Notícias de todo o mundo estão a anunciar que o asteróide 216258 2006 WH1, que fará a sua aproximação à Terra a 20 de Dezembro, poderá estar em risco de impacto com a Terra. Esta “rocha voadora” com 540 metros (ou o tamanho do World Trade Center), está a viajar numa rota “perigosa” à velocidade de 43.200 km / hora ou 26.843 milhas/hora.

E portanto, haverá razões para alarme?

A informação que recolhemos até ao momento é esta: De facto este asteróide encontra-se numa rota perigosa, uma vez que se cruza com a órbita da Terra. Porém, cruzar-se com a órbita da Terra não significa que esteja em risco de impacto, pelo menos por agora…
Aqui está um print do sistema Horizons, da base de dados do Jet Propulsion Laboratory da NASA (Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA), que mostra as circunstâncias relacionadas com a órbita perigosa deste asteróide.

O sistema Horizons da NASA para este asteróide pode ser consultado aqui.
A perigosidade deste asteróide prende-se com o facto de numa rota que já é perigosa, uma vez que se cruza com a órbita da Terra, este asteróide poder ainda ser afectado por um fenómeno natural a que chamamos de efeito Yarkovksey. Este efeito ocorre quando a força da luz solar influencia a rota de um asteróide para além daquilo que seria a sua direcção normal.
Essa influência já foi estudada no passado, em 2012, com asteróide “gigante” 1999RQ36, mais conhecido por Bennu, e que é objecto de estudo da sonda OSIRIS-REx.
Quanto ao 216258 2006 WH1, de facto não existe certeza nenhuma sobre nada… Os asteróides com 35 metros de diâmetro são suficientes para destruir uma cidade, enquanto que os asteróides com mais de 500 metros são normalmente “End-Gamers”, tendo um efeito igual ao asteróide que pôs fim à era dos dinossauros, tendo aliás transformado o  nosso oceano em ácido

Mas não existe certeza de nada no que diz respeito ao 216258 2006 WH1, porque nem conhecemos a dimensão deste asteróide. De facto estima-se que tenha um diâmetro entre os 240 e os 540 metros, pelo que nem sequer é o maior que tem andado pelas redondezas da Terra. E ao passar a 5,8 milhões de Km da Terra, também não é sequer aquele que vai passar mais próximo…

Os asteróides de que não se falou…

Vamos utilizar com termo de comparação a Lua. A Lua fica a uma distância da Terra de aproximadamente 384 400 km. O asteróide 216258 2006 WH1 passará a uma distância de 5.8 milhões de Km da Terra (o que é perto, mas não assim tão perto em termos relativos).

Ninguém parece contudo muito preocupado com o asteróide 310442 (2000 CH 59), que terá entre 280 e 620 metros, que chega a 26 de Dezembro à proximidade da Terra, 7.3 milhões de Km.

Ou com o 481394  (2006 SF6), que chegará a 21 de Novembro de 2019, e que passará a uma distância muito mais próxima do que o asteróide 216258 2006 WH1 (5.8 milhões de KM), e que passará a 4.3 milhões de Km, com um tamanho estimado entre os 280 e os 620 metros, ou seja, potencialmente maior…

Também mais próximo do que o “famoso” 216258 2006 WH1, irá passar o 2015 JD1, a 3 de Novembro de 2019, a uma distância de 5 milhões de Km, e com uma dimensão entre os 200 e os 450 metros.

Muito próximo passa também o asteróide 162082 (1998 HL1), que chega AMANHÃ! Este é muito maior com uma dimensão de 440 a 990 metros e que passará a uma distância de 6.4 milhões de Km.

O asteróide 523934 (1998 FF14) passou a 24 de Setembro também a uma distância mais “curta” que o famoso asteróide 216258 2006 WH1. Com 190 a 430 metros, passou a uma distância de 4.2 milhões de Km.

É também estranho que não se tenha falado no 467317 (2000 QW7), que passou a 14 de Setembro pelas imediações da Terra, a 5.3 Km, e com uma dimensão de 290 a 650 metros.

Ou o 504800 (2010 CO1) com 120 a 260 metros, passou também a 14 de Setembro, a 5.3 milhões de Km.

Ou ainda o 2019 GT3, com 170 a 380 metros passou a 7.5 milhoes de km, no passado dia 6 de Setembro.

Asteróides na proximidade da Terra…

O Jet Propulsion Laboratory da NASA lançou recentemente um vídeo mapeando todos os asteróides que passam a menos de 30 milhões de milhas do Planeta Terra, com intervalos de 10 anos. Começando em Janeiro de 1999 passando por 2009 e por último mostrando a situação em 2018, os resultados são preocupantes… Parece que a Terra activou um qualquer tipo de magnetismo para atrair para as suas proximidades uma enorme quantidade de asteróides, sendo que uma parte considerável deles possivelmente poria fim á vida no nosso planeta!

De facto não há magnetismo nenhum de especial… Aquilo que aconteceu é que os cientistas começaram a descobrir cada vez mais asteróides, com a introdução de formas  de pesquisa como por exemplo o telescópio PALOMAR, localizado em San Diego na Califórnia.

E além disso, este vídeo é incompleto, uma vez que apenas regista cerca de 30% dos asteróides conhecidos.

Neste artigo sobre as defesas do Planeta Terra contra os asteróides, já mostrámos 10 grandes crateras que foram originadas pelo impacto de asteróides na Terra.

A verdade é que o futuro é mais ameaçador: A 29 de Abril de 2020 vai passar algo de facto “aterrador” pelas proximidades da Terra. Chama-se 1998 OR2, tem uma dimensão de 4 Km, e vai passar a 6.3 milhões de Km da Terra.

O impacto de um grande asteróide com a Terra é uma questão de tempo. Já aconteceu e vai voltar a acontecer.

Aliás temos nos últimos anos detectado explosões nucleares na orla da Terra, correspondentes à desintegração de asteróides de pequenas dimensões quando chocam com a nossa atmosfera. O video seguinte mostra esse fenómeno.

Actualmente os cientistas procuram afinar as defesas para tentar proteger-nos de um impacto, embora por vezes as coisas possam correr mal.

A verdade é que até agora agora temos tido sorte. Muita sorte, mas também temos o SENTRY da NASA, para monitorização dos asteróides perigosos.

Este asteróide em questão não representa perigo, mas há problemas, e o vídeo seguinte explica esta problemática e indica quais são os reais perigos:

 

 

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