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Para esta semana, destacamos Nabokov a falar de coisas, e as imagens que recordam o que foi o Muro de Berlim. Falamos de robots com forma canina, de projetos de naves espaciais de Von Braun esquecidas, e do conceito de uncanny valley. Anotámos discussões sobre o futuro da FC portuguesa, lançamentos de banda desenhada, e visões do futuro no cinema. Estas são algumas das leituras que podem encontrar no Capturas desta semana.

Ficção Científica (Mas Sem Robots)

Chris Foss: Tenho a edição portuguesa deste livro na minha biblioteca, mas a capa nem se aproxima desta.

Imagens de All Watched Over by Machines of Loving Grace: Entre o tema e as vertentes de aproximação, confesso-me intrigado com esta edição da Chili Com Carne (que sim, é o nome de uma editora independente portuguesa).

Häuschen – A Herança (2019): Uma das curtas portuguesas que vi no Motelx deste ano, que apesar de algo previsível, estava muito bem feita. O cinema não tem de ser sempre excelente para ser bom, e esta curta mostra isso.

The Discomforting Legacy of Wendy Torrance: Confesso que fui daqueles que aos primeiros visionamentos de The Shining achei o desempenho de Shelly Duval medíocre, com aqueles arremedos todos de gritos histéricos. Foi preciso crescer para perceber a real profundidade do retrato que alguém que vive genuinamente aterrorizada, não com os horrores do filme, mas com a convivência diária com um homem que a brutaliza. No filme, para Wendy, os horrores começaram muito antes de ir para o Overlook Hotel.

Make Cinema Great Again: Martin Scorsese, Marvel, and the Hollywood Monoculture: Porque estas questões nunca são lineares, um takedown de Scorsese sob perspetivas multiculturais, apontanto que o cinema é essencialmente branco e masculino.

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Robert McCall: Visões futuristas de um dos grandes ilustradores do género.

From “Casablanca” to “Grave of the Fireflies”: 12 Must See WWII Films: Boas escolhas. Pessoalmente, juntar-lhes-ia três dos meus filmes favoritos sobre a II Guerra – The Longest Day, que até adapta bem o livro reportagem seminal de Cornelius Ryan se descontarem um John Wayne em modo full canastrão; Battle of Britain, que é isso mesmo que estão a imaginar, 90 minutos de combate aéreo de Hurricanes e Spitfires contra Me109s e Do-111 (graças à força aérea espanhola, que nos anos 60 ainda tinha caças e bombardeiros alemães da II guerra no seu alinhamento, e o filme usou tantos aviões que, durante o tempo de produção, se tornou uma das maiores forças aéreas da época): e Tora! Tora! Tora!, que é isso mesmo que estão a imaginar, 90 minutos de Mitsubishi Zeros e Nakajima Nates a afundar a frota americana em Pear Harbour.

FC portuguesa? Que é isso?: Uma nota ao comentário do Jorge Candeias à Cristina Alves. Duvido que um escritor que queira ser um Tolkien ou um Asimov português alguma vez consiga escrever qualquer coisa decente. Porque, como o Candeias aponta e bem, somos produtos da nossa cultura, mesmo que não o queiramos. Tentar escrever como se fossemos americanos ou ingleses, bem, pode-se tentar, há quem o faça, mas percebe-se que é um constructo e não algo natural. Notem que se digo que o Luís Corredoura é o nosso Harry Turtledove, não é porque ele se dedique a escrever histórias alternativas sobre a guerra civil americana, mas sim porque o faz com o ponto de vista português sobre a história europeia. Está enquandrado e tem raízes na nossa cultura. Mas posto isto, malta, escrevam o que quiserem. Isso é o fundamental. Encontrem a vossa voz, inspirem-se na Passarola ou na Space X, usem o mafarrico ou a dama pé de cabra com robots, mas atirem-se. É a vossa voz que conta, o que vos torna escritores genuinos.

Did This Iconic 1962 Short Film Show Us Our Dark Future?: Recordar o extraordinário La Jetée de Chris Marker, é o ponto de partida para uma reflexão sobre os apocalipses ficcionais e a condenação do mundo em que vivemos. O lento apocalipse ambiental, em oposição à rapidez do holocausto nuclear: “We live in a world where disaster is accretive, not the result of a single, signal event such as an exchange of ballistic missiles but instead a series of overlapping somethings that are, by turns, more all-encompassing and more indistinct”.

8 Nov: Infelizmente, o autor não está identificado, mas esta é uma típica visão do futuro em Marte.

The decade in review: Está a aproximar-se o final do ano, e isso significa aqueles artigos reminiscentes sobre o que se passou este ano. Mas esta revista digital vai mais longe. Olha para toda a década. Pois é, 2020 está já aí à esquina…

Our Present Versus Bladerunner 2019 and Other Movie Futures: Acho que Blade Runner, o filme, acertou numa coisa – o iminente cataclisma climatérico. Mas a questão é o porquê da insistência na FC como oracular. Claro que o nosso 2019 difere do imaignado no filme, apesar do enorme cuidado estético de um filme que se atreveu a abordar o futurismo de uma perspetiva mundana. Por exemplo, o espaço urbano. Em vez das visões de arquitetura futurista, os designers imaginaram um espaço de coexistência entre o passado e o futuro, não muito distante do que é a realidade do urbanismo.

Umbra #1: Estou muito curioso com este novo projeto editorial. O olhar para a ficção científica, e a qualidade gráfica das antevisões, despertaram a curiosidade.

Alfred Kelsner: FC gráfica old school.

1.ª edição do Fora da Estante: Ah, isto da cultura é só Lisboa e de vez em quando o Porto, e então nas cenas geek ainda é pior. Pois, mas as coisas estão a mudar, e começam a despontar festivais locais que aproximam fãs e criadores.

O FUTURO DA FC PORTUGUESA – ALGUMAS DIVAGAÇÕES: Notas sobre o potencial e sustentabilidade da FC em português, essa coisa que teima em não se deixar morrer.

‘Color Out of Space’, el relato de horror espacial de Lovecraft, nos muestra su aterrador tráiler con Nicolas Cage: Como fã desavergonhado de Lovecraft, não deixo de ficar muito curioso com esta adaptação de The Colour Out of Space, um dos melhores contos do autor. Mesmo que a presença do famoso canastrão Nicholas Cage seja algo que suscite dúvidas.

Tecnologia: Da IA Aos Robots

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Splendid Soviet painting of classroom computers is yours for $2500: Mais uma para a minha coleção de imagens de computadores na educação. Os estilos variam, as máquinas também, o que é constante é a visão de utilizadores concentrados frente ao ecrã.

Google is open sourcing Cardboard now that the Daydream is dead: A Google decidiu desistir da RV em dispositivos móveis, mas está a fazer a coisa certa. Em vez de abafar a tecnologia, libertou-a para a comunidade open source. Vamos ver o que é que sai daqui.

What Your Facebook Posts Say About Your Mental Health: A nota óbvia. Os traços que deixamos nas redes permitem traçar padrões de comportamento, e com isso antever tendências, ou traçar comportamentos. É, no fundo, análise de padrões aplicada às vastas quantidades de dados que deixamos nas redes.

What Is the Uncanny Valley?: Mais sentimento que ciência pura, mas a apontar para um lado importante das nossas reações psicológicas face aos robots. Quanto mais próximos de nós, mais incongruentes e arrepiantes. O inverso não se passa, temos reações sentimentais perante robots de aspeto mecânico ou kawaii. Agora,  quando os robots são construídos para se assemelhar a nós, algo clica nos nossos sentimentos de revulsão.

Adobe presenta herramientas basadas en IA que detectan si un rostro ha sido ‘photoshopeado’ o eliminan los ‘uhms’ de un audio: Tem toda a lógica, e não surpreende ser a Adobe, que investe consistentemente para se manter a empresa de referência e mais avançada no domínio dos softwares de imagem, a anunciar que está a incorporar algoritmos de inteligência artificial nas suas ferramentas de edição de imagem e vídeo.

Internet Synthesis Protocol: Coisas que não sabíamos que valia a pena conhecer. Uma curta história do MIDI, o formato de ficheiro que empestava a internet dos primeiros tempos com música sintética.

Welcome to robot university (only robots need apply): Como treinar robots (e inteligências artificiais)? Com doses massivas de dados. O que este projeto se propõe é o de criar a maior base de dados aberta de vídeos para treino de robots.

Kranzberg’s Law: É um ponto de vista muito válido e fundamental. A discussão sobre a tecnologia faz-se em dois pólos antagonistas, a crítica absoluta e tecnofóbica versus a apologia acrítica das maravilhas. Mas a realidade tem nuances, e toda a tecnologia tem usos potenciais que vão do muito positivo ao muito negativo. O que não se vê no espaço de discussão são pontos de vista que reflitam isso.

A Review of a WWII German History of Rocket Development Film (1950): E agora tenho de ir saber mais sobre este Spaceship 1.

The Blogger Behind “AI Weirdness” Thinks Today’s AI Is Dumb and Dangerous: E está correta em ambas as intuições. A inteligência artificial que temos hoje é essencialmente poder computacional aplicado a dados, não é verdadeiramente inteligência. E a forma como esses dados são recolhidos ou processados tem dado azo a erros graves, sublinhar de injustiças ou enviesamento do discurso público (aqui, estou a pensar no poder amplificador das redes sociais para discursos extremistas, porque esse tipo de conteúdos é mais eficaz a despertar a atenção do que conteúdos menos extremados).

It’s that time of year again — fall is here and packs of robot dogs are frolicking in the leaves: O título é o lado mais inspirado do artigo, que é sobre robots quadrúpedes desenvolvidos no MIT.

The Laser Weapon Is Really, Really Finally Here: Uma história do desenvolvimento e análise do potencial dessa miragem que têm sido os lasers de combate.

Just The Fax, Ma’am: Uma história do fax, essa tecnologia que estranhamente ainda não se extinguiu, e pelo meio as tentativas de usar o fax como meio de distribuição de notícias. Daquelas ideias que parecem boas até alguém as tentar implementar.

Foreigners visiting China are increasingly stumped by its cashless society: Sem pagamentos digitais, não há bens ou serviços. E o problema para quem visita a China, é que não é fácil obter formas de fazer pagamentos. Ainda se adiciona o lado panopticon disto: numa economia digitalizada, todas as transações são registadas e rastreáveis. O que num regime ditatorial é muito conveniente para detetar possíveis dissidentes.

Modernidade

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Before the Fall of the Berlin Wall: Numa semana em que se comemora a queda do muro de Berlim, a The Atlantic recorda a vida numa Alemanha dividida pelo muro (e pelos regimes, pela história, pela guerra fria).

The Humanoid Stain: Uma leitura fascinante, que analisa algo que nos é insondável – o impulso que terá levado os nossos ancestrais pré-históricos a desenhar e pintar nas paredes das cavernas. Não temos forma de compreender o porquê da arte rupestre. Alvitram-se hipóteses, entre o religioso e o ritualista, mas nunca saberemos o que realmente motivou a criação destas obras que atravessaram milénios. Imagens assombrosas, vindas da profunda noite dos tempos.

How Dreams Change Under Authoritarianism: Os efeitos dos regimes repressivos no inconsciente dos indivíduos, analisado através do registo de sonhos de pessoas que viveram durante o regime nazi.
Man and Things: Nabokov a falar sobre o curioso afeto que sentimos pelas nossas coisas, e com interessantes insights sobre robots e outros mecanismos complexos. Mas se a mera menção a Vladimir Nabokov não foi o suficiente para vos fazer clicar neste artigo, não há literatura que vos valha.
Shell Shock 1919: How the Great War Changed Culture: Não é novidade para quem conheça a história da arte, mas o modernismo nasceu nas trincheiras. Porque a I guerra foi mais do que o primeiro grande conflito global, ou a primeira guerra mecanizada. Foi onde a sociedade e cultura europeia clássica morreu, por entre os tanques, a lama e as cargas de infantaria esmagadas pela metralha. Os traumas da Guerra fizeram nascer uma nova ideia de cultura.

There’s 22 million gallons of nuclear waste under a concrete dome on a Pacific Island, and it’s sinking: Ah, que bom, esta colisão entre vestígios da Guerra Fria e aquecimento global. Lixo radiotivo dos tempos em que os americanos testava bombas atómicas em Eniwetok, mal protegido por betão, e em risco de ficar submerso dentro de poucos anos. O que é que poderia correr pior? Ah, isto é tão a ideia-base do argumento do Godzilla…

‘I would burn in hell before returning’ – why British teachers are fleeing overseas: Pois. Ganhar mais, poder viajar, e ter uma carga de trabalhos menor com foco naquilo que realmente interessa, a pedagogia, versus ter de aturar burocracias, problemas disciplinares e salários empobrecidos? É no brainer, que se ser professor é uma missão, não tem de se morrer de fome por isso. Nem ser um robot. E, também, há vida para além da escola. Já por cá, as coisas não são muito diferentes, exceto na parte do sair de Portugal para ir dar aulas nos PALOPs. Como os concursos para trabalhar de Angola a Timor são geridos pelo ministério da educação, não há competição de mercado laboral que há no reino unido. Mas temos um problema similar, embora noutras vertentes. Envelhecimento dos quadros, com muitos a sair por reforma (um número crescente nos próximos anos). Saída dos docentes de idade intermédia, afastados pelas políticas dos tempos da Troika, que mudaram definitivamente de profissão e não irão regressar. Promessa de muito trabalho (para terem uma noção, a carga letiva de um docente de TIC, que no currículo tem 25 minutos semanais, poderá chegar às 22 turmas e mais de 600 alunos), com salários baixos (em Lisboa, Porto e algarve já se sente falta de professores porque o salário não compensa a um docente deslocado que tenha de alugar casa) e uma profissão sem grandes perspetivas de carreira. Não é uma previsão de futuro. Desde o ano passado que alunos em todo o país têm ficado sem disciplinas ao longo de todo o ano por falta de docentes.

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Sabia Que… Este Micro Robot Sobrevive Se For Pisado?

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.