA.

Em 2015 a esta joint-venture juntou-se a Masten Space Systems, especializada em tecnologia de pouso vertical. O objectivo desta entrada na ULA era o desenvolvimento de um módulo de pouso (um lander), que tivesse a capacidade de transportar 10 toneladas de carga útil. Embora este projecto tenha sido arquivado em Julho de 2018, esta pode ser uma solução de recurso a ser utilizada com o foguetão SLS-Moon ou com um Vulcan Centaur.

Avalie-se pelas declarações de David Masten quais eram as expectativas para o projecto Xeus Lander… Porque depois de tanto trabalho desenvolvido, os analistas internacionais consideram que a Masten pode ainda ter uma palavra a dizer…

E por fim há a Bigelow Aerospace, que é uma empresa do ramo da tecnologia espacial fundada em 1999, com sede em Las Vegas e pioneira em módulos de estações espaciais expansíveis.

Uma empresa “Wild”: a Bigelow Aerospace!

Não é possível falar na Bigelow Aerospace sem falar no seu fundador: Robert Bigelow.

Nascido em Maio de 1945 (portanto actualmente com 74 anos), Robert Bigelow é o dono da conhecida “low-cost” cadeia de hotéis norte-americanos “Budget Suites of America“.

Bigelow cresceu no Nevada, tendo assistido a cerca de 70 milhas da sua cidade a testes nucleares, quando tinha cerca de 12 anos. Entre as décadas de 1960 a 1990’s enriqueceu na área do imobiliário, ao ponto de ter fundado em 1995 o National Institute for Discovery Science, instituto este que tem pouco que ver com ciência mas sim com as suas paixões de sempre: ufologia, paranormal, mutilações de gado, triângulos pretos voadores, etc… Este instituto acabou por ser dissolvido em 2004…

Em 2013 Bigelow admitiu à imprensa que a razão pela qual se tinha começado a dedicar ao negócio imobiliário, era para obter os fundos necessários e a experiência necessária para vir a financiar uma equipa que pudesse desenvolver 2ambientes turísticos em localizações espaciais”…

Contudo em Maio de 2017, Bigelow apareceu no conhecido programa da CBS, 60 Minutes a defender de forma “pouco credível” as visitas de extraterrestres à Terra.

Também em Dezembro de 2017 o New York Times noticiou que Bigelow teria pressionado o Senador Harry Reid a fazer iniciar o Advanced Aviation Threat Identification Program, um estudo governamental que decorreu entre 2007 e 2012 dedicado ao estudo de OVNIS (Objectos Voadores Não-Identificados).

O facto de ter a credibilidade posta em causa, não arrasta consigo as brilhantes inovações da empresa Bigelow Aerospace, que vai ganhando um capital de excelência de dia para dia…

Bigelow means business!

Há 3 grandes entidades a desenvolver ambientes ou habitats para localizações espaciais. A ESA, que planeia construir a grande abóbada em 3D Print usando rególito lunar; a Foster + Partners cujas criações sobre Marte são sobejamente conhecidas (veja-se o vídeo seguinte)…

E por último a Bigelow Aerospace, com os seus habitats insufláveis…

Em primeiro lugar a Bigelow Aerospace já lançou no passado dois módulos espaciais experimentais: O Génesis I e o Génesis II, e a 8 de Abril de 2016 lançou o módulo BEAM que ficou a funcionar na ISS, e que é um habitat extensível que foi testado por astronautas.

O módulo BEAM significa Módulo de Atividade Expansível Bigelow (BEAM)… Comprimidos numa estrutura de fácil transporte, são posteriormente insuflados com oxigénio e nitrogénio aumentando substancialmente o seu tamanho e espaço útil.

O Habitat Bigelow já funcionou no Espaço e segundo Bigelow este tipo de módulos abre espaço para os “Space Hotels” do futuro…

Portanto não se enganem quando virem um senhor idoso como é Robert Bigelow, dizendo  as coisas que costuma dizer nas suas entrevistas: que não usa laptop e nunca teve e-mail, além de que acredita que os extraterrestres estão a viver entre nós… Os habitats Bigelow vão quase de certeza servir de suporte de vida na Missão Artemis em 2024. São estes os tipo de ambientes/habitats que começarão por ser utilizados num cenário de colonização da Lua. Aliás já estão a ser utilizados na Estação Espacial Internacional, como o vídeo seguinte mostra:

Portanto os habitats extensíveis Bigelow vão ser o trunfo na manga dos primeiros colonizadores, tanto nos Gateways lunares (albergando assim mais trabalhadores), como na Lua (eventualmente dentro de crateras e túneis de lava inactivos, ou no final da década de 30 em Marte.

A Bigelow Aerospace é um player espacial que vai sem sombra de dúvida estruturar o futuro do Espaço.

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