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Esta semana, falamos de lançamentos de Banda Desenhada portuguesa, de visões de Guillermo del Toro e de Lovecraft, ao som de Bauhaus. Olhamos para o mau envelhecer da tecnologia, para a decisão do Twitter em banir publicidade política, ou inteligência artificial capaz de escrever textos. Visitamos o CERN, brincamos com estatística e Vaticano, e recordamos sinfonias para serem tocadas por motores de avião. Alguns destaques das leituras capturadas na rede esta semana, sempre a procurar refletir sobre o sentido do nosso tempo.

Sobre a Ficção Científica

Space station, ferry rocket, and space telescope over Central America, painted by Chesley Bonestell, 1952: A partir das ideias de Von Braun, sobre como chegar ao espaço.

Cory Doctorow: Jeannette Ng Was Right: John W. Campbell Was a Fascist: Um regresso ao escândalo que abalou o mundo da Ficção Científica, quando uma escritora laureada com o prémio Campbell apontou as falhas de carácter do antigo editor. O meu problema com estes escândalos é o oscilar entre excessos, ou elogio, ou nojo. Fica difícil para aqueles que têm sentido crítico discutir com clareza estas questões. Campbell tinha ideários fascistas? Pois, claro. Mas também foi um dos pilares da FC. Ambos os aspetos têm de ser sublinhados.

sobre

Toutinegra: Um novo lançamento da Polvo (a quem faz falta um website):  Toutinegra, por André Oliveira e Bernardo Majer. De acordo com o press release do Rui Brito, editor, “Num lugar quase deserto e condenado ao esquecimento, há ainda duas candeias que resistem ao vendaval. E quando tudo pertence ao passado, a descoberta constante das crianças, ou o que ficou da memória, não é mais do que uma construção. Um castelo de cartas. Uma miragem e um vislumbre de todos os segredos do mundo”. Curiosidade desperta? A Polvo é notável pela sua aposta no melhor da banda desenhada independente.

Martin Scorsese: I Said Marvel Movies Aren’t Cinema. Let Me Explain.: E, por falar em escândalos, recordam-de das declarações anti-estética Marvel de Scorsese? Aqui, o realizador explica-se melhor, e tem toda a razão. O problema não está nos filmes em si, que apenas são a variante mais recente do cinema espetáculo, mas sim nos espaços culturais e mediáticos cada vez mais orientados para o cinema mais comercial, com a progressiva invisibilidade e impossibilidade de filmes que exploram a estética cinematográfica. E que os fanboys Marvel (eu sou um deles, mas é mais nos comics) me perdoem, mas Scorsese está certo. O problema não está na Marvel, mas no estreitamento do cinema, reduzido à visão comercial.

Guillermo del Toro Reveals His Vision of “Scary Stories” Was Different: Scary Stories não é um filme excelente, mas é muito eficaz e faz o que pretende fazer, que é posicionar-se para um público jovem. Tem de ser transgressivo, mas não suficientemente arrepiante para alienar o seu público. Mas agora, é impossível não pensar em como seria este filme da visão gótica de del Toro.

Timestop! cover art by Gene Szafran, 1970: Da fase surrealista da ilustração de ficção científica.

Listen: “Bela Lugosi’s Dead” vs Disneyland’s Haunted Mansion: Para a ressaca pós-Halloween, que tal ouvir um mashup da narração da Casa Assombrada da Disney, com a sempre incrível canção Bela Lugosi’s Dead dos Bauhaus? Nunca há más razões para ouvir esta canção.

“The Terminator” (1984) Doesn’t Stand the Test of Time: O Bleeding Cool descobriu o óbvio, que o Exterminador Implacável é um mau filme de ficção científica. Sempre o foi, o que o torna divertido é a iconografia do robot assassino.

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Chris Foss: Um dos grandes mestres da ilustração de ficção científica.

The Return of Kite-Man in Tom King’s Batman: Kite-Man yeah. Tom King pegou num vilão de terceira linha e está a divertir-se com  ele, um toque de humor no meio do tom mais trágico da continuidade de Batman.

Substitute For War: Do encanto com a iconografia das capas pulp.

Review – Os Regressos (The Returns): Um livro que deveria estar na minha lista de leituras.

H.P. Lovecraft: revisamos la espeluznante obra del creador del horror cósmico (Laberinto de Papel 1×02): É sempre bom recordar o trabalho do escritor algo reclusivo e que por pouco não ficou esquecido de Providence. Postumamente, a sua obra tornou-se das mais influentes no horror e fantástico contemporâneos.

Sobre Tecnologia

Spectacular, robotic cardboard sculptures: Apenas wow, porque estes robots de cartão são muito kawaii.

Here’s How Ridiculous This Year’s CES Will Look in 2034: Problemas do design. Os estilos envelhecem depressa, e o que hoje é elegante, amanhã pode ser kitsch.

The Making of “The Game: The Game’: O lado tóxico da cultura do gaming, exposto.

AI Is Getting Very Good At Writing Prose: Antes que comecem os coros da desgraça sobre a catástrofe cognitiva das IAs que escrevem textos, reparem que aqui se trata da conjugação entre a imaginação e capacidade literária humana, e os algoritmos GPT.

Twitter banning political ads is the right thing to do, so it will be attacked mercilessly: Uma notícia inesperada, e confesso que a primeira vez que a li nem acreditei. Esta iniciativa do Twitter vai em contramão com o tipo de atuação habitual das redes sociais, e é significativo, na medida em que ataca diretamente um dos focos de desinformação mais notório.

sobre

INDUSTRIAL PHOTOGRAPHY IN THE MACHINE AGE: Do fascínio com a estética dos mecanismos.

What makes an image memorable? Ask a computer: Um dos usos mais interessantes de algoritmos de Inteligência Artificial está no seu uso para melhor compreensão da forma como nós pensamos. Neste caso, perceber o que determina o que torna uma imagem memorável.

Russia Is About to Disconnect From the Internet: What That Means: É uma das tendências mais preocupantes na evolução da Internet, a sua balkanização. Na verdade, reflete uma tendência de progressivo autoritarismo político, que precisa de limitações aos espaços de ideias para se conseguir implantar. Limitar o potencial de uso de um media que estimula a comunicação à escala global é uma das ferramentas de repressão soft que sustenta o novo autoritarismo.

Lifting bodies and the X-37B: Um olhar para o desenvolvimento da tecnologia em que se baseava o Space Shuttle, e o secretivo X-37B, aquela nave da USAF que faz missões orbitais secretas, que ninguém sabe o quê e para que servem.

Josef Prusa Wants You to Change File Formats: A validade dos ficheiros 3D é um dos empecilhos invisíveis à acessibilidade da impressão 3D. É desmotivador colocar algo a imprimir e ver aquilo falhar quando aparentemente está tudo bem. Se bem que nisto, o sonho seria dispor de um slicer que faça correção de erros em modelos 3D, de forma automática.

The 3D Printers, Scanners, and Art Robots of Maker Faire Rome: A Maker Faire Rome é gigantesca, e quaisquer destaques pecam sempre por apenas mostrar detalhes. Este ano, a robótica tinha projetos assombrosos.

Airbus Has Just Unveiled Germany’s Classified Diamond-Shaped Low Observable UAV Testbed (LOUT): Portanto, a Airbus também está a trabalhar num projeto de drone avançado. Claramente, a robotização militar é a tendência.

Revisit the history of the scroll bar: Fascinante, esquecemos que a ubíqua e quase invisível barra de scroll é um objeto de design.

Microsoft’s AI Research Draws Controversy Over Possible Disinformation Use: Usar algoritmos para automatizar a inserção de comentários em notícias é uma excelente arma de censura política, e não deve ser por acaso que este paper veio de uma universidade chinesa. As questões éticas que isto levanta são enormes.

Myths of Human and Machine: Uma análise, com exemplos de projetos artísticos, da interação simbiótica criativa entre homem e máquina, e porque é que as visões alarmistas de supremacia do mecânico sobre o humano são infundadas.

Toshi Omagari’s Visual History of Arcade Game Typography from the ’70s, ’80s and ’90s: Sim, é apenas isto, uma história da tipografia 8bit dos antigos jogos de computador.

Tempos de Modernidade

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andri pol takes a look inside CERN’s swiss headquarters: Um vislumbre, com qualidade visual deslumbrante, do que são os espaços de ciência avançada do CERN.

In Defense of Russian Rocketry: Uma resposta, interessante e bem alicerçada na história do desenvolvimento da tecnologia de foguetões, a um artigo de James Gleick.

How to Run a City Like Amazon, and Other Fables (2019): De facto, gerir cidades como empresas não costuma dar bons resultados, até porque nem todos os valores se resumem ao lucro.

TLDR: 9 Paleofuture Stories From 2013 You Swore You’d Finish Later: Sugestões de leitura do Paleofuture, um daqueles blogs que olha para o futuro sob o prisma da forma como no passado concebiam o seu futuro.

A Surprise First: Por vezes as piadas escrevem-se a si próprias, e apetece dizer qualquer coisa sobre o elevado consumo de álcool no Vaticano e a elevada incidência de missas no local. Na verdade, esta notícia sublinha os enviesamentos que o uso acrítico das estatísticas.

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The Fatal Stare of Medusa, because Italy can glamorize anything…: De facto, italianos e design é ligação certa.

NATO Code Name “FELON”: Russian Su-57 Gets Its Reporting Name, And It Couldn’t Be Better. Suspeito de algum toque de humor negro nesta nomenclatura no caça russo Su-57. O que eu não sabia é que estes nomes atribuídos pela Nato obedecem a um código. A primeira letra do nome indica o tipo de aeronave – f para caça, b para bombardeiro.

Jesus, Mary, and Mary: Olhamos para o passado, pensando que somos mais evoluídos nas nossas atitudes. E de facto somos, mas há excepções. As atitudes medievais perante a sexualidade eram, apesar das histórias sobre cintos de castidade, mais abertas que as nossas.

Symphony with Airplane Propellers: Agruras da música contemporânea, como público a ser arrastado por hélices numa apresentação de uma sinfonia composta apenas para ser tocada por elementos mecânicos. Se isso vos causa estranheza, se não me engano foi Stockhausen que compôs uma peça musical para ser tocada por helicópteros. E porque não? A música é também a busca por novas sonoridades.

Blue spaces: why time spent near water is the secret of happiness: Se pegarem no excelente matacão que é o livro Moby Dick de Herman Melville, reparem no que Ismael diz logo no espantoso primeiro parágrafo, na forma como afirma que o mar o cura da melancolia e pensamentos negros. Hoje, a ciência mostra-nos que há algo de muito profundo nisso.

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