Viking Marte sonda vida extraterrestre
Legenda: foto tirada pela sonda Viking 2 em 1976. Créditos: NASA

Será que a NASA ignorou as provas da existência de vida extraterrestre em Marte, recolhidas em 1976 pelos  sondas / “landers” Viking? A resposta é que muito provavelmente sim… E essa é a convicção do ex-investigador principal da NASA, Gilbert Levin, e que em menos de dois anos será respondida com os rovers que chegam no próximo ano ao planeta vermelho. Será que andámos enganados nos últimos 40 anos?

O Programa Viking

O Programa Viking foi um programa espacial não-tripulado da NASA, que consistiu de duas sondas (a Viking I e a Viking II), cada uma delas composta por um orbitador, cujo o objectivo era fotografar a superfície de Marte a partir de órbita, e um “lander” cujo objectivo era pousar em Marte e realizar experiências que pudessem eventualmente comprovar a existência de vida.

A Viking 1 foi lançada em 20 de agosto, e a Viking 2, no dia 9 de setembro de 1975, ambas através de foguetões Titan III-E, que era composto por estágios superiores Centaur. Estes foguetões também conhecidos como Titan III-Centaur, foram lançados 7 vezes entre 1974 e 1977, sendo que em 1977 lançaram também as sondas Voyager 1 e 2, de que já falámos no Bit2Geek.

Este foguetão tinha 48.8 metros de altura, com três estágios e opção para um quarto, além de dois boosters laterais. O foguetão lançou missões importantes além das Voyager 1 e 2,  como por exemplo a Helios 1 e 2 que foram lançadas em órbita heliocêntrica com a finalidade de estudar o Sol, e finalmente as sondas Viking 1 e 2.

Voltando às Viking, estas eram compostas por uma parte de orbitador e outra parte de sondas de superfície. A parte dos orbitadores foi baseada na sonda Mariner 9. Estes orbitadores foram criados em octágono, com 2,5 m de diâmetro e massa total de lançamento de 2328 kg, dos quais 1445 kg eram propelente e gás de controle de atitude (para conseguir sobreviver à fina atmosfera de Marte). A sonda Mariner 9 foi lançada pela NASA a 30 de Maio de 1971 e foi o primeiro satélite artificial a orbitar um corpo celeste que não a Lua. Tirou 7.329 fotos de Marte o que permitiu a elaboração do primeiro mapa de Marte.

O Valles Marineris em Marte ou seja, o Grand Canyon de Marte recebeu o seu nome em honra deste orbitador (Marineris = “Mariner 9”). O vídeo seguinte mostra imagens do Valles Marineris, um vale ou “Canyon” com 4000 km de extensão, 200 km de largura e mais de 7 km de profundidade.

As sondas “Landers” Viking

Esta missão das sondas de superfície Viking foi a mais cara e ambiciosa missão da NASA até ao momento, podemos especular… Isto porque esta missão teve um custo de mil milhões de dólares ou um bilhão. Mas um milhão em 1976…

Estes landers pesavam 650 kg, e tiraram 57.000 fotografias da superfície de Marte. De facto, as Viking foram o primeiro artefacto humano a aterrar noutro planeta, e o feito foi realizado apenas 19 anos após o lançamento a 4 de Outubro e a partir do Cosmódromo de Baikonur do satélite Sputnik 1, a primeira “experiência” de um satélite a orbitar o planeta Terra.

 

O que foi então denunciado pelo investigador principal das Viking?

Havia 3 experiências a bordo das Viking:

Legenda: Constituição das experiências das sondas Viking. Créditos: NASA

1. (GCMS) “Gas Chromatograph – Mass Spectrometer”, ou Cromatógrafo a Gás – Espectrómetro de Massa (GCMS), que seria na forma gasosa capaz de medir as massas das amostras.

2. (GEX) “Gas Exchange” ou experiência de troca gasosa, que ocorria numa amostra incubada do solo de Marte, substituindo a atmosfera marciana por hélio (funcionando como gás inerte). O objectivo desta experiência era aplicar nutrientes e água à amostra para poder analisar uma eventual atividade biológica, nomeadamente a absorção ou emissão de oxigénio, dióxido de carbono, nitrogénio, hidrogénio ou metano.

3. E por último o (LR) “Labeled Release”  ou libertação rotulada, onde através de uma amostra do solo marciano, se aplica uma solução nutritiva, onde todos os nutrientes foram marcados com carbono radioativo-14. O carbono radioativo-14 seria então metabolizado em dióxido de carbono radioativo, que só deveria ser detectado se existisse vida.

Como explica o Gilbert Levin, o Investigador Principal do projecto Viking neste vídeo, a amostra deu positiva (aliás, claramente positiva como explica o próprio Gilbert Levin).

 

O problema é que se a experiência (LR) deu positiva, as outras duas experiências de controle deram resultado negativo para qualquer forma de vida, e por isso a NASA descartou a hipótese de poder existir vida em Marte…

Mas em 2012 Joseph Miller, um neurobiólogo da Universidade de Southern California, e ex Director do Projecto Space Shuttle, voltou a re-examinar os dados das Viking com a sua equipa, submetendo-os a confirmações matemática para separar sinais biológicos de sinais não biológicos, e ficou convencido que efectivamente se descobriu vida em 1976, em Marte.

“É muito possível que existam micróbios, e eles estão vivendo no mar, perto do gelo da água”, afirmou na altura Joseph Miller.

Também a co-investigadora da experiência LR que acompanhou Gilbert Levin, chamada Patricia Ann Straat, publicou um livro chamado “To Mars with Love“, onde reafirma que de facto se descobriu vida em Marte logo em 1976, com a experiência (LR).

Mas mais do que isso: Gilbert Levin publicou na sua página uma lista de “papers” (investigações científicas) de cientistas de todo o mundo cujas investigações sobre os dados das Viking, reforçam a teoria de que efectivamente foi descoberta vida em Marte em 1976.

Quais são então as provas de vida?

*Existe agua (gelo de água) suficiente na superfície para sustentar microorganismos, tal como foi encontrado em Marte pelas sondas/rover Viking, Pathfinder, Phoenix e Curiosity;

*Orgânicos complexos, foram relatados em Marte pelos cientistas da Curiosity, incluindo o querogénio, que poderia ser de origem biológica;

*A Phoenix e o Curiosity descobriram que o antigo ambiente marciano pode ter sido habitável;

*Também o excesso de carbono-13 sobre carbono-12 na atmosfera marciana é indicativo de atividade biológica, que por sua vez prefere ingerir o último;

*A atmosfera marciana está em desequilíbrio: seu CO2 deveria ter sido convertido em CO pela luz UV do sol. assim o CO2 está a ser regenerado, possivelmente por microorganismos como na Terra;

*Os microrganismos terrestres sobreviveram no espaço exterior da ISS (Estação Espacial Internacional. Como tal micróbios terrestres podem ter já contaminado Marte, e adaptado-se;

*Metano já foi medido na atmosfera marciana o que significa que micróbios metanogénicos podem ser a fonte;

*O desaparecimento rápido do metano na atmosfera marciana requer um mecanismo de escoamento que muito possivelmente é fornecido por metanotróficos, que aliás podem coexistir com matanogénicos na superfície marciana;

*Há um tipo de luzes de movimento “fantasmagóricas”, que na Terra chamamos no folclore “will-O’-the-wisps”. Essas luzes podem ser indicativo de actividade biológica.

Marte Viking

*O formalina e a amónia, que são possivelmente indicativos da vida, têm sido identificados na atmosfera marciana;

*Análises de complexidade independentes do sinal LR positivo da Viking já o identificou  em testes como sendo biológico;

*As análises espectrais do sistema de imagens da Viking encontraram manchas terrestres e verdes nas rochas de Marte com os indicadores de cor, saturação, matiz e intensidade compatíveis com a existência de vida;

*Uma fotografia tirada pelo Curiosity assemelha-se a um verme, e continua por explicar.

Viking Marte vida extraterrestre
Legenda: foto partilha pelo Twitter do Curiosity, quando encontrou formas semelhantes a vermes, numa rocha marciana. Créditos: NASA

*Grandes estruturas semelhantes a estromatólitos terrestres (formadas por microorganismos) foram encontradas pelo Curiosity; uma análise estatística de suas características complexas mostrou menos de 0,04% de probabilidade de que a similaridade fosse causada apenas pelo acaso;

*Nenhum fator adverso à vida foi encontrado em Marte.

*A existência das “Martian Blueberrys” (os mirtilos marcianos), podem ser indicadores de vida…

Viking NASA Marte Extraterrestre
Foto do Mars Exploration Rover. Créditos: NASA/JPL-Caltech/Cornell/ASU.

Agora a NASA afirmou que deverá anunciar a existência de vida em Marte em menos de 2 anos…

Foi anunciado em Setembro deste ano pelo Dr. Jim Green, cientista-chefe da NASA. Está em vários jornais credíveis como a CNN, o Independent, o Telegraph ou o Express, entre outros…

Esta predição do cientista-chefe da NASA prende-se com o facto de a partir do próximo ano estarem a voar para Marte vários rovers equipados com tecnologia de ponta para confirmar aquilo que nos escapou há 40 anos atrás… O helicóptero da NASA, a missão ExoMars, o lander da China, a missão dos Emirates, o Mars 2020, etc…

Como afirma o Dr. Jim Green, estamos a menos de 2 anos de anunciar vida noutro planeta, e “podemos não estar preparados para isso”!

E porque é que podemos não estar preparados para isso?

É simples: num sistema solar com 8 planetas (9 se considerarmos também Plutão como planeta, apesar de ser um planeta-anão) temos pelo menos 11 mundos oceânicos (contando com as Luas geladas), o que significa que a água é muito mais abundante no universo do que anteriormente se pensava.

Se portanto dentro do mesmo sistema solar encontrarmos por duas vezes, em dois planetas distintos, vida, significa também que a vida está por todo o universo e em abundância.

Mas a questão vai ainda mais longe: e se encontrarmos vida também nas missões a Europa e Enceladus (luas de Júpiter e Saturno, onde os cientistas pensam poder haver vida quase com certeza?).

E se depois especularmos um pouco mais, uma vez que vivemos numa galáxia com 400 biliões de sistemas solares, sendo que estão identificadas 100 biliões de galáxias na periferia da nossa galáxia (e o universo continua)…

Estaremos preparados para aceitar que a vida possa estar por toda a parte, e que esta possa ser de todas as formas e feitios?

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