O mercado lunar anda agitado… E por isso vamos começar pelo princípio: o Google Lunar Xprize foi anunciado no final do Verão de 2007. Desta vez seria uma corrida à Lua, com um prémio de 30 milhões. E esta corrida acabou em 2018 sem vencedores.

Para relembrar, a Fundação X Prize, é administrada por Peter Diamandis, fundador e Presidente Executivo da Singularity University, e organiza corridas globais com a pretensão de que possam vir a originar “revoluções” tecnológicas! Desta vez o Google Lunar XPrize desafiou empresas privadas a pousar na Lua, colocando na sua superfície um rover que conseguisse percorrer uma distância de 500 metros e transmitir vídeo e imagens em HD, de volta para a Terra.

Quem quer ganhar 30 milhões?

Concorreram de início 33 equipas, sendo as mais conhecidas a AngelicVM (Chile) 🇨🇱, a Independence X (Malásia) 🇲🇾, a Omega Envoy (Estados Unidos da América) 🇺🇸, Team SpaceIL (Israel) 🇮🇱, Astrobotic (EUA) 🇺🇸, Team Indus (Índia) 🇮🇳, Part-Time Scientists (Alemanha) 🇩🇪, SpaceMeta (Brasil) 🇧🇷, Euroluna (Internacional) 🌍, Team Italia (Itália) 🇮🇹, Plan B (Canadá) 🇨🇦,  Stellar (Internacional) 🌎, Hakuto (Japão) 🇯🇵, Moon Express (EUA) 🇺🇸, Team Puli (Hungria) 🇭🇺, e Synergy Moon (Internacional) 🌎.

Umas desistiram a meio e outras fundiram-se, tendo chegado apenas 5 equipas ao final, das quais 3 continuaram a tentar concorrer entre si, mesmo depois do concurso ter acabado. São elas:

1.) A Moon Express;

 

2.) A Team INDUS;

3.) E por último a Team Hakuto, que hoje nos interessa para este artigo;

 

A Team Hakuto e o iSpace…

A empresa japonesa que estava no mercado antes de 2007, altura em que foi anunciado o Google Lunar XPrize, chamava-se White Label Space. Quando foi lançado o XPrize a White Label Space constituiu-se como Team Hakuto (ou simplesmente Hakuto), para participar na corrida.

Hakuto significa Coelho Branco, uma figura comum do Folklore asiático. Vimos aparecer o rover chinês da missão Chang’e 4 chamado YUTU (coelho branco, em chinês) e agora o rover Hakuto-R (coelho branco na versão japonesa – sem o “R”, é claro).

Esta figura mitológica deve-se ao facto de durante as gerações ancestrais na Ásia, os observadores da Lua terem reconhecido a forma de um coelho branco desenhado na Lua, tal como mostra a figura seguinte:

Créditos: Wikipédia Communs

Tanto quanto explicam os especialistas internacionais, a Team Hakuto – a equipa do Coelho Branco, queria financiar a missão lunar através de parcerias publicitárias, patrocínios de grandes empresas, principalmente do Japão mas não só. Para isto a equipa terá gozado da sua experiência internacional, uma vez que a Hakuto foi fundada na Holanda e só mais tarde se mudou para o Japão.

Sabemos que em vários momentos durante a corrida, a Hakuto se aliou a outros concorrentes como a Astrobotic ou posteriormente a Team Indus. Mesmo em cima da “meta” temporal para o fim deste concurso, a Hakuto negociou com a indiana Team Indus para que os seus rovers voassem conjuntamente para a Lua, usando o mesmo foguetão Atlas V, e depois de desembarcarem é que começaria a verdadeira corrida (ganharia o primeiro a percorrer os 500 metros e a enviar imagens de video HD de volta para a Terra. Infelizmente o concurso acabou sem vencedores…

Mas sem vencedores, nem sempre é mau…

E não é mau porque esta corrida demorou 11 anos. E durante esses 11 anos a equipa tornou-se coesa e forte. É assim que nasce a iSpace, uma empresa que se fundou com vista à exploração lunar.

A iSpace é hoje em dia uma startup com objectivos mais arrojados. Logo em Setembro de 2018 a iSpace anunciou parcerias com a SpaceX, através da utilização do Falcon 9, para 2020 e 2021.

“Partilhamos a visão da SpaceX, de permitir que os humanos vivam no espaço, por isso estamos muito felizes por eles se juntarem a nós nesta primeira etapa de nossa jornada”, disse então o fundador e CEO da iSpace, Takeshi Hakamada, em comunicado.

Também a influente presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, afirmou na altura que “Estamos a entrar numa nova era da exploração espacial, e a SpaceX orgulha-se de ter sido selecionada pela iSpace para lançar suas primeiras missões lunares. Estamos ansiosos para entregar este lander inovador na Lua.”

Nessa altura a ideia era entregar o Hakuto-Reboot, ou Hakuto-R (resumindo), numa demonstração de tecnologia que ultrapassaria os 90 milhões. Esta seria a primeira fase do programa espacial da iSpace.

Estava também planeada uma segunda fase, em que a iSpace pretendia desenvolver um serviço de transporte lunar robotizado,  e usar estes veículos espaciais para identificar e  recursos disponíveis, como por exemplo o gelo de água.

Mas agora a iSpace mudou as suas prioridades…

E mudou as suas prioridades porque a corrida da Humanidade à Lua, está a ferver. E portanto cancelaram a missão do rover “coelho branco”, o Hakuto-R. Nesta altura deixou de interessar fazer demonstrações de tecnologia com vista a angariar investidores.

A verdade é que o Programa Artemis, bem com a expectativa mundial do seu sucesso (pelo menos para aqueles que percebem e acompanham os assuntos relacionados com Espaço), levou a iSpace a reequacionar a sua posição no mercado. Por isso foi anunciado um pouso directo (um lander lunar) em 2021 e a implantação de um veículo de exploração de superfície até 2023.

Uma Arena Lunar: a “luta” pelos recursos

Apesar da Lua estar 384 400 km da Terra, e ser um ambiente completamente hostil (sem atmosfera e sujeito aos contínuos embates de asteróides e meteoritos), encerra em si mesma uma enorme riqueza, não só pela quantidade de Helio-3 – contendo milhares de milhões de toneladas), como também de metal sob a superfície (anomalia de Shackleton, por exemplo) – como também de gelo de água (oxigénio para respirar e hidrogénio para propulsão de foguetões), ou pela capacidade de se poder recolher energia renovável em grande escala, através de paneis solares.

Assim sendo a Lua é a base de operações ideal para construir naves espaciais em ambiente de gravidade reduzida e em maior escala, bem como uma Moon Village ou ponto avançado de exploração.

Por esta razão a equipa japonesa da iSpace começou a sentir a influência geo-estratégica da China com a missão Chang’e 4 e da Índia com a missão Chandrayaan, influência essa que se fez repercutir por todo o Oriente, na área de Espaço. Mas também pela emergência do programa Serviços Comerciais de Carga Lunar (CLPS), dos EUA que visa alimentar o sucesso do Programa Artemis (ir à Lua em 2024, para ficar).

De facto, é uma corrida que está por todo o mundo. Ainda recentemente a SpaceX lançou o satélite de comunicações indonésio Nusantara Satu, tendo lançado nessa missão como carga secundária o lander lunar Beresheet, que infelizmente se acabou por despenhar na Lua.

A aproximação da iSpace à NASA…

Com a experiência de negociação que a iSpace ganhou durante o Google Lunar XPrize, quando o mercado começou a dar sinais de um interesse generalizado na Lua, a iSpace uniu forças com a Draper, uma das empresas seleccionadas pela NASA para entrega de carga lunar. Esta parceria vem a propósito da primeira missão de pouso em 2021, e tem como objectivo atender às diversas solicitações de mercado e às necessidade da NASA, tal como explicou o CEO da iSpace a quando do anúncio da parceria.

A iSpace não ficou contudo por aqui… Como deseja assumir-se como parceira da NASA na exploração lunar, anunciou também uma parceria com a Suzuki Motors, que ficará encarregue da análise estrutural da sonda de 2021, e com a Citizen Watch, uma marca de relógios com cerca de 100 anos de antiguidade, que se especializou na área do Super Titanium, e deverá fabricar os componentes para a missão de 2021.

Resta saber quem ganhará esta corrida: se a equipa do “Coelho Branco”, ou se alguma “tartaruga” de quem ainda não ouvimos falar, e que vai desenvolvendo a sua tecnologia lentamente até nos surpreender a todos.

 

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