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Zona Makers for Space

*** Este artigo sobre os Makers of Space foi publicado no Sapo 24 na quinta-feira passada.

É difícil descrever a imensidão de espaço e projetos da Maker Faire Rome, o mais importante evento maker europeu, e dos maiores ao nível global. São centenas de expositores e milhares de visitantes que passam por seis dos dez pavilhões da Fiera di Roma. As zonas são temáticas, e uma delas tornou-se uma das zonas pivot da Maker Faire Rome. O espaço Makers For Space reúne universidades, entusiastas, empresas e outros criadores cujos projetos olham para o espaço. A curadoria está a cargo da seção italiana da British Interplanetary Society.

Não Há Fuga à Spaceship dos Makers

Este ano, o elemento que mais chamava a atenção neste espaço era um enorme modelo da Spaceship da Space X, completa com um estágio Falcon. Criado com um elevado nível de detalhe que incluía, impressos em 3D, os motores deste protótipo dos lançadores da Space X. Os responsáveis por este modelo gigante pertencem ao coletivo Asimof, um grupo que se dedica à modelação em grande escala de artefactos da história da exploração espacial. No mesmo espaço, podíamos encontrar um outro grande modelo destes criadores, reconstrução à escala de um Saturno 5. Este, esteve em destaque na edição do ano passado, mas este ano foi destronado pela Spaceship. 

Sabemos que a British Interplanetary Society está envolvida quando há um Skylon em maqueta. São talvez os únicos que mantêm viva a memória deste clássico vaporware, projeto de avião espacial britânico que está em projeto desde que me recordo. O seu espaço específico era pouco mais do que uma banca para angariação de evnetuais sócios, livros, canecas e t-shirts. No entanto, asseguraram a seleção de projetos, programa de oradores convidados e exposições temáticas. 

Objetivos: Lua e Marte

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Rovers para _Marte.

Marte é cada vez mais o objetivo da exploração espacial, e isso estava muito bem representado na Makers for Space. Em exposição, encontravam-se pequenos rovers que se podiam deslocar em simulacros de terreno marciano. Esta área mostrava o que se está a fazer, na robótica e na ciência, para assegurar que conseguiremos habitar Marte. 

Mais próximo do que Marte está a Lua, e este foi o ano em que comemoramos os cinquenta anos da primeira presença humana no satélite do nosso planeta. Nesta vertente, os visitantes podiam visitar duas pequenas exposições. Numa, próxima da nave da Space X, estavam expostos manuais e dispositivos computacionais de satélites. Mas a mais interessante comemorava os cinquenta anos da ida à Lua. Aqui, os objetos expostos incluíam modelos detalhados da nave Apollo e do Moon Buggy, luvas de astronauta e artefactos de cultura pop sobre o espaço. 

Mas o artefacto mais visitado, e encantador para os fãs do espaço, era o fragmento de rocha lunar recolhido pelos astronautas da missão Apollo 15. Não é todos os dias que temos oportunidade de estar tão próximos de um pedaço da Lua. Outra zona Makers for Space permitia aos visitantes aprender a pilotar módulos lunares e tentar aterrar na Lua. Dois simuladores bastante concorridos pelo público. 

Makers e Ciências No Espaço 

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Simulador de pilotagem da Apollo 11.

A zona Makers For Space ainda incluía outros projetos. Drones para comunicação com satélites ou réplicas de aeronaves impressas em 3D capazes de voar foram alguns dos projetos. Aqui, o maior destaque ia para os alunos da universidade La Sapienza, que mostraram os seus rovers robóticos, projetos de foguetes lançáveis impressos em 3D, ou projetos educativos para estimular as crianças na exploração espacial. 

Fora da área Makers for Space, havia outros projetos cujo foco estava no espaço. Curiosamente, nenhum era sobre robótica, aeronáutica, computação e inteligência artificial, ou outras áreas de ponta. Os projetos espaciais mais intrigantes estavam na área da agricultura. 

Agricultura em Órbita 

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Uma horta para a Estação Espacial Internacional.

O projeto BioPic especializa-se na construção de pequenas hortas auto-contidas, com sistemas de iluminação por infravermelhos e leds para permitir o crescimento das plantas. Na Faire, mostravam duas aplicações para a sua tecnologia: como pequena horta caseira e de sala de aula, e simulação de uma quinta em Marte, com Recriação de um espaço de possível colónia marciana. 

Vindo da universidade de Milão, o projeto Hortextreme está a desenvolver soluções de equipamentos para agricultura em ambientes extremos, como futuras colónias marcianas ou lunares, ou na Estação Espacial Internacional. Na Faire, mostraram o seu protótipo funcional de módulo agrícola para a ISS: um equipamento insuflável, contendo iluminação ambiental gerada por leds. O sistema utiliza micro vegetais de crescimento rápido, que permitirão aos astronautas uma dieta mais variada e equilibrada. 

Algumas Imagens Makers for Space

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Zona Makers for Space
Modelo à escala da Spaceship da Space X.
Foguetões construídos por estudantes da Universidade La Sapienza.
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Rover marciano DIY.
Detalhe da Hortextreme.
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O percurso para Marte.
Modelos de um Saturno 5 e Skylon.
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Simulação de terreno marciano.
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O Espaço na cultura popular dos anos 60.
Modelo do Moon Buggy.
Modelo à escala do Saturno 5.
Educar para o espaço.
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Simulador de pilotagem da Apollo 11.

A Maker Faire Rome mostra que a cultura Maker é capaz de sair da garagem ou do fablab, e afirmar-se em projetos estruturados, científicos ou económicos. Na zona Makers For Space, mostra-se que o Espaço também atrai a criatividade dos Fazedores. 

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.