A 16 de julho de 2019 foi emitida uma minuta, o Apêndice K,  com vista a solicitar propostas de entidades comerciais dos Estados Unidos (EUA), para firmar uma parceria público-privada de desenvolvimento e demonstração de tecnologias para um mercado de destinos na LEO (Low Earth Orbit). Com esta medida resumidamente, a NASA pretende estabelecer um plano de habitabilidade sustentável na órbita baixa da Terra, e estabelecer com apoio da Agência, um mercado de voos espaciais que possa alimentar esta iniciativa (e da qual a própria NASA possa também ser cliente).

Simplificando: o nome pomposo da medida Commercial Destination Development in Low Earth Orbit (LEO) Free Flyer, é um pedido de criação de instalações espaciais em órbita baixa da Terra, pedindo à Indústria Espacial norte-americana que a sustente, estabelecendo para isso um plano de voos regulares que permita a manutenção destas instalações espaciais.

A versão final deste documento será apresentada a 18 de Novembro e funciona como uma espécie de “elevador espacial”, para rapidamente levar pessoas e eventualmente mercadoria para a órbita da Terra, e mantê-las em órbita segura temporariamente.

“A NASA procura habilitar vários destinos de propriedade e operação privados na LEO que são comercialmente viáveis ​​a longo prazo, fornecendo serviços ao governo como um dos muitos clientes”, afirma a minuta da solicitação.

NextSTEP K será o princípio do “cada um por si”…

Esta espécie de “elevador espacial”, ainda que não anunciado enquanto tal, parece ser de facto um dos programas paralelos ao Programa Artemis (colonização da Lua em 2024 – “ir para ficar”). E há vários motivos para isso:

Em primeiro lugar o prazo de validade dos materiais da ISS – Estação Espacial Internacional estaria avaliada para 2020, sendo que o prazo foi estendido até 2028. Já vimos nas notícias este problema da integridade dos materiais da ISS, e os EUA têm que encontrar uma solução alternativa, uma vez que têm o Artemis a decorrer.

O NextStep é também uma forma de financiamento alternativo, uma vez que só há 9 empresas que podem fazer entregas de carga espacial, e essas são todas parceiras da NASA no Programa Artemis. Se houver milionários (da EUA ou do estrangeiro) a pagar para utilizar estas instalações, ou mesmo outras agências que fiquem impossibilitadas de usar a ISS após a sua destruição no Pacífico, isto é o mesmo que dizer que de certa forma a NASA está com esta medida a auto financiar-se…

A vontade de abandonar a ISS e procurar alternativas é há muito tempo falada, até pelos piores motivos (as jogadas da Administração Trump), quando se sabe já que em 2028 (talvez até à década de 30) estará em risco de manutenção pela durabilidade dos materiais. Contudo, o NextStep prevê inicialmente a junção de módulos comerciais à ISS, pelo que não se percebe com estes avanços e recuos se a NASA ainda prevê uma reformulação, “revamp” ou reaproveitamento da ISS. Uma ideia permanece clara no entanto: a NASA deseja alargar o espectro de habitabilidade em LEO (Low Earth Orbit), através do aumento do portfólio de estações espaciais.

E pode até significar uma última coisa. A Gold Rush lunar, a fúria por chegar primeiro à Lua, para ficar com uma posição privilegiada com a da Shackleton Crater (ver a nossa explicação sobre este assunto, neste artigo), pode estar a resultar no abandono do projecto Lunar Gateway, em detrimento da construção imediata de uma base lunar e da instalação de “Relay Beacons” que permitam descartar uma estação de apoio como o Lunar Gateway.

De facto esta ideia tem sido amplamente desenvolvida pelo fundador da Mars Society, Dr. Robert Zubrin, em publicações públicas que de certa forma embaraçam a NASA…

Com a medida NextStep a NASA espera gastar US $ 561 milhões até o ano fiscal de 2024, para incentivar este mercado de LEO. E para isso a NASA solicitou US $ 150 milhões para o seu esforço geral de comercialização da LEO, na sua proposta de orçamento para 2020. Esta determinação aparece como uma surpresa, uma vez que a versão inicial do Senado de um projeto de lei de dotações para a NASA, aprovada pelo Comité de Apropriações do Senado em 26 de setembro, inclua apenas US $ 15 milhões para esse trabalho.

Com estes 561 milhões a serem utilizados como incentivos e também como um verdadeiro sistema de prémios para a Indústria Espacial norte-americana, caso este sistema seja de facto desenvolvido com sucesso (e apesar de haver incentivos destinados aos módulos comerciais da ISS), deixa pura e simplesmente de haver razão para a NASA continuar a utilizar a Estação Espacial Internacional.

Nessa altura a NASA irá dispor de todo um mercado (norte-americano, ainda por cima) em LEO, para apoiar o tráfego lunar certamente, e não só. A Directiva 1 da Política Espacial da Casa Branca, que pretende afirmar a preponderância dos EUA no Espaço, está a ser reforçada dia-a-dia!

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