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O que poderemos destacar nas Capturas desta semana? Ilustrações originais de Miyazaki. Porque é que vale a pena ler ficção científica. O espanto visual de Blood Machines. A colorização (será maravilha, será heresia?) de Metropolis. A dicotomia política entre Star Trek Star Wars. Retrofuturismos. O algoritmo que recria pinturas perdidas de Picasso. Recorda os screensavers clássicos do Windows (quem usa macs nunca irá perceber o encanto). O mundo virtual 3D do Facebook. Top Gun ao estilo paquistanês. Os previsíveis efeitos negativos da diretiva europeia dos direitos de autor. Estas, e outras leituras, para aproveitar um feriado que calha num malfado dia, porque sábado já é dia de desacelerar. Só mostra que o real não é artificial, embora esteja cada vez mais virtualizado.

Da Vaidade

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Maker Spotlight: Artur Coelho: Perdoem-me o toque vanitas, vanitatum, mas não é todos os dias que abrimos o blog da Make: e deparamos com a nossa cara. Este ano vou levar o meu projeto educativo As TIC em 3D à Maker Faire Rome, representando a minha escola no maior evento maker europeu. A Make: fez-me umas perguntas, e acho que passei no exame

Do Imaginário

Miyazaki: Digging into the Subconscious: Não tenho muito a dizer. Apenas 💖 (mostrei o Totoro a alunos meus recentemente. Inexplicavelmente, uma achou-o algo creepy).

‘The Orville’: la serie del creador de ‘Padre de Familia’ que es un sensacional homenaje a ‘Star Trek’ y su legado: Nunca me canso de repetir. A par com Expanse, The Orville é das séries de ficção científica televisiva mais interessantes da atualidade.

Back to Watchmen and Batman With Tom King: Porque é que estou a destacar esta notícia? Para sublinhar o absurdo desperdício que é a finalização antecipada da temporada de Tom King à frente de batman. A sua capacidade narrativa é genial, com um ritmo de leitura incrível, e tem-se atrevido a questionar profundamente o personagem. Esta sua run é das mais marcantes que conheço, e se a DC não a tentar esquecer, será uma das que define a continuidade de Batman.

Jack Kirby’s Star Wars: Colocar Jack Kirby a ilustrar Star Wars tem destas. O seu estilo gráfico não estava muito dentro do cânone limpo da série.

Is science fiction past its sell-by date?: Oh boy, belíssimo takedown de dois conceitos falaciosos, o if it walks like a duck and quacks like a duck, não é um pato porque “respectable authors don’t write and discerning readers don’t read” patos; e “o não precisamos de FC porque vivemos na era em que a FC é facto” (que é daquelas ideias irritantemente epocalistas). E termina assim: “Genre SF remains the only form of literature that takes seriously, and takes to heart, the universe of non-human nature that science has discovered. Its readers get from it a particular kick, a bite, that they don’t get anywhere else. The world still needs that smack upside the head from the infinite reality beyond human affairs”. Na imortal expressão de Stan Lee, ’nuff said.

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“Servicing Hubble” by John Solie for the NASA Art Program, 1994: Saudades dos tempos do Vai-Vém espacial.

Mr. Robot Creator Sam Esmail Is Rebooting Battlestar Galactica | #SciFiSunday: Isto é uma boa notícia? Não. Por muito que Galactica seja divertida, é essencialmente uma variação sob uma série clássica. E enquanto se investe em reboots de criatividade artificial, não se investe em séries originais que se tornem os futuros marcos culturais que Galactica e Star Wars são hoje.

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Dreaming of Mars in vintage concept art from the collection of @SDASM: É preciso justificar ou explicar?

Memory: The Origins of Alien Dives Deeper Into a Classic Than You Could Possibly Imagine: Daqueles clássicos intemporais, Alien é um daqueles filmes que não perde a força com o passar do tempo, nem com a sucessão de sequelas e prequelas que oscilam entre o mau e o patético. Por vezes, é melhor não continuar uma boa história.

Robert McCall: Ok, certo, muito giro, mas vivemos no futuro e as cidades continuam a não ser assim.

‘Blood Machines’ es el nuevo delirio hiper-ochentero de Carpenter Brut, el señor oscuro del synthwave: Se me perguntarem qual o melhor filme que vi no Motelx deste ano… claro que foi este genial delírio psicadélico, que me fez pensar tanto, tanto, no rebento cyberpunk de uma união blasfema entre Jodorowsky e Druillet. Um visual assombroso, imagens de um surrealismo barroco, e um estilo de space opera seventies que eu já não julgava ser possível.

MetropolisRemix: Metropolis (1927) Colorized & Dubbed: Sinceramente não sei o que pensar sobre isto. Por um lado, é uma visão inesperada sobre um filme fundamental da história do cinema e da ficção científica. Por outro, Metropolis é um filme que se solidificou na cultura global pelos seus cenários do futuro a preto e branco. Mas suspeito que Lang o teria filmado a cores, se dispusesse dos meios técnicos.

martinlkennedy: Morris Scott Dollens was a prolific writer and…: Há uma certa inocência perdida nas cores garridas destas ilustrações clássicas.

Balada por Sophie – Novo livro de Melo e Cavia em 2020: Uma excelente notícia para os leitores de banda desenhada, numa edição que promete.

No vivimos en ‘Futurama’, pero casi: siete inventos de la serie que parecían una locura pero se han hecho realidad: Mais do que eventual preditor de tecnologias, Futurama foi uma daquelas séries perfeitas. Mordaz no seu retrofuturismo assumido, e limitada no tempo, sem se prolongar até à irrelevância.

To Boldly Go with the Force: Popular Culture as Political Discourse: Star Trek vs. Star Wars é bem mais do que uma discussão de Geeks sobre naves ou personagens. São duas visões em oposição: a fé no poder do liberalismo assente em instituições fortes, capaz de trazer prosperidade, igualdade e futuro positivista a todos de Gene Roddenberry, e o olhar mais desencantado de George Lucas, que vê instituições como instrumentos ao serviço de corruptos com sede de poder, e uma fé no potencial de liderança de alguns indivíduos. As bases destes dois universos ficcionais mostram visões sobre o presente e o futuro onde os ideais políticos são centrais.

Marvel Stopped the Presses to Remove Mark Waid’s Captain America Essay From Marvel Comics #1000: Quando um bilionário trumpista dono da maior editora de comics se chateia com uma visão política que lhe é inconveniente, é literalmente um pára tudo. Mais um pormenor da interferência ideológica nepotista na cultura pop a que temos assistido nos últimos tempos. E creio que nisto todos concordamos, independentemente de que lado ideológico estejamos. O verdadeiro problema desta história está na censura ativa de um ponto de vista por alguém com outra visão, que usa o seu poder financeiro para censurar aquilo que não aprecia. Isso é inaceitável nos dias de hoje. Aliás, sempre o foi.

Alguém Precisa Ver Uns Filmes de Kurosawa: Francamente, duvido que realismo e retrato cultural rigoroso de época tenham sido preocupações dos produtores de 47 Ronin.

Kieron Gillen Opens Up About Once & Future’s Mythical Exploration of British Identity: Um comic onde o mito do rei Artur, que dorme numa sepultura perdida à espera de acordar na hora mais negra de Inglaterra, é revisto como uma força demoníaca ao serviço do nacionalismo xenófobo violento. Daqueles que irá levantar sobrancelhas e granjear inimizades aos seus autores.

Tecnologia e Modernidade

BruceS: O MacBook original versus o de hoje.

Video: Ars talks Civilization with the man himself: Sid Meier: Se houve jogo que me fez passar horas à frente do ecrã, foi esta obra marcante de Sid Meier.

No todo lo pasado fue mejor… y lo sabes: la tecnología de antes no molaba: Bem, o Xataka a falar de tecnologias antigas é cada tiro cada melro na asneira. É redutor olhar para uma tecnologia obsoleta apontando o dedo e dizendo ainda bem que já não temos que usar isto. Pois, isso é óbvio, mas aqueles objetos hoje ridicularizados formam as tecnologias desejadas do seu tempo. Há um tempo para tudo, e passado obsoleto já foi em tempos um futuro luminoso. Não perceber isto é óbvia falta de visão histórica.

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This Picasso painting had never been seen before. Until a neural network painted it.: Um uso interessante de Inteligência Artificial na história de arte, usar algoritmos de transferência de estilo para analisar e recriar elementos perdidos da obra de artistas plásticos.

Boeing MQ-25 Stingray Carrier-Based Aerial Refueling Drone flies for the first time: Este drone aeronaval já passou por várias encarnações. Começou por ser um projeto de aeronave de combate autónoma, mas o conceito interferiu com a mentalidade top gun. Voa agora como aeronave sem piloto para reabastecimento.

This Nightmare Game Was Designed by a Dentist in MS Paint: Para aqueles que são acometidos por pesadelos sobre dentistas sádicos, brocas e falta de anestesia, este é um projeto algo arrepiante. Mas muito interessante, especialmente por mostrar que mesmo com meios rudimentares se conseguem criar excelentes produtos multimédia. O foco está na capacidade imaginativa.

Here’s How Google Sends Advertising Dollars to Fake News Sites: A relação incómoda entre a publicidade e os sites de notícias falsas. No fundo, são os algoritmos de leilão de anúncios que ajudam a financiar sites que outros setores da Internet combatem ativamente.

Nerd,’ ‘Nonsmoker,’ ‘Wrongdoer’: How Might A.I. Label You?: Um projeto artístico que usa bancos de imagens e bases de etiquetas sublinha que os dados com que treinamos a inteligência artificial pode ser facilmente enviesados.

Week in Review: Is a new golden age of piracy around the corner?: A pirataria aparece quando os meios tradicionais de consumo de media se tornam empecilhos. Vivemos na era dourada da escrita para televisão, as séries excelentes multiplicam-se, mas a vontade dos telespetadores esbarra no progressivo crescimento do serviços de streaming com conteúdos exclusivos. Tendo em conta o preço de aderir a todos os serviços, a oração a S. Torrente a acaba por ser a solução mais lógica.

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Windows 3.1 Screensavers, Now On Twitter: Utilizadores veteranos do Windows poderão mergulhar na nostalgia com esta coleção de screensavers clássicos. Porque houve uma altura em que era cool ter tostadeiras com asas no ecrã do computador.

The Ifs: así son los robots para aprender a programar desde los tres años sin pantallas ni cables: Descobri este projeto espanhol de programação tangível para crianças na Maker Faire Rome no ano passado, e é bom saber que evoluiu da fase de protótipo. Estes kits de programação são uma delícia.

Facebook announces Horizon, a VR massive-multiplayer world: Confesso que não percebo a perenidade dos mundos virtuais 3D semi-imersivos (e parte da minha tese de mestrado tocou nesse tema). O Facebook tem feito umas coisas nos mundos virtuais, mas a metáfora continua a ser a mesma de sempre, chatrooms, avatares 3D, espaços virtuais. Ao mesmo tempo fascinante e redutor. O conceito em si não é novidade, os veteranos dos metaversos recordam os mundos VRML, o Second Life (acho que ainda existe), o OpenSim, e os múltiplos clones falhados de empresas que investiram no nosso fascínio por mundos de fantasia. Agora é a vez do Facebook. Se não tivesse assistido à ascenção e queda de tanto mundo virtual, até poderia ficar entusiasmado.

Computing and artificial intelligence: Humanistic perspectives from MIT: ética e uma maior transparência sobre os black box algorithms, é o tema comum a estas visões de diferentes académicos sobre qual deverá ser o objeto principal de estudo de um novo centro do MIT dedicado à inteligência artificial.

A guided tour of Dublin’s physical Internet infrastructure: Esquecemos que a Internet é tangível. Para suportar os bits que sustentam o virtual, existe uma enorme infraestrutura de cablagens submarinas e subterrâneas, centros de ligação e quintas de servidores. Este projeto artístico irlandês mostra os locais anónimos onde o virtual assume forma física em Dublin, um dos epicentros da economia digital.

Why Would You Want to Picture It – On being a vector inside a neural network: Arte como uma forma de compreender a inteligência artificial. Este projeto olha para dentro de um algoritmo, mostrando os percursos de um vetor ao longo do processo de decisão.

A.I.nktober: A neural net creates drawing prompts: Se estão sem ideias para desenhar no Inktober (uma iniciativa informal de um desenho por dia durante o mês de outubro), porque não deixar que um algoritmo de Inteligência Artificial vos dê temas?

THE PROBLEM WITH DIGITAL COMPUTERS: Essencialmente, as representações matemáticas, por completas e complexas que sejam, não passam de aproximações que nunca conseguiram traduzir toda a complexidade dos fenómenos.

Researchers Are Using Artificial Intelligence to Reconstruct Ancient Games: Poderemos nunca conhecer as regras exatas dos jogos antigos descobertos em vestígios arqueológicos, mas utilizando inteligência artificial, poderemos inferir como se teriam jogado. Redescobrir jogos de civilizações perdidas tem o seu quê de humanismo profundo, permite empatizar com pessoas que viveram há milénios e que, fundamentalmente, talvez não tenham sido assim tão diferentes de nós. Amavam, sofriam, ficavam alegres, tinham as suas mesquinhices, e sempre que podiam divertiram-se com uma partida do seu jogo favorito.

Do Artificial ao Tangível na Modernidade

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Going underground: the rise of Europe’s metro railways: Um bocadinho de história para alimentar o fascínio com os mundos subterrâneos, nesta coleção Europeana dedicada aos metropolitanos europeus.

How Blake Kathryn pulls futuristic 3D dreamscapes from her subconscious: Nada como um toque de psicadelismo digital.

In Case You Didn’t Know, There Exists A Pakistani “Top Gun” Movie Featuring PAF JF-17 Thunders vs IAF Mirage 2000s: Na verdade, um filme sobre duelos entre JF-17 (essencialmente um Mig shanzai) e Mirage é algo de deliciosamente retro nos dias dos caças de quinta geração. E, na volátil fronteira indo-paquistanesa, estes caças high tech dos anos 80 cruzam-se regularmente. Mas aposto que ficaram curiosos logo no pakistani Top Gun. As imagens não são nada más, pena serem CGI bastante artificial.

Masterpiece by 13th century Italian painter Cimabue found in French woman’s kitchen: Incrível como ainda hoje é possível fazer descobertas destas.

The Highest Suicide Rate in the World: A rápida é forçada adaptação de um povo à modernidade traz consequências fatais. A colisão entre mundo moderno e tradições milenares, complicada por um historial de violência e rejeição forçada de culturas e geografias ancestrais, causaram um dano tremendo ao povo Inuit que ainda hoje perdura.

Gallery: SpaceX’s Starship Mk1 spacecraft prototype in pictures: Ainda não consegui perceber se o design retro da Starship da SpaceX é um preciosismo visual ou um conceito funcional. O que sobressai é a fortíssima homenagem ao visual clássico da Ficção Científica.

The Wildly Appealing, Totally Doomed Future of Work: Não, este artigo não é sobre o iminente desastre laboral trazido pela IA. Lê-se como um elogio subtil a uma empresa específica, mas tem pistas curiosas. Parte da evolução empresarial tem passado pela sucessiva subcontratação como serviços de elementos anteriormente considerados fundamentais, da infraestrutura digital aos funcionários, até ao ponto em que o próprio espaço físico de trabalho se pode tornar mais um serviço artificial e externalizado.

We Are on the Cusp of a Revolution in Spaceflight: Most People are Unaware: O efeito SpaceX, baixar o custo do acesso à órbita, e mostrar que o espaço não tem de ser o domínio das instituições académicas e governamentais.

After the passage of the EU Copyright Directive, Google nukes Google News France: Não há surpresas aqui. Todos foram avisados de quais seriam os efeitos da aplicação dos piores artigos da diretiva europeia sobre direitos de autor. E se vêem aqui uma oportunidade para os serviços de informação assumirem um papel mais destacado na economia digital, desenganem-se. A sua sustentabilidade é assegurada por tráfego, e sem agregadores, ou partilhas, ninguém vai site a site ler as notícias. Mas há coisas mais sinistras nesta primeira implementação da diretiva em França: a transposição legislativa “opted for a very restrictive “link tax” rule that gives news sites a veto over who may criticise their works and the right to charge for the privilege”. Ou seja, para além do argumento financeiro ainda inclui um moral (daquele moralismo artificial danoso), um “se publicares algo sobre mim que eu não gosto posso recusar-me a que referencies com hiperligações tudo o que faço”. O que é um ataque direto ao princípio da liberdade de informação.

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Pode o robot L3-37 do “Star Wars Tale”, ganhar vida??? Quando?

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.