A Austrália tem nos últimos anos olhado o Espaço como um domínio de interesse crescente. O seu programa espacial é um exemplo de inovação, independência e excelência, desejando ter mais do que apenas estações terrestres e não se deixando enredar em processos burocráticos e regulatórios. A Austrália tem lutado por ter uma  capacidade espacial soberana, e esse é um assunto interessante para conhecer.

Depois da crise das ASAT’s (teste de armas anti-satélite), o mundo começou a virar-se para o New Space ou Espaço 2.0, utilizando técnicas inovadoras de exploração (principalmente através da utilização de CubeSats) – basicamente pequenos satélites em forma de cubo, alimentados a energia solar, que usam componentes eletrónicos simples e que diferem dos tradicionais satélites no seu tamanho, sendo mais responsivos e competentes no tratamento de dados.

De facto o primeiro CubeSat a ser concebido, e que foi desenvolvido por Jordi Puig-Suari da California Polytechnic State University, tinha como objectivo mostrar aos alunos de Doutoramento como um satélite miniatura (muito mais pequeno e leve) era capaz de imitar o Sputnik: um satélite artificial soviético, concebido para estudar a capacidade de lançamento de cargas úteis para no Espaço, e para avaliar os efeitos da ausência de peso e da radiação sobre os organismos vivos um vez em órbita.

E porque o Espaço é o New Space, a Austrália tentou perceber o seu possível enquadramento antes de se lançar em aventuras. Por esta razão, a concepção do alcance da Agência Espacial australiana baseou-se (entre outras fontes) nas conclusões do relatório ASPI (da Australian Strategic Policy Institute).

Apesar do autor deste estudo, o Dr. Malcolm Davis, ser analista estratégico sénior e portanto muito ligado a questões de Defesa, as suas conclusões por brilhantes que tenham sido, são de certa forma previsíveis para os analistas internacionais. Ou seja, os sucessivos alertas deixados pela área de Intelligence dos EUA, de que os adversários dos Aliados (constituídos pelos EUA, Europa, Austrália, etc) poderiam estar a desenvolver armas de contra-Espaço, com capacidade para desabilitarem os satélites norte-americanos, provocando a negação de serviços (espaciais claro, como o GPS), e colocando a Austrália numa posição de excessiva dependência estratégica, ultrapassava os limites da tradicional cooperação.

Porque numa situação de crise a Austrália poderia ficar numa posição de fragilidade, e porque o Espaço passou de santuário orbital para um domínio congestionado e complexo (starlink, síndrome de Kessler, etc), a agência desejou desde o início ser o mais independente possível nos seus objectivos.

Simplificando… Vamos a um exemplo!

Estas são as declarações do Presidente Trump anunciando que seria muito simples “to blow up Iran”! “Rebentar o Irão”, são declarações contundentes. No entanto se os EUA partissem para a ofensiva, ou seja no caso de um cenário de guerra, as implicações políticas seriam bastante complexas. E porquê?

Em 1941 a União Soviética invadiu o Irão, e actualmente o Irão partilha fronteiras com a Arménia, Azerbaijão, e Turcomenistão (ou seja, estados de influência russa). Por esta razão o Irão e a Rússia mantêm relações geo-políticas, que vieram a reforçar-se progressivamente após a invasão do Irão. Assim, foi uma questão de tempo até a União Económica da Eurásia, com o consentimento e indicação da Rússia, convidasse o Irão a juntar-se a esta união económica.

Portanto se os Estados Unidos da América atacassem o Irão, no melhor dos cenários essa acção provocaria uma enorme instabilidade nas relações diplomáticas entre os EUA e a Rússia. E mais, no caso de ataque, os mísseis são guiados por satélite. A melhor forma de interromper um ataque bem-sucedido, com a eficácia daqueles que foram levados a cabo na Guerra do Iraque, é através da utilização do Contra-Espaço, nomeadamente através da destruição, hacking, jamming, etc, dos satélites norte-americanos (que são partilhados pelos Aliados).

Estando o nosso sistema financeiro completamente baseado em tecnologias via satélite, um ataque de contra-Espaço seria também um rude golpe na capacidade económica das economias delas dependentes. Em resumo, a utilização do contra-Espaço seria catastrófica para a eficácia militar, provocando a incapacidade de realizar operações conjuntas, além de que seria um ataque/resposta directo, à economia dos países Aliados.

A busca pela capacidade espacial soberana (australiana).

A procura pela capacidade espacial soberana é uma consequência lógica do advento do New Space, ou Espaço 2.0: as reduções de custos para um nível muito mais barato do que os tradicionais satélites, e a diminuição progressiva no preço dos lançadores (foguetões), que hoje em dia podem ser impressos em 3D Printing, levou à consciencialização das nações para a importância do Espaço.

A Austrália já lançou o recentemente desenvolvido Buccaneer CubeSat, utilizado para calibrar a Rede Operacional de Radar Jindalee, bem como desenvolveu três CubeSats para a RAAF assumir as funções de ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento).

A tecnologia de foguetes reutilizáveis, como os da SpaceX, tem reduzido drasticamente o custo de lançar cargas úteis, e por todo o mundo assistimos ao lançamento de veículos pequenos e lançadores de satélite dispensáveis (como por exemplo o Electron), desenvolvidos pela americana Rocket Lab, e que tiveram sucesso por exemplo na Nova Zelândia.

Também a abertura de um SpacePort pela Equatorial Launch Australia, enquanto a Gilmour Space Technology desenvolveu o veículo de lançamento da classe orbital Eris.

Existe neste programa espacial uma componente de dissuasão, uma vez que os CubeSats são muito mais baratos de construir e até pelo seu tamanho, são muitíssimo mais difíceis de atacar, pelo que soluções assentes em constelações de satélites são também muito mais seguras e confiáveis.

As medidas de política espacial da Austrália contribuem significativamente para a resiliência dos Programas Espaciais da Humanidade, e para auto-suficiência das nações.

A Austrália, durante a crise do “Fire and Fury”, com a Coreia do Norte…

Nem toda a gente reparou mas durante a crise entre os EUA e a Coreia do Norte, a Austrália testou o primeiro lançador de concepção nacional, tendo assim marcado a sua presença na indústria aeroespacial global.

O novo motor deste lançador é inovador nos seus dois recursos exclusivos. Primeiro, ele tem um design de “aerospike”, marcadamente diferente das configurações em forma de sino dos foguetões comuns. E em segundo lugar, toda a montagem foi feita usando uma impressora 3D.

Este foguetão foi criado por engenheiros da Universidade Monash (australiana), a pedido de uma empresa afiliada à universidade, a Amaero, que foi criada há pouco mais que 3 anos para aproveitar o trabalho pioneiro da universidade em motores a jato de impressão 3D.

Novidades da agência espacial da Austrália!

Sem perder tempo, foi anunciado esta semana pelo primeiro-ministro australiano Scott Morrison a intenção da Austrália de se juntar ao programa de exploração “Moon to Mars” dos Estados Unidos, incluindo já com uma participação no na conquista lunar, com o programa Artemis da NASA, em 2024.

O anúncio ocorreu numa cerimónia no sábado na sede da NASA em Washington, durante a qual o vice-administrador da NASA, Jim Morhard, e o chefe da Agência Espacial Australiana, Megan Clark, assinaram uma declaração conjunta de intenções. O secretário de Comércio Wilbur Ross, o embaixador australiano nos Estados Unidos Joe Hockey, e o embaixador dos EUA na Austrália Arthur Culvahouse Jr. também participaram nesta cerimónia.

A Austrália neste evento prometeu mais do que o triplo do orçamento da Agência Espacial Australiana para apoiar o programa “Artemis” e o “Moon to Mars”, sendo o objectivo estabelecer postos de exploração sustentáveis até 2028.

Um ano depois de desenvolver os seus próprios lançadores, a Austrália entra na Gold Rush com toda a força!

***IMPORTANTE***

Não se esqueça de ajudar o Bit2Geek a crescer nas redes sociais, para termos mais colaboradores e mais conteúdo, 👍? A sua ajuda muda tudo!

 

***E clique em baixo para saber mais sobre veículos do “outro mundo”…

Rodas reconfiguráveis já existem, e podem ser boas para outros planetas.