Terraformação Colonização
Créditos: REUTERS/Thomas Peter

A Terraformação pode ser definida como uma engenharia planetária, que tem o objectivo de transformar outros mundos ou planetas em locais mais habitáveis pelos humanos, e portanto mais parecidos com o planeta Terra. Desta ideia deriva todo o conceito: “formar” como na “Terra”, que é terraformar!

A palavra apareceu pela primeira vez em Julho de 1942, numa “short-story” da autoria de John Stewart Williamson (nascido a 29 de Abril de 1908, e que faleceu a 10 de Novembro de 2006). Este autor que ficou conhecido como o “Decano” (o mais antigo) da Ficção Científica, assinava normalmente as suas short-stories como Jack Williamson, mas usava também os pseudónimos de Will Stewart and Nils O. Sonderlund.

Foi portanto numas das suas “short-stories” assinada por Will Stewart, com o título “Collision Orbit”, que o conceito foi utilizado pela primeira vez e curiosamente com outro conceito que é muito falado nos dias de hoje: a anti-matéria. Will Stewart é também responsável pela utilização do termo “Engenharia Genética”, que nos dias de hoje não encontra dúvida ou oposição.

Terraformação Colonização

O termo terraformação, aquele que nos interessa hoje, pareceu um conceito de tal maneira fechado e bem-pensado, que o geógrafo Richard Cathcart conseguiu ver ser aprovado em 1993, na quarta edição do Shorter Oxford English Dictionary a inclusão do verbo “to Terraform”.

De facto o conceito terraformação foi empregue pelo seu inventor num cenário que seria impossível de terraformar: um asteróide com cerca de 2 Km, enquanto hoje em dia sabemos que terraformação é algo que só poderia ser aplicável a um planeta, ou então a um asteróide de grandes dimensões, ou então a uma lua…

O conceito de “Engenharia Genética”, também desenvolvido pelo mesmo autor, também se poderia associar ao de terraformação, uma vez que uma das hipóteses de colonização seria o da bioformação ou seja, alterar geneticamente os seus vivos para se poderem adaptar a outros ecossistemas. De facto, seria quase impossível terraformar sem se bioformar, ou sem engenharia genética. Se tomarmos como exemplo Marte, que tem 0,4 g’s ou 40% da gravidade da Terra, fica patente que se não se adaptasse os seres humanos que o iriam colonizar, dentro de pouco tempo os colonizadores iriam ver os seus ossos desfeitos, por a gravidade não ser suficiente para sustentar as perdas de tecido ósseo.

O caso concreto Marte leva-nos também a utilizar outra realidade parecida com terraformação e que se chama de Para-Terraformação. O facto de Marte não ter um núcleo  magnético activo e da gravidade ser muito baixa para se poder fixar atmosfera, podemos pensar em colonizar um planeta através da fixação de “domes” ou como se diz em português “abóbadas ou cúpulas”.

Qualquer cenário de colonização de Marte pressupõe a utilização de abóbadas ou cúpulas para fixação dos gases com efeito de gases com o efeito de estufa. Qualquer cenário que antecipe normalmente uma terreformação, compreende um período de Para-Terraformação, seja com abóbadas ou cúpulas em Marte, seja com habitats flutuantes em Vénus, os primeiros passos de uma terraformação implicam que humanos já estejam na zona, e estes precisam de um habitat sustentável enquanto vão introduzindo as alterações nos planetas.

terraformação, bioformação e engenharia genética
Créditos: Fotógrafo e ilustrador Ucraniano, Mike Kiev. Legenda: Cultivar em Marte
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Créditos: Mike Kiev, cidade em Marte

Terraformar, tal como nos vamos apercebendo agora pelo contacto que temos com os dois planetas mais próximos da Terra (Vénus e Marte), implica a manipulação de alguns factores que passamos a indicar. Partindo do pressuposto de que se trata de um planeta rochoso (como Mercúrio, Vénus, Marte, Plutão) e não um gigante gasoso, onde aterrar nele seria como aterrar numa nuvem (como Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno) , esses factores são: ter água em estado líquido (temperatura), pressão atmosférica compatível, gravidade compatível, radiação, tipo de solo (apto para ter produção primária, ou espécies vegetais), composição do ar, duração dos dias e duração dos anos.

Ao processo de manipulação das condições planetárias, chamamos-lhe habitualmente de “Tailoring”, que não é mais do que uma adaptação, personalização das condições planetárias.

Ora neste Tailoring planetário, actualmente só não temos capacidade de modificar a força gravitacional de um planeta, ou alterar-lhe a Gravidade. Tudo o resto, ainda que necessitando da intervenção de capacidade nuclear (armamento), já temos capacidade de manipular: o problema é que levaria séculos ou mesmo milhões de anos.

 

Terraformação: o problema do Tailoring Planetário

Observemos as diferenças em relação à Terra, dos dois mundos mais próximos do planeta azul, e que são Vénus e Marte:

Temperatura: Em Vénus é demasiado quente e em Marte demasiado fria;

Pressão Atmosférica: Muito alta em Vénus e muito baixa em Marte;

Composição do ar: Em Vénus tem sobretudo Dióxido de Carbono e algum Nitrogénio, tal como em Marte.

Gravidade: Quase igual à da Terra em Vénus e muito baixa em Marte (40%);

Duração dos dias: Quase igual à Terra em Marte, e muito longos em Vénus;

Luz solar: Muito pouco em Marte e muito mais do que na Terra em Vénus (pelo menos 4 vezes mais).

Com o tailoring planetário podemos adaptar quase qualquer planeta rochoso a um ambiente como o da Terra. Contudo, como já dissemos, isso levaria séculos. Porém a história da Humanidade está repleta de exemplos em que os humanos demoraram séculos a construir, como é o exemplo das pirâmides e de algumas catedrais, ou a Muralha da China.

Terraformação Colonização
Créditos: LIONARCHITECTURE, LLC

Terraformação: o “tentar” adaptar!

Ter água em estado líquido é o mais fácil, uma vez que a água é um composto de duas substâncias que estão entre as mais abundantes no nosso Universo (o Hidrogénio e o Oxigénio). De facto entre os 4 substâncias mais abundantes, e por ordem, encontramos o Hidrogénio em primeiro lugar, seguido do Hélio, do Carbono e por fim do Oxigénio.

Também sabemos que em planetas como a Terra, a água foi entregue por cometas (corpos errantes do Espaço que são compostos por gelo e rocha). E no futuro será possível redireccionar cometas. Contudo, o problema de adaptar um planeta que não tem água em estado líquido e cuja atmosfera é ténue, é que quando a água se tornar liquida não haverá produção primária, ou raízes de plantas para impedir a erosão. Por essa razão, o primeiro passo nunca poderia ser a construção de edifícios, o Para-Terraformação (como forma de colonização), caso contrário quando a água se tornasse líquida, a maioria das infra-estruturas seria destruída, além de que parte da água seria sublimada no Espaço.

Seria portanto necessário uma atmosfera que fixasse a àgua, e dela pudéssemos passar à segunda fase que seria a da oxigenação do ar, através eventualmente da electrólise da água.

Aqui levanta-se outro problema, uma vez que o ar não pode ser apenas composto por oxigénio e dióxido de carbono. Necessitaria também de Nitrogénio, para que a vida microbiana possa existir, libertando os nutrientes da rocha para que apareça a produção primária, ou a vida vegetal.

Esse é um dos principais problemas na colonização dos dois planetas mais próximos da Terra, ou seja Vénus e Marte. Enquanto Vénus tem 96,5%CO2, 3,5% N2 e 92 atmosferas terrestres (ou seja uma elevada pressão atmosférica, que fixa os gases com efeito de estufa), Marte tem 96%CO2, 2% N2 e 0,006 atmosferas terrestres (quase sem capacidade de fixar atmosfera).

A Terra tem quase 78% de Nitrogénio, pelo que é um ambiente altamente favorável à vida. Já Titã, a Lua de Saturno tem uma atmosfera quase na sua totalidade composta de Nitrogénio, sendo o restante metano.

Haverá solução?

A única solução que se apresenta actualmente como viável e que mesmo assim demoraria séculos, seria a da utilização de Megaestruturas, que proporcionassem um intercâmbio de matéria prima entre planetas, e isso é algo com que só poderemos sonhar no futuro, após iniciarmos a mineração de asteróides em massa.

Só construindo com materiais super-raros na Terra, em em ambiente de microgravidade, acompanhados por uma incessante actividade gerida por inteligência artificial, é que poderíamos fazer oscilar os vectores que colocam a habitabilidade fora de causa em planetas hostis à vida.

No entanto isso não impede a colonização destes mundos durante os próximos séculos, mas será sempre via ambientes artificiais que terão que ser construídos pelo homem.

É possível alterar as condições de qualquer planeta rochoso. E sabemos isso porque temos tecnologia para o fazer. O problema é que com a tecnologia de que dispomos actualmente, fazê-lo levaria milhões de anos.

Teremos que nos contentar com Para-Terraformações de outros mundos durante bastante tempo. Infelizmente não é fácil terraformar.

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