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*Este artigo foi publicado esta semana, no Sapo 24

O que é que a história do planeta Terra tem para nos contar?

É conhecido que a terra se formou há aproximadamente quatro mil e quinhentos milhões de anos. Primeiramente, de uma grande nuvem de gás e poeira, a gravidade começou a agregar as mais ínfimas partículas. Com o passar dos milénios, as partículas que estavam no centro estavam tão densamente compactadas que algo extraordinário ocorreu. Pela primeira vez, as forças gravitacionais alcançaram patamares tão elevados que a fusão nuclear ocorreu, gerando assim uma estrela. No nosso caso, essa estrela é o Sol.

O restante da poeira que ficou ao redor do sol, continuou a orbitar e aos poucos condensou-se. De facto, não existia poeira suficiente para que a fusão nuclear gerasse uma outra estrela, porém, existiam partículas suficientes para formar imensas estruturas esféricas de rocha e gás a que chamamos de planetas e luas.

Os planetas mais próximos do sol, também conhecidos como planetas rochosos, são Mercúrio, Vénus, Terra e Marte, e foram resultado da aglomeração de partículas sólidas, como poeira e gelo. Os mais distantes, ou planetas gasosos são Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno e são o resultado da aglomeração de gases e de uma ínfima quantidade de sólidos.

Este mesmo processo ocorre em todo o universo. Aonde existem estrelas e planetas, esse processo aconteceu anteriormente. Mesmo sendo universal, carecemos de explicações para o porquê de possuirmos uma característica até agora única no cosmos: a Vida.

Diante da imensidão do universo, fica fácil entendermos o quão difícil é detectar qualquer resquício de vida em outros corpos planetários. Neste artigo, irei guiá-los na jornada mais desafiadora que a raça humana já empreendeu. A busca por vida em outros planetas.

Água, o componente chave

Antes de mais, cabe ressalvar que para encontrarmos vida em outros planetas ou luas precisamos identificar o requisito principal da vida aqui na Terra: a água. Possuímos oceanos de água líquida que ao longo de milhões de anos deram origem aos primeiros organismos, e depois às primeiras algas, produzindo assim o oxigénio do qual respiramos.

De facto, não existe vida sem água no planeta Terra. Portando, esse é o primeiro sinal que inúmeros satélites e telescópios espaciais procuram em possíveis planetas habitáveis.

Esse conceito de habitabilidade nada mais é do que o conjunto mínimo de características geoquímicas necessárias para suportar a forma de vida mais simples de que se tem conhecimento.

A outra característica fundamental é a composição atmosférica. Aqui, no planeta, possuímos uma mistura de nitrogénio, oxigénio, dióxido de carbono, metano, ozono e outros gases em quantidades diminutas. Assim como na Terra, esperamos que qualquer outro corpo planetário que venha a suportar vida apresente uma mistura de gases compatíveis. Portanto, o segundo grande fator determinante utilizado na busca por vida é essa assinatura química.

Atualmente, temos conhecimento de mais de 4000 planetas fora do nosso sistema solar, os chamados exoplanetas. Muitos desses estão na chamada zona habitável, região na qual a distância até à estrela principal permite a possível presença de água em estado líquido. Apesar de milhões de quilómetros de distância, podemos analisar a composição atmosférica desses corpos celestes através de diferentes técnicas de espectroscopia.

Tais técnicas permitem-nos inferir sobre a composição química, temperatura e até complexidade molecular a partir da luz refletida na superfície. Satélites como o Keppler e o TESS da NASA já descobriram uma estrondosa quantidade candidatos a exoplanetas, muitos dos quais ainda estão à espera para ser confirmados.

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Planetas do sistema Trappist em comparação com os planetas do sistema solar. (Handout / AFP)

A grande jornada

Vivemos na aurora da exploração espacial. Na próxima década vamos lançar a missão Clipper para explorar os oceanos gelados da Europa e a sua superfície; o programa new frontiers, com o intuito de estudar mais profundamente os outros astros do sistema solar; e o programa dragonfly, que visa estudar a superfície de Titã, a maior lua de Saturno.

Em termos de espaço profundo, inúmeros outros satélites e telescópios estarão a fazer uma busca sem precedentes na história humana por exoplanetas e sistemas lunares compatíveis com a vida. Estamos a olhar para todos os lados, dos nossos planetas vizinhos e suas luas aos confins do espaço profundo. Nunca antes estivemos tão perto de descobrir um outro planeta Terra. A maior aventura da raça humana está apenas a começar.

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E se encontrássemos vida em Europa?

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Andrey Vieira é brasileiro, natural do Rio de Janeiro. É licenciado em ciências biológicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF), com enfoque em bioquímica e Geoquímica Orgânica. Durante sua graduação foi selecionado como estudante de alta performance para poder realizar um intercâmbio académico na Universidade Estadual de Montana, nos Estados Unidos, na área de Astrobiologia, Origem da Vida e Biogeoquímica. Essa escolha acabou por lhe render uma oportunidade de trabalho como assistente de pesquisa no NAI (NASA Astrobiology Institute) no Massachusetts Institute of Technology (MIT). Durante o tempo de pesquisa no MIT, o Andrey realizou uma série de estudos sobre o funcionamento das moléculas que conferem resistência a altas temperaturas em organismos extremófilos (Organismos que possuem preferência fisiológica por condições geoquímicas extremas, como altas temperaturas ou acidez extrema). Atualmente reside na Dinamarca como estudante da Universidade de Aarhus, e trabalha na sua Tese de Mestrado no Instituto Max-Planck de Biologia Marinha. Seu trabalho atual foca na bioquímica e fisiologia de bactérias poliextremófilas (Células que possuem preferência não só por uma condição específica, mas por um conjunto de fatores extremos concomitantemente) e como esses microrganismos podem vir a ser usados não somente para compreender como a vida teria se originado no planeta Terra, mas também como o estudo dessa fisiologia única pode vir a levar a criação de novas ferramentas biotecnológicas de grande relevância, nomeadamente para a indústria da construção civil e petroquímica. Andrey Vieira também é um entusiasta da astrofísica e epistemologia, possuindo mais de dez cursos em assuntos relevantes na área de exploração planetária e cosmologia, conferidos por diferentes instituições de pesquisa no Brasil e no mundo inteiro. Como comunicador científico, atuou por dois anos como auxiliar na disciplina de epistemologia da UFF e mediador/bolsista no projeto “Ciência sob tendas” levando a comunicação de ciência e tecnologia para escolas e comunidades carentes no estado do Rio de Janeiro.