Codeweek
Primeiros passos no Micro:bit.

Por estes dias, a relação entre tecnologia e aprendizagem está a animar centenas de iniciativas por todo o país. Poderá não ter reparado nisto, a menos que tenha filhos a frequentar escolas. Esta não é uma daquelas iniciativas que ocupa o espaço mediático. E, no entanto, mexe com milhares de crianças europeias, desafiando-as a descobrir, experimentar e mergulhar a fundo no mundo digital. Tal como já o fez em anos anteriores. De 5 a 20 de outubro, está a decorrer a Semana Europeia da Programação, uma iniciativa de impulso à literacia digital que decorre em toda a europa. Só em Portugal, há mais de quinhentos eventos registados.

Para Quê Aprender a Programar?

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Um telemóvel e jogar aprendendo no Code.org.

Porquê desafiar as crianças a aprender programação, robótica e outras áreas ligadas ao lado mais duro da tecnologia? Há uma óbvia resposta utilitária. Sabemos da importância dominante da tecnologia na economia, como geradora de riqueza e emprego. Sabemos também que os estudos dos economistas sobre necessidades laborais apontam para que, na União Europeia, a procura de programadores e outros profissionais da economia digital irá superar a oferta. Projetos como a Codeweek direcionam-se nessa vertente. Estimulando a aprendizagem de programação de forma alargada, para que mais jovens tomem a decisão de seguir carreira nestas áreas.

Mas a educação não se resume às respostas utilitárias a necessidades económicas. Tem missões mais profundas na sociedade. Mais do que formar mão de obra especializada, a educação tem de criar condições para que cada indivíduo se desenvolva como pessoa, e cidadão consciente. No nosso mundo contemporâneo, uma compreensão profunda do papel, potencial e riscos da tecnologia é fundamental para isto. Algo que não se consegue só com ações de sensibilização e palestras sobre os  perigos do digital. Consegue-se colocando mãos na massa, experimentando, criando, e desenvolvendo conhecimento profundo sobre programação, robótica e 3D que desmistifique a complexidade do mundo digital, das apps mobile à inteligência artificial.

Quem Pode Participar na Codeweek?

EU Codeweek Educação
Programação e robótica: já não é o futuro, é o presente (EUN/Codeweek)

Sendo o público primordial desta iniciativa as crianças, é natural que a Codeweek se foque nas escolas. A organização desenvolve parcerias com os vários ministérios da educação dos países da União Europeia, articulando iniciativas através de embaixadores. Em Portugal, essa tarefa está a cargo da Equipe de Recursos e Tecnologias Educativas da DGE. Há também um programa de Leading Teachers, professores escolhidos por candidatura para dinamizar iniciativas a nível local, para lá do espaço das suas escolas, em redes de partilha e formação.

Mas, essencialmente, todos podem participar. Apesar do foco da Codeweek estar nas escolas e professores, todos os interessados podem aceder à página e registar um evento. Associações, Coder Dojos, clubes, grupos de amigos, qualquer um pode propor um evento à organização. O importante é ser abrangente, e fazer chegar a tecnologia a todos.

Como se Pode Participar na Codeweek?

Aqui, a resposta poderá surpreender muitos por ser… fácil. A programação é uma coisa complicada, com algoritmos e muitos códigos complexos para memorizar, certo? Se é difícil para adultos, imagine-se para crianças, certo? Na verdade, não. Hoje, já não tem de ser assim, graças às linguagens de programação visual. Nestas, programar é feito combinando blocos visuais, o que facilita e torna mais intuitiva a programação, não requer a referência e memorização de comandos, e simplifica a sintaxe das linhas de código.

Este tipo de linguagens nasceu com o trabalho pioneiro de Seymour Papert como Logo, no final dos anos 60, e posteriormente com o Scratch, o primeiro ambiente de programação visual pensado para crianças. A metáfora dos blocos saiu do mundo da introdução à programação com o MIT App Inventor, que facilitou a programação em Android. Hoje, há inúmeras ferramentas que tiram partido deste interface facilitador do ato de programar.

E Com Que Iniciativas?

As possibilidades abertas pela Codeweek são imensas. Talvez a mais fácil seja experimentar uma hora do código no Code.org. Esta iniciativa americana costuma decorrer em novembro, e desafia todos em todo o mundo a desenvolver atividades de uma hora. No seu site tem um conjunto muito alargado e crescente de atividades que, em forma de jogo, desafiam a descobrir conceitos de programação. Em Portugal, o Movimento Código Portugal (FCT/NOVA) adaptou este conceito e desenvolveu o seu próprio desafio de introdução à programação com um concurso.

Outras ideias: programar um Micro:bit. Este pequeno computador (custa cerca de 18€) desenvolvido pela BBC (leram bem, o canal público de televisão britânico tem um longo historial na educação para a tecnologia) é muito fácil de programar usando Python, Javascript ou programação visual com o Makecode. Em poucos minutos, qualquer um aprende a fazer uma animação usando os leds da placa, e a partir daí pode avançar para projetos mais ambiciosos. Há imensas ideias para descobrir.

Programação Visual

Criar um jogo em Scratch: Aconselhamos a usar um tutorial, para acelerar o processo, mas é muito simples criar um pequeno jogo interativo utilizando este ambiente de programação. Mas, se as crianças não conseguem largar o tablet ou o telemóvel, porque não desafiá-las a criar com os seus dispositivos? Há inúmeras aplicações, do Scratch Jr. ao Tynker, que permitem criar jogos, animações e outros projetos de programação. E pode-se ir mais longe. Usando o Thunkable, podem criar as suas próprias aplicações para os seus telemóveis.

Talvez o mais contra-intuitivo é perceber que aprender a programar não obriga a usar ecrãs e computadores. Podem-se fazer atividades de programação sem computador, através de jogos, percursos e outras que usam diversos conceitos de programação – sequências, ciclos ou algoritmia em atividades físicas.

Robótica, e Mais Além

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Rover UBO, um kit de robótica open source.

A robótica é outro imenso campo de possíveis atividades. Desde os robots mais simples, concebidos para ser usados por crianças pré-alfabetizadas (sim, os acólitos da programação começam cedo a desviar os pequeninos para os seus propósitos), aos kits avançados. Aqui, a programação torna-se tangível, o que se programa afeta o mundo real através das ações e movimentos do robot. Há um pouco de tudo, já montados, em kit, e até mesmo mecanismos simples que se podem construir com equipamentos avariados.  E há até projetos portugueses nesta área. Para quem gostar de fios soltos e componentes que se encaixam em breadboards, fica o desafio de mergulhar no arduino.

Indo mais além, não temos de nos restringir à programação. O objetivo da Codeweek é o desenvolvimento de atividades de contato alargado com o lado mais profundo da tecnologia. Não a que está na loja embalada para ser comprada, mas com o que está dentro dela, e por detrás. Pode-se descobrir o 3D aprendendo a modelar na web ou no telemóvel, com aplicações como o Sketchup Free e o 3DC.io. Pode-se interagir com impressão 3D. E, até, experimentar misturar desenho com inteligência artificial com a Nvidia Playgrounds.

O importante é experimentar, desmistificando a aparente dificuldade da tecnologia. E, com isto, semear as bases da curiosidade, despertar vocações, estimular aprendizagens mais profundas. Os caminhos da tecnologia fazem-se com criatividade, e esta nasce no experimentar e descobrir.

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