A European Space Agency confirmou recentemente sua participação no primeiro teste real de defesa planetária da Humanidade. A história é simples: A NASA vai lançar a missão DART – Teste de Redirecionamento Duplo de Asteróides), e a missão Hera da European Space Agency irá ao encontro desde sistema binário (duplo) de asteróides para avaliar os resultados do impacto da DART.

A DART será lançada de um foguete lançador da SpaceX, um Falcon 9, em Julho de 2021 e alcança o sistema Didymos em Outubro de 2022.

A colisão vai redireccionar o Didymoon (o asteróide mais pequeno), tendo sido inicialmente  determinado, que a avaliação do impacto da sonda cinética e a estratégia de deflexão do asteróide fosse documentada a partir de observatórios terrestres. Mas agora, fruto da reunião ministerial da ESA, que se realiza habitualmente de três em três anos, (e que se deu a 27 e 28 Novembro deste ano, em Sevilha), foi finalmente aprovado a Missão Hera,  a segunda parte deste exercício e que vai documentar o redirecionamento deste corpo celeste.

Tanto quanto se sabe por agora, a Hera vai ser lançada posteriormente, em 2023 ou 2024, e chegará ao sistema Didymos dois anos depois. Nessa altura é suposto que a sonda de concepção europeia possa recolher uma variedade grande de dados sobre as rochas espaciais, com a ajuda de dois pequenos cubesats, que vão também realizar pousos nos asteróides.

Os dois cubesats das Missões DART e Hera, ao Didymos

Os dois cubesats que compõem a missão Hera são o Asteroid Prospection Explorer (APEX), fornecido por um consórcio sueco-finlandês-checo-alemão, e vai investigar a estrutura interior e a composição da superfície dos dois asteróides que constituem este sistema binário. E o Juventas, construído pela empresa dinamarquesa GomSpace e pela empresa romena GMV, estudará a estrutura e o campo gravitacional de Didymoon (ver mais aqui).

A Missão DART também apresentará um cubesat. O Light Italian Cubesat para imagens de asteróides (LICIA), da Agência Espacial Italiana e construído nos laboratórios Argotec, em  Turim. Este CubeSat vai separar-se do DART pouco antes da grande sonda atingir Didymoon; O LICIA observará o impacto a uma distância segura, transmitindo dados e fotos para a Terra.

Sistema Didymos

O Didymos é um sistema binário de asteróides ou asteróide duplo, uma vez que o asteróide principal tem outro asteróide mais pequeno a orbitá-lo. Este satélite natural é atraído pela gravidade do maior, no vácuo, apresentando um período de 11,9 horas na sua rota.

O asteróide principal tem 800 metros de diâmetro e o mais pequeno (o Didymoon) tem cerca de 150 metros (do tamanho da Grande Pirâmide de Gizé), mantendo uma distância do asteróide principal de cerca de 1,1 Km. Os dois juntos voam a uma velocidade de 22.530 Km/hora no vácuo do Espaço.

Créditos:Sistema Didymos, European Space Agency

O Didymos foi descoberto a 11 de Abril de 1996 pelo astrónomo Joe Montani e chama-se Didymos que significa gémeo, justamente porque é um duplo asteróide.

Em 2003 fez a sua passagem mais próxima da Terra, a uma distância de 7,180 milhões, sendo que em 2023 se irá aproximar do planeta fazendo uma passagem a 5,9 milhões de Km.

O teste de redirecionamento deste asteróide vai ser lançado em Julho de 2021 (DART- Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo), e tem o objectivo de colocar uma sonda a chocar com ele para o deslocar da sua rota. Esse impacto acontecerá em 2022.

O “65803 Didymos” no Grupo Apollo

Hera asteróide ESA
Créditos: Arecibo Observatory/NASA

O sistema Didymos é como disse um duplo asteróide que pertence aos asteróides do grupo Apolo ou seja, em comparação com as órbitas dos outros planetas do sistema solar (próximos da Terra), a sua rota encontra-se bastante próximo da Terra.

Estes “restos” que sobraram da formação de planetas de facto estão tão próximos da Terra,  que em alguns casos a Protecção Planetária os considera candidatos potenciais a uma colisão com o nosso planeta. Aliás, exemplo disso mesmo é o “Meteoro de Chelyabinsk” que de surpresa (sem ter sido previamente detectado) entrou na atmosfera terrestre a 15 de Fevereiro de 2013, na região dos Montes Urais, tendo-se incendiado no ar e explodindo em cima da cidade de Cheliabinsk.

Estima-se que este asteróide, o “Meteoro de Chelyabinsk”, tivesse 10.000 toneladas de massa e 17 metros de diâmetro, e destruiu telhados e estilhaçou janelas apenas, uma vez que acabou por explodir entre 30 a 50 Km de altitude, segundo a Agência Espacial Russa , RosKosmos.

Para um asteróide com 17 metros de diâmetro e uma velocidade de 30 Km por segundo, o equivalente a 108.000 Km por hora, os efeitos da explosão até foram pequenos. De facto comparando com a bomba de Hiroshima que produziu 13 Kilotons de energia, a explosão do Meteoro de Hiroshima produziu um explosão de 500 Kilotons de energia, tendo os moradores russo sido bafejados pela sorte, uma vez que a maior parte do asteróide acabou por se despenhar no lago Chebarkul… E apenas 1.200 pessoas ficaram feridas!

Como referido em cima, o asteróide não foi detectado antes de entrar na atmosfera, e a duração total do evento (desde que entrou até explodir e despenhar-se) foi de 32,5 segundos, tal como foi posteriormente reportado pelas estações terrestres que o detectaram usando infra-sons.

O “Meteoro de Chelyabinsk” foi o maior a atingir a Terra desde o impacto de Tunguska em 1908. Este evento estima-se que tenha produzido entre 5 a 30 Megatons de energia, cerca de 1000 vezes a força da bomba de Hiroshima e aproximadamente um terço da bomba Tsar que foi testada a 30 de Outubro de 1961 pela União Soviética em Nova Zembla, uma ilha no oceano Ártico.

A explosão de Tunguska derrubou cerca de 80 milhões de árvores numa área de 2150 Km, provocando um terramoto de grau 5 na escala de Richter.

Serve isto para explicar que tanto o “Meteoro de Chelyabinsk” como muito possivelmente o Meteoro de Tunguska pertenciam ao Grupo Apollo ou seja, que orbitam a Terra de forma perigosa.

Créditos: AndrewBuck Obra do próprio: Legenda: Localização dos asteróides do Grupo Apollo em comparação com as órbitas dos planetas terrestres do Sistema Solar. Marte/Vermelho (M),  Vênus/Preto (V),  Mercúrio/Cinzento (H),       Sol/Amarelo,  Asteróides do Grupo Apollo/Verde Terra/Azul (E).

O sistema Didymos (aliás, o Didymoon) nem é o mais perigoso…

De entre os asteróides do Grupo Apollo, os asteróides “perigosos”, o maior é o 1866 Sísifo, que apresenta um diâmetro de 10 Km, sendo um “End-Gamer” se um dia for atraído gravitacionalmente na direcção da Terra. Contudo o asteróide mais conhecido do Grupo Apollo é o 99942 Apófis, que em Dezembro de 2004 as primeiras observações determinavam que este teria uma chance de 2,7% de atingir a Terra em 2029, sendo que nessa passagem o Apófis pode passar por uma fenda de ressonância gravitacional. Esta fenda é por assim dizer uma janela no Espaço influenciada pela gravidade terrestre, que uma vez atravessada por um asteróide ou cometa, poderá alterar as suas rotas de forma a que este se torne perigoso nas suas passagens posteriores.

Porque existe essa possibilidade de ser atravessada a fenda de ressonância gravitacional e do asteróide poder causar um impacto com a Terra em 2036, o 99942 Apófis foi colocado no Nível 1 da Escala de Turim (escala de perigo de impacto) . Sendo que a escala é de 1 a 10, o nível de perigo é “aceitável”, embora em 2006 este asteróide tenha já estado no Nível 4 desta escala.

Actualmente, relativamente à passagem do Apófis em 2036, está calculada a probabilidade de impacto como sendo de 1 em 45.000, e na passagem de 2037 essa probabilidade passou para 1 em 12,3 milhões.

Mas nem os impactadores cinéticos são a única opção para redireccionar asteróides…

Os impactadores cinéticos começaram a ser falados em 2013, após o evento de Chelyabinsk. Nessa altura os EUA e a European Space Agency estabeleceram o programa AIDA (Asteroid Impact and Deflection Assessment mission) com o objectivo de provocar a deflexão ou redirecionamento do Didymos quando este se encontrar a 11 milhões de Km da Terra. Para o DART (o teste de impacto e redirecionamento), a construção da sonda de impacto está a cargo do Johns Hopkins University’s Applied Physics Laboratory.

Mas se a missão DART da NASA é o primeiro teste para redireccionar um asteróide, afastando-o da sua rota “perigosa” através de um impacto de uma sonda, essa não é contudo a única maneira de afastar um asteróide do planeta Terra.

Há outras duas maneiras:

1.) Se houver tempo antes da colisão: Por exemplo, se o asteróide se encontrar longe da Terra o suficiente (com este método precisamos de várias décadas para o redireccionar), podemos utilizar uma sonda de grandes dimensões para servir de “trator de gravidade”, voando ao lado do asteróide e atraído-o no vácuo lentamente na sua direcção.

2.) Se NÃO houver tempo antes da colisão: E se a possível colisão estiver a apenas algumas semanas ou meses, poderemos ser forçados a optar pela opção nuclear, literalmente. Explosões de bombas nucleares no asteróide ou nas proximidades podem explodir a rocha ou pelo menos empurrá-la para fora da sua rota.

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