Superfície de Plutão, fotografada a 14 de Julho de 2015. Créditos: NASA/JHUAPL/SwRI via AP

A NASA anunciou que está a financiar um estudo do Southwest Research Institute (SwRI) para explorar a viabilidade e custos de uma missão de retorno a Plutão, com um orbitador, que possa também monitorizar a lua Caronte.

Este estudo ocorre quatro anos depois da sonda New Horizons ter passado por Plutão. A New Horizons foi lançada a 19 de Janeiro de 2006 e chegou a Plutão a 14 de Julho de 2015. Esta sonda com 401 Kg de peso, 2,20 metros de altura e 2,11 metros de largura era alimentada por um gerador termoelétrico de radioisótopos que funciona como já explicámos aqui, no Sapo 24.

A New Horizons, que foi concebida pelo Applied Physics Laboratory (APL) da Universidade Johns Hopkins (normalmente contratado para prestar serviços na área da Defesa), juntamente com o Southwest Research Institute em San Antonio no Texas, foi desenhada para estudar Júpiter, Plutão e Arrokoth, ou mais propriamente 486958 Arrokoth que anteriormente foi designado pela equipa da New Horizons como Ultima Thule, bem como fotografar os satélites do planeta-anão (Plutão), nomeadamente as luas Caronte, Nix, Hidra, Cérbero e Estige.

Imagem tirada com wide-angle através do Multicolor Visible Imaging Camera (MVIC), da New Horizonss a 1 January 2019 5:26, 7 antes do ponto mais próximo do Flyby a uma distância de 6,700 km.

A New Horizons está a voar à velocidade relativa de 16,26 km/s ou 58 536 km/h em direcção à Heliosfera para se lançar em seguida no Espaço Interestelar, com o record de ser o segundo artefacto humano mais rápido de sempre – o primeiro é a sonda Voyager 1, que já está no Espaço Interestelar.

O novo orbitador que vai voar para Plutão

A missão da New Horizons foi rápida (apesar da instrumentação que levava a bordo), principalmente porque no facto a tecnologia de que dispomos ainda ser escassa para fazer travar uma sonda que vem a voar de tão longe, e a grande velocidade.

Assim sendo, os dados recolhidos limitaram-se às condições daquele dia em particular, e não às observações de mudanças sazonais e geológicas ao longo do tempo. Em resumo, apenas 40% de Plutão e de Caronte foram mapeados em alta resolução, e nenhuma aproximação foi feita às quatro pequenas luas do sistema.

Já nos 10 estudos da Planetary Science Decadal Survey, um documento emitido pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, foi delineado como prioridade de entre as missões planetárias, a construção de um orbitador com “atributos importantes, viabilidade e custo de uma possível missão futura de Plutão”.

Assim, com o auxílio de Alan Stern, o investigador leader da New Horizons, o SwRI começou o seu estudo interno, que abordava temas como que tipo de nave seria ideal para orbitar plutão, qual a instrumentação, qual o veículo de lançamento adequado e qual a propulsão química que deveria estar associada a esta missão.

O que se pretende nesta missão em “Deep Space” é economizar combustível, aproveitando a gravidade dos planetas para auxiliar os Flyby’s, sendo que a nave terá que fazer diversas manobras que a ponha em rota com as diversas órbitas a que esta missão se propõe.

Quanto a essa manobras inclui-se de acordo com Tiffany Finley, especialista em software da Divisão de Ciência e Engenharia Espacial do SwRI, que participou no estudo de 2018, um orbitador que possa fazer cinco ou mais sobrevôos (Flyby’s) de cada uma das pequenas luas de Plutão, e estudar Caronte, além de sobrevoar Plutão nas regiões equatoriais e polares, fazendo uma análise completa de atmosfera.

A missão Dawn que orbitou o planeta-anão Ceres e o protoplaneta Vesta, já foi equipada com uma capacidade de armazenamento muito maior do que a New Horizons (que tinha apenas 16 Gb), e com uma parabólica 10 vezes mais potente, pelo que o orbitar que agora se seguirá terá muito mais valências.

Este novo orbitador deverá enviar dados em Alta-Resolução a cada 15 dias, entre os quais se espera um mapeamento térmico de Plutão, uma vez que se pretende saber se o planeta gelado hospeda vulcões activos, e consequentemente se tem um núcleo activo que permita fixar atmosfera no futuro.

A Lua Caronte

Plutão, Caronte, New Horizons
NASA/Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory/Southwest Research Institute/Alex Parker

Pretende-se também fazer um Flyby à Lua Caronte (um dos satélites de Plutão), que tem uma raio de 606 Km, e que foi recentemente descoberta, mais concretamente em 1978 pelo United States Naval Obeservatory em Washington D.C.

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