Vida em Marte: Um estudo bombástico foi apresentado ontem dia 19 de Novembro, pelo Dr. William Romoser da Ohio University no meeting anual da Sociedade Entomológica da América, em St. Louis, Missouri.

Tendo passado vários anos a estudar fotografias do planeta vermelho que estão disponíveis na Internet, o especialista diz ter encontrado vários exemplos de formas semelhantes a insetos, estruturadas de maneira semelhante às abelhas, bem como formas semelhantes a répteis, tanto em fósseis como em criaturas vivas.

“Houve e ainda existe vida em Marte”, explicou Romoser no meeting anual, exibindo  recurso semelhantes àqueles que podem ser encontrados na Terra, como por exemplo a presença de asas, a flexão das asas, e elementos de pernas de diversas formas.

vida em Marte

As imagens individuais foram estudadas cuidadosamente, variando os parâmetros fotográficos, como brilho, contraste, saturação, inversão etc. Os critérios usados ​​nesta pesquisa de Romoser incluem a partida dramática do ambiente, clareza de forma, simetria corporal, segmentação de partes do corpo, formas repetida, restos esqueléticos e observação de formas próximas umas das outras. Também posturas particulares, evidências de movimento, fuga, interação aparente, como sugerido por posições relativas, e olhos brilhantes foram considerados, e entendidos como consistentes com a presença de formas vivas.

Ainda que isto possa parecer fácil de ser descartado, o entomologista da Universidade de Ohio refere que por exemplo “um exoesqueleto e apêndices articulados são suficientes para estabelecer a identificação de um artrópode. Três regiões do corpo, um único par de antenas e seis pernas são tradicionalmente suficientes para estabelecer a identificação como ‘inseto’ na Terra. Essas características também devem ser válidas para identificar um artrópode em Marte, como inseto. Nestas bases, artrópodes podem ser vistos nas fotos do veículo espacial de Marte.”

O comportamento de voo distinto era evidente em muitas imagens, explicou Romoser. Essas criaturas parecem-se vagamente com abelhas na Terra. Entre as imagens apresentadas podemos encontrar as “abelhas” a procurar abrigo em “cavernas” de subsolo.

A questão aqui é que Romoser é um especialista com currículo: foi professor de entomologia na prestigiada Universidade de Ohio durante 45 anos e co-fundou o Instituto de Doenças Tropicais da Universidade, tendo passado cerca de 20 anos como cientista visitante de doenças transmitidas por vectores no Instituto de Pesquisa Médica do Exército dos EUA de Doenças Infecciosas. Entre 1973 e 1998, Romoser foi também o autor e co-autor de quatro edições do popular livro “The Science of Entomology”.

Nesta apresentação, Romoser clarificou que “a presença elevada de metazoários em Marte implica naturalmente a presença de fontes e processos de nutrientes / energia, cadeias alimentares e teias, e a água como elementos funcionando num ambiente ecológico viável, (ainda que) extremo, mas suficiente para sustentar a vida”.

Além disso como lembrou, a existência de águas superficiais em Marte foi relatada várias vezes, pela instrumentação da Viking, do Pathfinder, da Phoenix e do Curiosity.

A totalidade das fotos pode ser consultada aqui.

E depois há metano que desaparece e reaparece…

Para adensar o mistério, também diversos estudos têm mostrado a existência do gás metano, na atmosfera de Marte. Mas o que é realmente estranho, é ver que existem flutuações diárias e sazonais de metano na fina atmosfera do planeta vermelho, condicionados por uma fonte desconhecida. E isso é fascinante porque no planeta Terra, o metano está associado à existência de vida microbiana.

Para além disso, um estudo da Geophysical Research Letters divulgado em 20 de agosto de 2019 explica que este gás afinal não é provocado pela erosão do vento nas rochas, tal como anteriormente se pensou, o que veio reforçar o ambiente de mistério.

De facto não se sabe qual é a fonte emissora de metano, e percebemos contudo que terá de existir, uma vez que chegado este gás à superfície, existe um mecanismo de destruição do metano chamado radiação ultravioleta, provocada pelo sol, e que penetra a fina atmosfera quase sem oposição.

Explicando melhor, o metano em contacto com o Sol entra em degradação fotoquímica, uma vez que a radiação UV do Sol faz com que o metano se decomponha em dióxido de carbono e metanol. Não é explicável contudo como é que o metano desaparece tão depressa, e esse assunto continua a aguardar explicação.

Publicado na revista científica Icarus, a equipa do Mars Simulation Lab da Universidade de Aarhus, propôs já que a ionização do metano (com o vento) poderia ser esse responsável “misterioso”, argumentando que a erosão causada pelo vento poderia ser responsável, transformando o metano em compostos como metil (CH3), metileno (CH2) e carbino (CH).

O problema é que sabemos que o metano pode ser libertado a partir de meios ou processos geológicos, mas testados os processos ficamos ainda sem uma solução para este quebra-cabeças.

O metano em Marte varia sazonalmente e diariamente…

Metano Marte
Créditos: ESA Link: https://www.esa.int/ESA_Multimedia/Images/2019/04/How_to_create_and_destroy_methane_at_Mars

Também a investigação do ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) e do rover Curiosity em Gale Crater, detectaram explosões de metano em diferentes momentos nos últimos anos, e as análises indicam que ele atinge o pico no verão e desaparece no inverno.

Só na Cratera Gale em Marte é produzido o equivalente a uma média de 2,8 kg por dia marciano. O orbitador ExoMars Trace Gas Orbiter mediu sempre muito pouco metano: cerca de <50 partes por trilhão acima de 5 km, enquanto que o Curiosity media substancialmente mais, cerca de 410 partes por trilhão perto da superfície, e à noite.

Somente a existência de metano deveria ser um forte indício de vida em Marte, mas as diversas sondas enviadas até ao momento não conseguiram encontrar nenhuma prova disso. Uma coisa parece certa para já, e é que o metano é criado na subsuperfície marciana.

A grande questão entretanto começou a ser outra: a existência de variações sazonais e diárias são consistentes com processos de origem biológica, enquanto que as explicações geológicas para esta variação são cada vez menos prováveis. Por exemplo a existência de água em contacto com a rocha poderia ser uma explicação, contudo as variações diárias e os picos de libertação do gás no Verão e Outono, bem como o consequente desaparecimento no Inverno, tornam os processos geológicos mais difíceis de serem explicados.

Metano Verão Marte
Créditos: NASA/Trent Schindler/Wikipedia.

Desde praticamente que se começou a observar Marte através de um telescópio, que os cientistas especulam sobre a possibilidade de existir vida no planeta vermelho. Com efeito até meio do século XX havia essa suspeita, mas foram nos últimos 15 anos que a procura por vida passada e recente, acelerou.

O metano é mais do que um simples indício ou seja, tem sido entendido como sendo uma bioassinatura. A questão é que afinal parece que há outras “bioassinaturas”!!!

O comportamento do oxigénio em Marte também é inexplicável…

Marte está sem dúvida caracterizado pelo mistério que existe em torno das oscilações dos gases atmosféricos. Para além do metano que desaparece e reaparece em seguida, também um estudo recente veio indicar que os níveis de oxigénio foram observados tanto a subir como a descer na área da Cratera Gale (onde está o Curiosity), em quantidades que simplesmente não se encaixam em nenhum processo químico conhecido.

De facto, não há muito oxigénio em Marte. A maior parte de sua atmosfera fina, 95% é dióxido de carbono ou CO2, sendo o restante composto por 2,6% de nitrogénio molecular ou N2, 1,9% de argónio ou Ar, e 0,16% de oxigénio molecular ou O2, para além de 0,06% de monóxido de carbono ou CO.

Em comparação com a atmosfera da Terra, esta é principalmente nitrogénio, com 78,09%  de nitrogénio ao que se junta 20,95% em oxigénio.

Há variações que se conhecem… Mas não são estas!

Sabemos que em Marte, a pressão atmosférica muda ao longo do ano. No hemisfério de inverno o Dióxido de carbono (CO2) congela sobre o pólo, o que faz com que a pressão caia pelo hemisfério. Isso resulta numa redistribuição de gases de hemisfério para hemisfério, por forma a equilibrar a pressão atmosférica em todo o planeta.

Já na primavera, quando as calotas polares derretem e libertam o CO2, ocorre o efeito oposto: a pressão aumenta inicialmente naquele hemisfério à medida que os gases são redistribuídos para o hemisfério de inverno.

Assim sendo, as flutuações dos outros gases são previsíveis de acordo com a proporção dos níveis de CO2. Ou pelo menos eles deveriam ser. No caso do nitrogénio e do argónio, esses gases têm-se comportado como esperado. Mas com oxigénio não é assim!

Durante a primavera e verão, o oxigénio aumentou cerca de 30%, voltando aos níveis normais no outono. Isto acontece todos os anos, mas supostamente na quantidade “prevista”. Contudo o último estudo vem confirmar que  parece que algo está  a adicionar oxigénio à atmosfera e depois retira-o novamente de circulação, sendo que não há um processo conhecido que produza estes efeitos.

Tendo sido despistado se a instrumentação a bordo do rover está a funcionar normalmente, começaram a levantar-se outras hipóteses. Um possibilidade era o oxigénio ser produzido pela água ou pelo dióxido de carbono e de alguma maneira soltando-se na atmosfera. Esta hipótese foi descartada, uma vez que não há água suficiente na atmosfera marciana e o CO2 decompõe-se muito lentamente, de acordo com as flutuações observadas.

Também o processo pelo qual a radiação solar separa o oxigénio e o dissipa no espaço é muito lento. Segundo a cientista planetária Melissa Trainer, do Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA, isto acontece por causa de uma “fonte” química que ainda não se pode explicar.

Possivelmente aquilo que está a causar as oscilações de metano, também estará a causar as oscilações de oxigénio.

Será que estas oscilações se devem à existência de vida no planeta vermelho? É que estes gases podem ser produzidos através de processos orgânicos, mas também podem ser  produzidos através de processos geológicos.

Futuras missões a Marte para procurar vida partem já em 2020, como o rover ExoMars da ESA e o rover Mars 2020 da NASA (ambos com previsão de chegada em 2021).

Estando os dois apetrechados para procurar vida e fósseis, talvez só aí saibamos responder a esta pergunta.

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