China Lander test zona económica Lua
Créditos: AP Photo/Andy Wong Legenda: Demonstração de voo do lander chinês
Os meios de comunicação estatais da China e também da Rússia, anunciaram pela voz de Bao Weimin, o diretor da Comissão de Ciência e Tecnologia da Corporação Científica e Tecnológica Aeroespacial da China (CASC), que se deve estabelecer uma zona económica Especial Terra-Lua.
Os “timmings” deste processo, e como há um ambiente de “Gold Rush” espacial, normalmente são sempre alterados inclusivamente durante o mesmo ano. É normal a China dizer que não fará nenhuma missão tripulada à Lua antes de por exemplo 2028, e surpreender-nos como novas declarações dizendo que está a planear fazê-lo em breve e até enviar uma missão tripulada a Marte, antes dos americanos (tal como já explicámos neste artigo).
Desta feita a data avançada, mais uma vez parece não ter muito sentido. A China deseja criar uma zona económica especial na Terra-Lua até 2050 (uma meta que parece estar bastante alargada), uma vez que a NASA estabeleceu a data de 2024 para dar início à construção de uma base lunar e à exploração dos recursos lunares, com o Programa Artemis.

De acordo com declarações de Chris Devonshire-Ellis, da Dezan Shira & Associates, só se explica com uma questão envolve assuntos mais sérios e “profundos” do que a mera exploração lunar:
“Embora a proposta pareça divertida, há uma componente muito séria nisso: Quem é o dono da Lua? De acordo com o Tratado do Espaço Exterior das Nações Unidas, assinado por todos os países que viajam no espaço, nenhuma nação pode reivindicar soberania sobre o satélite lunar da Terra. 102 países entraram no acordo de 1967; A China entrou em 1983. Suspeito que a intenção de Bao seja estabelecer bases para Pequim começar a corroer o tratado existente e iniciar o processo de permitir a propriedade de sítios lunares no futuro.”

Mineração da Lua.

Faz parte desta estratégia a implantação de um sistema de transporte para ligar a Terra e a Lua, transporte de utilização “Low Cost”. O desenvolvimento deste sistema de transporte pode segundo os cálculos do director Bao Weimin, vir a arrecadar para a China cerca de 10 triliões (recorde-se que a empresa Apple foi a primeira a atingir o valor de um trilião em 2018, sendo portanto que segundo os cálculos e de acordo com as metas de exploração lunares, o valor a arrecadar daria para comprar 10 empresas como a “actual” Apple, que é a empresa melhor sucedida do mundo. Esta meta dos US $ 10 trilhões para a China, é uma informação avançada pelo jornal Science and Technology Daily, entre outros.
Mais importante do que isso para a China, parece ser a necessidade de estabelecer regras de comportamento para as nações que têm projectos de exploração lunares, e essa questão a longo prazo irá definir os equilíbrio de poder entre EUA-China, China-Rússia e China-Índia, uma vez que todos estes players têm projetos de exploração em andamento (e são também estas as únicas nações que já “alunaram”).

E a China já testou a sonda para ir a Marte, em frente a observadores internacionais…

Foi testada dia 14 de Novembro numa instalação de Huailai, na província chinesa de Hebei, um dispositivo de aterragem do lander chinês, num teste de pouso que implica capacidade de evitar obstáculos e de controle de “desaceleração”, numa simulação das condições do Planeta Vermelho, onde a força da gravidade é cerca de um terço da da Terra.

Para esta demonstração foram convidados observadores internacionais, com o objectivo de fazerem sugestões para inclusão de novas tecnologias de exploração no lander chinês, com vista a que este possa participar em programas de investigação mais global.

Este teste é basicamente a apresentação da missão que se vai realizar no próximo ano, e que inclui um lander que levará a bordo um pequeno rover.

A missão chinesa vai “competir” com as já agendadas missões Mars 2020 (EUA) e Exomars (EU), que voam para Marte também para o ano que vem, acompanhadas de um orbitador dos Emirados Árabes Unidos.

O Programa Espacial chinês tem-se desenvolvido com rapidez, tendo começado com a primeira missão tripulada em 2003, e culminando na missão Chang’e 4, que foi direccionada ao lado oculto da Lua.

Por pressão dos EUA grande parte das missões na Estação Espacial Internacional têm sido recusadas, alegando razões de segurança nacional.

Quanto à demonstração, a China fez os testes numa instalação com 140 metros de altura. Esta descida deve recriar o “landing” que demorará cerca de 7 minutos, que é aliás a altura mais perigosa da missão, e onde diversas naves já foram perdidas. De facto, das diversas tentativas que já foram feitas pelos EUA e Rússia, apenas foram conseguidas 8 pousos (todos dos EUA).

Além das missões na Lua, a China procura com este lander entrar no “Clube de Marte” em 2020, onde se espera ainda que a Europa também venha poder pertencer com o pouso do  rover Rosalind Franklin (ExoMars).

 

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