Spacebit Astrobotic Peregrine
Créditos: Spacebit

O 1º rover lunar do Reino Unido será lançado em Julho de 2021, e vai voar a bordo do lander lunar Peregrine da Astrobotic. É um salto gigante do Reino Unido que se lança no Programa Espacial com um veículo pequeno, um robô/rover quadrúpede com cerca de 1 Kg construído pela Spacebit, e que tem como objectivo a exploração da Lua.

Vamos por partes: Como entrou a Astrobotic nisto?

A Astrobotic Technology é uma empresa norte-americana, privada, que se especializou no desenvolvimento de tecnologia de robótica espacial, vocacionada para missões de exploração  lunares e planetárias. Não tem muitos anos de existência (tal como a grande maioria das empresas espaciais), tendo-se formado em 2008.

Esta empresa foi formada por Red Whittaker, investigador de robótica da Carnegie Mellon University (CMU) em Pittsburgh no estado de Pennsylvania, e pelos seus associados, com o objectivo de ganhar o Google Lunar XPrize, uma competição espacial lançada pela XPrize Foundation, que pedia às equipas participantes que concorressem entre si para pousar um rover na Lua e percorrer uma distância de 500 metros, transmitindo para a Terra vídeo e imagens em HD (High Definition).

A Astrobotic não ganhou o Google Lunar XPrize, mas a corrida também não teve vencedores. De facto, entrar na corrida do Lunar XPrize com empresas formadas para o efeito, e que tivessem um mínimo de credibilidade, era por si só um prémio (pelo menos para as empresas norte-americanas), uma vez que a NASA tem tido como política apoiar o desenvolvimento de tecnologia dos privados (política essa que começou ainda durante a Administração de George Bush Jr.).

Como tal a NASA a 28 de Julho de 2008 concedeu financiamento Astrobotic para um estudo conceptual sobre “métodos de movimento regolítico”, tendo reforçado o financiamento no ano seguinte através  da Small Business Innovation Research (SBIR) da NASA, tendo assim a Astrobotic totalizando mais de US $ 795.000 para investigar a prospecção lunar. Esta investigação sobre exploração de recursos lunares levou a um projecto chamado Polar Excavator ou Polar rover (actualmente chamado de Polaris), que tinha como objectivo explorar água na superfície da Lua, tornando a habitabilidade possível.

Assim a Astrobotic Technology assinou com a NASA em 2010 um contrato para Dados de Demonstrações Lunares Inovadoras (ILDD), que são contratos com preço fixo mas de entrega indeterminada e quantidade indefinida, no valor de US $ 30,1 milhões, durante um período de 5 anos.

A Astrobotic registou 11 patentes importantes na área da robótica espacial e ainda teve reforços vários de financiamento por parte da NASA, que rondaram o meio-milhão de dólares, até chegarmos a 29 de novembro de 2018, altura em que a Astrobotic foi declarada elegível pela NASA para licitar os Serviços de Carga Lunar Comercial da NASA ou seja, para entregar cargas de ciência e tecnologia da NASA na Lua, como forma de apoiar o Programa Artemis (Colonização Lunar em 2024).

Nesse contrato das Lunar Payloads, até agora a Astrobotic tem um contrato de US $ 79, 5 milhões para entrega de carga em Lacus Mortis, uma planície basílica de lava que se estende a sul de Mare Frigoris, na Lua (ver foto em baixo).

Lacus Mortis Créditos: Sonda Clementine

Lacus Mortis no Polo Norte lunar, é uma localização diferente de onde se pretende iniciar a colonização da Lua ou seja, em Shackleton Crater que está localizada no Polo Sul lunar.

Contudo a entrega deste lander da Astrobotic está planeada desde Dezembro de 2013, e deveria ter sido entregue por um Falcon 9 da SpaceX. O Griffin (que durante o Google Lunar XPrize se chamava Red Rover – em honra do fundador da Astrobotic, Red Whittaker), entretanto mudou de nome e foi recebendo inovações, como seria de esperar.

Então, a 2 de junho de 2016 o “ex-Red Rover” posteriormente chamado de Griffin, recebeu um novo   design do seu conceito de aterragem, tendo sido finalmente renomeado para Peregrine. Também foram alterados os contratos de lançamento que agora estão a cargo da ULA (United Launch Alliance) e o Peregrine vai então ser lançado por um Vulcan Centaur em 2021.

Actualmente a Astrobotic Technology pede por entrega de carga útil comercial para entrega na Lua, US $ 300.000 /kg para entrega em órbita lunar, US $ 1.200.000 /kg para entrega na superfície da Lua e US $ 2.000.000 /kg para implantação de um veículo espacial.

E a bordo do lander Peregrine, vai o “rover ambulante”!

 

O futuro da exploração espacial são os CubeSats, de que já falámos nos artigos anteriores. Contudo este parece ser um CubeSat “ambulante”, um rover com pernas alimentado a energia solar.

Será uma “missão de estrelas”, uma vez que é a estreia do Peregrine (o lander da Astrobotic), bem como a estreia do Vulcan Centaur da United Launch Alliance (ULA), e a primeira vez que um robô com pernas, o rover lunar do Reino Unido, vai explorar outro mundo. O rover “ambulante” é uma das 30 cargas úteis para entrega na superfície da Lua que o Peregrine leva a bordo.

A missão terá uma duração de 10 dias, e o rover deverá mover-se cerca de 10 metros, recolhendo dados para estudo e retransmitindo-os para a Terra.

Além da Astrobotic que recebeu um contrato de US $ 79,5 milhões pela missão em maio passado, via o programa Commercial Lunar Payload Services (CLPS) da NASA, outras duas empresas obtiveram financiamentos semelhantes: A Intuitive Machines que recebeu US $ 77 milhões, e Orbit Beyond que angariou US $ 97 milhões. Podemos por isso esperar a missão lunar da Intuitive Machines no verão de 2021, com seu módulo lunar Nova-C, e resta saber quando é que a Orbit Beyond irá lançar a sua missão, uma vez que desistiram recentemente da sua meta para Setembro de 2020.

As missões lunares estão a ganhar grande visibilidade porque além dos pousos históricos de três superpotências (Estados Unidos, União Soviética e China), a história tem estado a correr mal, com o despenhamento da Beresheet (a sonda de Israel da SpaceIL) e da Chandrayaan-2 (da agência indiana ISRO).

Vamos ver o que o futuro nos reserva… Godspeed UK and Spacebit!!!

 

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