Cada vez mais se fala no Turismo Espacial, e a Virgin Galactic, a companhia de Sir Richard Branson, aparece sempre ao lado dos principais players (que são também parceiros da NASA), a SpaceX e a Blue Origin. Até ao momento a Virgin Galactic recebeu cerca de US $ 80 milhões em depósitos de futuros astronautas, que estão dispostos a pagar US $ 250.000 por um voo de 90 minutos. A companhia afirma que pode treinar uma pessoa para ir dar um passeio no Espaço em três dias de treinos intensivos.

Mas será que algo mais interessante se esconde atrás da “bandeira” do turismo espacial “só para milionários”? Vejamos o histórico desta empresa…

A empresa Virgin Galactic.

A Virgin Galactic é uma empresa de voos suborbitais. Entende-se por voo suborbital a trajectória de uma nave espacial que atinja no seu apogeu o Espaço, ou seja que ultrapasse a Linha Karman ou limite do Espaço, que foi convencionado pela Federação Aeronáutica Internacional como sendo a linha dos 100 Km acima do planeta Terra. Além disso, para que seja considerado um voo suborbital, a nave espacial deve permanecer em órbita da Terra acima dessa altitude pelo menos durante uma órbita, o que implica que a velocidade necessária para o fazer é de 7,8 Km/segundo.

Com estes requisitos, de entre os veículos tripulados que já o conseguiram, destacamos o North American X-15 e a SpaceShipOne. E dos não-tripulados os ICBM’s (Intercontinental Ballistic Missile) ou os foguetões de sondagem (ou foguetões sonda).

Lembramos aqui que o principal produto da Virgin Galactic é a SpaceShipTwo, e que um dos primeiros veículos a atingir a Linha Karman foi a SpaceShipOne, construída pela Scaled Composites e desenvolvida por “Burt Rutan” (diminutivo do famoso engenheiro aeroespacial Elbert Leander Burt Rutano), que com fundos privados fez o primeiro voo espacial a 21 de Junho de 2004, conquistando assim o Ansari XPrize.

As imagens desse voo estão no vídeo seguinte:

Sir Richard Branson interessou-se pelo mercado de voos espaciais na década de 1960. Por isso patrocinou Burt Rutan e a SpaceShipOne quando viu que este teria capacidade de arrecadar os US $ 10 milhões do Ansari XPrize. A vitória deu-se quando a SpaceShipOne foi lançada do veículo de suporte, a aeronave White Knight, em Setembro e Outubro (eram necessários 2 lançamentos consecutivos para ganhar o XPrize), em 2004.

Depois de reformular e investir na empresa, que em 2004 passou a ser controlada pela Virgin, desde 2007 que Ricard Branson tenta dar início ao Turismo Espacial. O voo experimental foi adiado por várias vezes, e quando finalmente se realizou em 2007, a SpaceShip teve um acidente, com fatalidades. A tragédia repetiu-se em 2014, quando a SpaceShipTwo teve um acidente durante o voo. O violento acidente do SpaceShipTwo da Virgin Galactic foi causado por uma combinação de erro humano e também por procedimentos de segurança inadequados, tendo sido esta a explicação avançada por uma investigação de nove meses realizada pelo National Transportation Safety Board.

O vídeo dessa avaria foi divulgado na altura e pode ser visto aqui:

 

A 13 de Dezembro de 2018 a empresa conseguiu que o seu veículo de teste VSS Unity (o protótipo) alcançasse o Espaço, ou melhor “quase alcançasse o Espaço tendo subido até aos 82 Km de altitude, mas ficando abaixo da Linha Karman.

Sabe-se que Ashton Kutcher será um dos turistas-astronautas e que assinou contrato com a Virgin Galactic, mas também apareceram rumores de que Angelina Jolie, Tom Hanks, Brad Pitt e a cantora Katy Perry também o fizeram.

A Virgin tem vindo a ganhar força, e além de estar a operar a partir do SpacePort “America” no Novo México, já assinou um acordo para desenvolver um SpacePort em Abu Dhabi.

Os apoios à Virgin Galactic.

Sabe-se que o Aabar, um fundo com sede em Abu Dhabi, fez um investimento inicial de US $ 280 milhões na Virgin Galactic em 2009, garantindo assim uma participação de 32% na empresa. Em 2016, o Aabar tornou público que afinal tinha investido US $ 380 milhões na Virgin Galactic e que possuía agora 37,8% da empresa, o que explica aliás “a vontade” da Virgin Group em construir o SpacePort em Abu Dhabi.

Também a 26 de Outubro de 2017 o Virgin Group anunciou um acordo com o fundo soberano da Arábia Saudita para um investimento de US $ 1 bilhão em empreendimentos espaciais suborbitais e orbitais da Virgin Galactic.

Num memorando de entendimento (MOU) não vinculativo entre a Virgin Group e o Fundo de Investimento Público (PIF) da Arábia Saudita, que abrangia uma participação “significativa” da Arábia Saudita na Virgin Galactic, na Virgin Orbit e na Spaceship Company  em troca de um US $ 1 bilhão, havia inclusivamente uma opção para compra de US $ 480 milhões em investimentos futuros nas empresas.

Este acordo não foi divulgado publicamente mas soube-se que mais tarde a ideia era torná-lo vinculativo, embora tenha sido esclarecido na altura pelo porta-voz do Virgin Group, Ollie Pratt, que a Virgin em qualquer dos cenários continuaria a ser o acionista maioritário.

Na altura Sir Richard Branson também acrescentou que a Virgin Galactic estaria a poucos meses de começar a lançar satélites para a órbita da Terra.

Era bonito e necessário para a Virgin, mas não chegou a acontecer… Sir Richard Branson “roeu a corda”!

A morte de um jornalista mudou os planos da Virgin…

A 13 de Outubro de 2018 Sir Richard Branson “suspendeu temporariamente” sua parceria com a Arábia Saudita, o que resultaria na perda de US $ 1 bilhão de investimento. A decisão estava relacionada com as perguntas da imprensa sobre as estranhas circunstâncias relacionadas com morte do repórter do Washington Post, Jamal Khashoggi, que desapareceu após entrar no consulado da Arábia Saudita na Turquia, a 2 de outubro.

Ricard Branson escreveu na altura que “o que aconteceu na Turquia em torno do desaparecimento do jornalista Jamal Khashoggi, se for provado como verdadeiro, muda claramente a capacidade de qualquer um de nós no Ocidente, de fazer negócios com o Governo Saudita”.

Este investimento se tivesse acontecido, seria claramente um ponto de viragem na história da Virgin Galactic, dando-lhe o impulso suficiente para começar a levar turistas ao Espaço.

Este parece ter sido um tiro no pé da Virgin, e os investimentos que está a aceitar parecem mostrar que está a faltar à Virgin qualquer coisa com um fôlego final, um “sprint” final que atire a Virgin para o Espaço. Ou não é assim?

A Boeing espreita na sombra…

Ontem, dia 8 de Outubro de 2019, a Boeing anunciou para grande surpresa de todos, um pequeno investimento estratégico na Virgin Galactic: cerca de 20 milhões (o que é pouco no mercado espacial)!

Com tantos contratos que a Boeing tem com a NASA, e perante a possibilidade de reedição do acordo com a Arábia Saudita, o investimento da Boeing HorizonX Ventures, que é o “braço armado” (com capital, é claro) da Boeing, poderia pura e simplesmente ficar diluído…

Contudo este investimento tem uma razão de ser. A Virgin Galactic irá fundir-se com a Social Capital Hedosophia (SCH), o que fará com que a Virgin Galactic valorize em cerca de US $ 1,5 bilhões, deixando a Boeing com 1% da participação nesta empresa.

Esta fusão segundo as empresas explicaram, orienta-se para que seja realizado um trabalho conjunto “para ampliar o acesso ao espaço comercial e transformar as tecnologias globais de viagens”, explicitando que detalhes sobre esta nova visão, serão anunciados em uma data posterior e não identificada.

Afinal parece haver um interesse maior do que o Turismo Espacial…

Provavelmente é algo que ainda não vimos, mas que pode ser fácil de perceber… É que os avanços e recuos da Virgin Galactic podem estar a levar o investimento para outra direcção. Aliás anúncio da fusão foi a 9 de Julho de 2019, mas não vem desacompanhada de uma história.

Em Fevereiro deste ano a HorizonX anunciou que estaria a fazer um investimento “significativo”, cujo valor não chegou a ser divulgado, na Aerion, uma startup que desenvolve um jato executivo supersónico.

Antes deste investimento, e antes do investimento de 20 milhões da Boeing que está a decorrer, o Virgin Group também anunciou que iria comprar os jatos supersónicos que estão em ser desenvolvidos Boom Supersonic, e que iria fazê-lo via a The Spaceship Company, uma subsidiária da Virgin Galactic, que trabalha com a Boom Supersonic no desenvolvimento da sua aeronave espacial: a SpaceShipTwo.

Sabe-se também que vários executivos da Virgin Galactic são da opinião que o veículo suborbital SpaceShipTwo deveria ser a base para futuros sistemas de transporte de passageiros.  E vão mais longe: numa apresentação para investidores arquivada na Securities and Exchange Commission a 26 de Setembro deste ano, descreve uma “Fase III” da empresa como “viagem hipersônica ponto a ponto”, que se concretiza com a introdução da SpaceShipTwo no serviço comercial de voos espaciais suborbitais.

A junção da Boeing com a Virgin Galactic a fazer estes investimentos pode significar o aparecimento de um mercado de aviação espacial. Com aviões que aproveitam a órbita da Terra para encurtar as distâncias “ponto-a-ponto”!

Esta jogada pode significar que com o desenvolvimento da SpaceShipTwo, afinal o Espaço venha a estar acessível a preços muito mais convidativos num futuro próximo. Pelo menos tudo indica que está a ser desenvolvida tecnologia para o efeito, e com sorte todos nós acabaremos por ter o nosso “bocadinho de Espaço”!

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